Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

Afectividade

AFECTIVIDADE

Os afectos são algo que está presente na nossa natureza biológica e que nós com a nossa criatividade humana alteramos conforme os factores naturais que os influenciam, no sentido de reduzir ou anular uns, manter ou alterar outros, e aumentar ou criar outros.

O nosso corpo funciona como uma máquina complexa, com vários movimentos ritmados cuja sincronia forma uma unidade também ritmada. Essa unidade é a nossa vida objectiva e física, provada cientificamente. Nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos. O nosso coração tem um número médio de batimentos por minuto. O sangue circula a uma velocidade média. As vias respiratórias e os pulmões completam um ciclo respiratório em determinado tempo médio. A assimilação de alimentos e de informação exige determinada quantidade, qualidade e tempo. O sono exige que se durma determinado número de horas por dia, e os sonhos também têm ritmos específicos. A actividade sexual, muscular e cerebral tem também os seus ritmos apropriados...

Estes e muitos outros movimentos do corpo são naturalmente sincronizados de forma a criarem uma harmonia saudável, com ritmos médios diferentes em cada pessoa, conforme a sua idade, género, actividade física e características idiossincráticas.

Estes ritmos biológicos são naturais e estão presentes em todos os seres vivos. São mais abundantes no homem devido, apenas, à sua maior complexidade orgânica. Existem como reguladores da vitalidade e sobrevivência, mantendo-se num movimento regular estável sempre que o corpo de que fazem parte se encontre também ele em estabilidade, e actuando com aumentos ou diminuições de ocorrência sempre que haja uma alteração na estabilidade do corpo, que podem ter origem no seu interior, na sua essência vital, ou no exterior, no ambiente ou tudo o que o rodeia.

Sempre que nós adoecemos ou estamos preocupados — mesmo sem sabermos porquê — o nosso ritmo cardíaco aumenta. É um aviso do interior e uma tentativa de repor a estabilidade. Sempre que sentimos perigo ou medo de alguma coisa, ou elevada avidez, excitação ou ansiedade, aumenta também — para nos dar força para resistir ao que nos pode fazer mal. São alterações de ritmos vitais que visam repor a estabilidade corporal.

Todos os seres vivos vivem rodeados de outros, semelhantes e diferentes. E todos vivem num lugar, na Terra — ainda não se conhece vida extraterrestre. Todos são afectados por tudo o que os rodeia, como os outros, o clima, a natureza, o sol, a noite, o fogo, etc. E todos ganham afectividade ao que lhes faz bem, ao que lhes dá prazer, satisfação, vitalidade, e estabilidade natural para continuarem a viver. As plantas e os animais gostam de ser bem tratados. Os animais enfurecem-se para se defenderem se não forem bem tratados.

Com o ser humano acontece a mesma coisa. Mas devido à sua racionalização, a afectividade torna-se ainda muito mais complexa. Pois o homem está envolvido numa rede de sentimentos humanos e emoções, que funcionam seguindo as mesmas regras, mas de uma forma muito mais vasta, de abstracção e subjectividade. No homem, os afectos traduzem-se por amizade, amor, e carinho, que partem de alguém em direcção a outro alguém.

 


publicado por sl às 02:11
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Sábado, 17 de Fevereiro de 2007

Abertura

ABERTURA

Olá! Seja bem-vindo prezado leitor! Este é o texto de abertura de uma grande aventura pelo mundo das ideias. Se esse é um mundo pelo qual sente uma especial paixão, não hesite em continuar. Se não é, mas está receptivo a uma nova experiência, continue também.

O início deste parágrafo, que o amigo leitor está neste momento a ler, aqui, e agora, não faria sentido se não tivesse existido o parágrafo anterior que o leitor já leu, e mesmo agora não fará ainda muito sentido, mas fará sentido certamente quando o leitor perceber que só foi escrito assim para facilitar a compreensão do que se pretende com este texto de abertura, e que continuará no parágrafo seguinte.

Nenhum acontecimento, seja ele de que natureza for, existe num vácuo, independente de tudo, mas, pelo contrário, todo e qualquer acontecimento existe relacionado com outros, que o precedem, que o acompanham e que lhe sucedem. E todos os acontecimentos são eles próprios, com as características que os definem em particular, juntamente com as características que os definem nas suas relações e interacções com outros. O acontecimento em si pode ser definido tendo em conta apenas as suas características particulares, mas pode também ser definido tendo em conta apenas as suas interacções.

O objectivo que se pretende com este texto de abertura é que seja feita uma ponte entre o leitor e a leitura deste livro.

Tal como uma viagem é precedida dos planos e do fazer das malas, também a leitura das páginas deste livro deve ser precedida pela leitura deste texto de abertura, que visa informar o leitor para o que vai encontrar ao longo do mesmo. Aqui o leitor poderia questionar porque razão não é simplesmente apresentada uma nota introdutória, um prefácio, ou até um resumo de contra-capa?! E a resposta é simples: deseja-se evitar que seja iniciada a leitura sem um esclarecimento claro do que se pretende com livro, tendo em conta a possibilidade de determinados conteúdos poderem ferir sensibilidades quando não bem contextualizados. Desta forma, este texto de abertura, é simultaneamente uma introdução ao livro e parte integrante do mesmo.

Se o leitor é daquelas pessoas que vivem a aventura pela aventura, e que está disposto a partir sem planear a viagem, poderá deixar este texto no final deste parágrafo e passar às páginas seguintes. Isto se não iniciou a leitura por outros textos. E se iniciou e acabou por passar por aqui, honras lhe são devidas por, no mínimo, não ter abandonado o livro. Mas recorde-se que a aventura tanto pode trazer surpresas agradáveis como desagradáveis, e, para evitar as desagradáveis, mais vale ser cauteloso.

