Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008

Informação

 

INFORMAÇÃO

 

 

Entende-se por informação qualquer conjunto de dados registados numa memória, que serão interpretados por alguém.

É informação o conjunto dos nossos conhecimentos e recordações, alojadas na nossa memória, que reside no nosso cérebro. É informação todo o conteúdo de um livro e de todos os livros, jornais, revistas e documentos de todas as bibliotecas. É informação tudo o que está gravado em qualquer material desde os mais primitivos aos mais evoluídos: desde os fósseis, pinturas rupestres e rumas; passando pelos monumentos pré-históricos e seculares, pergaminhos, trajes e armas; por todas as expressões artísticas — esculturas, quadros em relevo, pintura, arquitectura, música, canções e teatro — e mais recentemente pela fotografia, pelos discos de vinil e fitas magnéticas de audio, também pelo cinema e vídeo, e pelos actuais discos de leitura “lazer” que registam informação das mais diversas formas; até às bandas magnéticas e micro-chips electrónicos em cartões que suportam muita informação em muito pouco material. Tudo é informação.

A informação em si é uma coisa passiva e inerte, mas a sua implicação no que lhe está inerente torna-a de uma importância extraordinária. A informação é o propulsor da evolução humana porque tudo o que caracteriza a evolução humana está em correlação com tudo o que caracteriza a informação.

Para existir informação é necessário existir matéria que a suporte; é necessário existir linguagem que a enrede; é necessário existir energia que a reproduza; e é necessário existir inteligência que a compreenda, porque, toda a informação é artificial e existe de e para o homem. Por analogia, a natureza tem a sua informação genética e biológica que se auto-reproduz. Também a informação humana caracteriza-se principalmente pelo facto de poder ser reproduzida — de nada servia gravar um disco que nunca pudesse ser ouvido ou escrever um livro que nunca pudesse ser lido.

O facto da informação poder ser reproduzida é que é a chave para o desenvolvimento humano. Se alguém pratica um acto e pode depois ver como o praticou, corrigirá possíveis erros e irá, no futuro, praticar o mesmo acto com mais perfeição. Entra também aqui o facto de o homem ser o único ser com consciência dos seus actos. Subentende-se assim o que a experiência proporcionará em milhares de anos. Repare-se ainda no crescimento cada vez mais galopante dos últimos anos em que a era da informação se tornou uma realidade. Um adolescente de hoje com um computador em casa ligado à internet tem acesso a mais informação que todos os habitantes do planeta há cem anos.

A informação é muito importante porque a sua reprodutibilidade transforma-a atemporal. Só com informação se consegue analisar um acontecimento do passado ou prever um acontecimento futuro. E como a transmissão da informação, além de poder acontecer de uma pessoa para ela própria, pode também acontecer de uma pessoa para muitas outras. É assim geradora de opiniões, conceitos, juízos e valores psicológicos — o romantismo do século XIX só existiu porque alguns autores no início desse século o fomentaram.

As novas tecnologias da informação, através da informática e audiovisual, encurtaram as distâncias no mundo, transformando todo o planeta numa “aldeia global” em que todos têm acesso a tudo em todo o lado — todos os que têm acesso às tecnologias. Mas, repare-se que este encurtamento é psicológico e artificial, como toda a informação é psicológica e artificial, criada pelo homem — se falhar a tecnologia, Nova Yorque fica do outro lado do oceano a milhares de quilómetros em relação a Lisboa, e apesar dos meios de transporte serem evoluídos, nunca alcançarão a velocidade da transmissão de informação que é instantânea.

A era da informação caracteriza-se também pela existência de inteligência artificial, só possível devido a grandes memórias artificiais usadas por automatismos próprios e com determinadas energias.

Também a inteligência humana consiste na capacidade de uso da informação que cada um tem na sua memória.

Um computador pode ter registados na sua memória todos os livros de uma biblioteca, mas isso de nada servirá se não tiver um programa que os ordene, procure e edite. Os programas informáticos são também informação memorizada com o fim de trabalhar outra informação.

Talvez ninguém imagine a quantidade de “bits” e “bytes” que seriam necessários para suportar toda a memória de recordações, instruções, conceitos, desejos, medos e tudo o mais que um ser humano compreende: “saber que o dia ‘x’ é um de tantos que tem tal mês entre outros doze do ano tal depois de Cristo, porque se contam assim os anos após o acerto do calendário pelo movimento do planeta em relação ao sol que é uma estrela porque... e foi nesse dia que ele nasceu; ou saber que o sapato preto diz bem com o fato azul porque esta é a cor do céu que se vê da janela do escritório para onde tem que se dirigir e causar boa impressão se não se perder em conversas fúteis e chegar atrasado porque... e tem que o calçar no pé”.

Tudo o que o homem sabe é informação. Tudo o mais que existe é natureza. Tudo o que faz conscientemente é porque está informado. Tudo o que faz inconscientemente é pura natureza. Quanta mais informação o homem tiver, mais consciente será.

 

 

 

 

 

 


publicado por sl às 00:50
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1 comentário:
De Anónimo a 21 de Setembro de 2017 às 20:38
gostei de seu intendimento sobre informação, mas eu n achei o texto bem estruturado.


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