Terça-feira, 3 de Abril de 2007

Amizade

AMIZADE

 

 

A amizade é o valor mais importante nas relações humanas. Ter um amigo é realmente ter um tesouro.

Porque a amizade não depende do sexo, não depende da idade, não depende do nível cultural nem socioeconómico. Um amigo pode ser do nosso ou do sexo oposto, pode até ter comportamentos sexuais invulgares. Pode ser nosso mestre ou chefe, ou simplesmente nosso servo. Pode ser rico ou pobre, da nossa família ou não, pode ser do nosso país ou do estrangeiro, pode ser da nossa etnia ou de outra, pode ser idoso ou jovem. Pode praticar qualquer actividade cultural, desportiva, lúdica, religiosa ou qualquer outra, completamente diferentes das nossas, e nem por isso deixa de ser nosso amigo. A amizade sobrepõe-se a qualquer destes valores. Ter um amigo é ter alguém que nos dá segurança, alguém que sabemos que podemos contar num momento de necessidade, sofrimento, fragilidade ou insegurança.

A amizade é um conjunto de interesses mútuos. Nasce quando uma pessoa precisa de outra e vice-versa. Quando têm interesses comuns e uns nos outros. Pode ser de curta duração ou durar para toda a vida. O verdadeiro amigo é o que nos dá tudo o que necessitamos sem cobrar nada em troca. Para ter um amigo basta receber e depende dele, mas para ser amigo, basta dar e depende de nós, e isto é o mais importante — dar.

Dar é a base da amizade. Dar ajuda, dar conselhos, dar atenção, dar tudo o que o outro necessitar. E como a amizade produz retorno, dar é receber. Quanto mais formos amigos e mais dermos, mais os outros serão nossos amigos e mais nos darão. Nós não seremos verdadeiros amigos se dermos a pensar em receber. Temos que dar, só. E os nossos amigos são aqueles que nos dão tudo o que nós necessitamos, porque sabemos que podemos confiar neles. Um verdadeiro amigo é aquele que dá sem intenção de receber.

A força e a robustez da amizade estão na confiança. A amizade depende da confiança. Da confiança que depositamos nos outros e da confiança que os outros depositam em nós. E para que os outros sejam nossos amigos temos que confiar e dar provas de confiança.

E é na confiança e nas provas a dar que a amizade se desmorona, porque a confiança que depositamos nos outros depende das provas que os outros nos derem. E para que existam provas de amizade é necessário que haja vontade de ser amigo. E ser amigo é ajudar pelo prazer de ajudar e não ajudar pelo prazer da recompensa. Esses serão os falsos amigos, os que cobrarão a amizade.

A amizade e a confiança são importantes para o bem-estar e equilíbrio pessoal. Mas se não é sincera e verdadeira facilmente gera a desconfiança e o ódio que são bem prejudiciais.

Nunca poderemos trabalhar o quanto os outros podem ser nossos amigos, mas podemos trabalhar quanto podemos ser amigos dos outros, e quanto mais formos amigos dos outros mais os outros serão nossos amigos.

E sermos amigos dos outros e darmos provas dessa amizade, deve ser apenas quanto baste, para que a amizade não se torne uma invasão de privacidade. Mais importante que a amizade é a individualidade, e se desejamos manter essa individualidade não devemos expor toda a nossa vida nem aos maiores amigos.

Porque existem vários tipos de amigos. Existem os amigos para toda a vida a quem contamos todos os segredos, mas se um dia a amizade se quebra toda a nossa vida fica exposta, e os inimigos também são pessoas e também agem e muito nos podem prejudicar. Existem os amigos de todos, que se confundem com os amigos de ninguém... E existem os amigos verdadeiros, aqueles que nos ajudam dedicadamente no momento exacto que nós precisamos e nos deixam livres depois, embora saibamos que podemos contar com eles.

Assim devíamos ser nós. Ajudar os outros só quando eles necessitam, e vivermos dedicados a nós próprios. Pensar sempre primeiro em nós mesmos, ajudando os outros sempre com a certeza de que não nos vamos prejudicar a nós próprios nem aos outros com a nossa ajuda. E procurarmos a ajuda dos outros apenas quando não conseguimos o que desejamos com os nossos próprios meios. Porque muitas vezes, agarrados aos outros com medo de os perdermos, esquecemo-nos de nós próprios, quando devíamos dar provas de autoconfiança e de sermos amigos de nós mesmos.

Pois só quando confiarmos e formos amigos de nós próprios tanto como dos outros todos juntos, atingiremos um equilíbrio perfeito na amizade, que nos fará viver felizes.

E só cada um saberá quanto merece e deve ser amigo de si.

 


publicado por sl às 02:40
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