Este livro é composto por um conjunto de textos independentes, uns mais e outros menos extensos, ordenados por ordem alfabética, e que apesar de não possuírem uma relação directa entre eles, possuem no seu todo, uma ideia central, que é a ideia de verdade, analisada sob diversos aspectos, e, claro, sob o ponto e vista do autor.

A compreensão de si próprio é o maior enigma do ser humano, e a busca da verdade é uma busca permanente, que se vai fazendo e refazendo durante o percurso de um caminho interminável, que o guia em direcção a uma luz, que ora o ilumina ora o cega, mas é dela que depende a sua felicidade.

No entanto, cada indivíduo escolhe o seu caminho, e se por um lado essa escolha nem sempre é totalmente livre e consciente, por outro, escolhe muitas vezes caminhos que apontam para a felicidade, mas para uma felicidade aparente, porque a luz que os ilumina é a luz de uma verdade falsa, que a qualquer momento se apaga, fazendo o indivíduo mergulhar na escuridão.

Cada pequeno texto deste livro pretende contribuir para a distinção entre o que é a verdade num sentido geral, real e natural — aquela força que por muito que se tente dominar, acaba sempre por vencer — e o que é a verdade aparente, mais localizada e mais directamente relacionada com o indivíduo, e que, apesar de não ser real e natural, ganha raízes de tal forma estruturadas, que acaba por se confundir e até fundir com a primeira.

Cada texto é, assim, um desafio ao pensamento, que tanto descreve a coisa mais consensual e explícita, que de tão assumida como verdade, parece não fazer sentido falar nela, como inversamente descreve a coisa mais ilógica e inconcebível, que de tão assumida como absurda, parece igualmente não fazer sentido falar nela. O leitor encontrará conceitos, frases, ou ideias, com os quais concordará plenamente, como encontrará outros com os quais discordará profundamente. A prova de inteligência passará por compreender as ideias expostas, compará-las com as ideias assumidas, e retirar as suas próprias conclusões. É uma tarefa que exige esforço mental, mas é a mentalidade que eleva o homem, e às vezes é importante que se pare para pensar.

Este livro, assumidamente, não é um livro científico. Seria incomportável englobar em termos científicos tudo o que este livro engloba, isto para além de, aqui como na vida, a cientificidade das coisas não ser a única existência real, e por vezes nem ser a mais importante. No entanto, pretendeu-se fazer uma abordagem aos diversos aspectos da verdade, fundamentada o mais cientificamente possível. Os resultados são os que se apresentam, e os desafios que se propõem consistem em cada leitor provar a si próprio, de uma forma coerente e racional, o contrário das afirmações que aqui são proferidas, se com elas está em desacordo.

A verdade é o que é para todos, e para cada um, e apesar de ser importante encontrar uma definição consensual, real e universal da verdade, muito mais importante é que cada um respeite a verdade dos outros, ainda que seja conceptualizada em total oposição.

Este livro não tem qualquer pretensão política, religiosa ou ideológica, embora dadas as suas características, poderá favorecer determinadas orientações e desfavorecer outras. A pesquisa de um conceito tão abrangente, como é o conceito de verdade, não se pode abstrair de áreas tão determinantes para a formação do ser humano, pois também elas contribuem para a formação de tal conceito.

Uma vez lido o texto de abertura, e só com esta leitura ficará completa a leitura do livro, resta fazer uma breve apresentação das páginas que se seguem.

No desenrolar deste livro o leitor encontrará aproximadamente uma centena de pequenos textos, cada um abordando um tema específico. Apesar de no seu todo confluírem para uma ideia central, que é a ideia de naturalismo, cada tema ficará completo em si, isto é, a leitura de um tema não exige a leitura de outro que lhe esteja semanticamente relacionado, embora possa existir complementaridade entre eles. Desta característica resultam duas consequências a registar: por um lado, para a leitura deste livro não é exigida qualquer ordem — o leitor tanto pode iniciar no primeiro tema e acabar no último como fazer o inverso, ou pode fazer a sua ordem pessoal conforme o grau de importância que atribuir a cada tema — a leitura ficará sempre completa, uma vez que não há qualquer relação directa entre os temas; por outro lado, o leitor poderá deparar-se com duas situações opostas — ou encontrará frases e ideias repetidas ou encontrará frases e ideias que se contradizem — as repetições salientam o mesmo fundo de verdade apesar das diferentes abordagens, e as contradições salientam as diferentes abordagens apesar do mesmo fundo de verdade — em qualquer das situações, mas essencialmente quando surgem contradições, é fundamental ter em conta a contextualização.

De qualquer modo, este livro é escrito em forma de dicionário, e como em qualquer dicionário, se o significado de andar é caminhar, também o significado de caminhar é andar, ou seja, a mesma coisa é dita em duas direcções opostas, e no caso deste livro não se tratará de significados simples, mas de ideias complexas. E há coisas que podem ser ditas de muitas formas, como há coisas que só se compreendem compreendendo o seu oposto ou antítese.

Este livro é dedicado ao público em geral. Não pretende diferenciar qualquer tipo de população ou elites. Pretendeu-se que a linguagem usada fosse uma linguagem acessível ao maior número de pessoas, dispensando-se sempre que possível, o recurso a nomenclatura especifica de descrições técnicas. No entanto, devido à complexidade categorial de alguns temas, existirão ideias cuja compreensão exigirá alguma mobilidade mental e intelectual.

A inteligência é um recurso naturalmente acessível a todos. Caberá a cada um retirar dela o maior proveito, e a todos contribuir para a purificação dos valores humanos, como a verdade. Esta é a contribuição do autor; é a verdade do autor; e é o desejo do autor: que seja dado um pequeno passo na edificação do caminho da verdade.

Boa leitura.


publicado por sl às 03:15
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