Sábado, 24 de Março de 2007

Ambiente

AMBIENTE

O ambiente é tudo o que nos rodeia. O que é pessoal, familiar, profissional, social, cultural, religioso, desportivo, natural, terrestre e cósmico. Tudo é o nosso ambiente desde que haja interacção entre nós e qualquer coisa, independente do nosso conhecimento ou consentimento dela.

Mas o conceito de ambiente tem sido actualmente orientado quase exclusivamente para a superfície terrestre e toda a camada atmosférica que a envolve. E começou a ser assim considerado desde que há poucas dezenas de anos o homem começou a pôr a hipótese de que a industrialização poderia provocar efeitos na natureza que lhe poderiam ser fatais.

Em poucos anos o ambiente não considerado passou a ser a estrela da sociedade política e económica. Se a preocupação do homem pelo ambiente é necessária, útil, e real, só o tempo responderá. Neste momento é imprevisível o conhecimento da evolução futura das condições ambientais da natureza e da influência do homem nelas, mas existem realidades a ter em conta.

Em primeiro lugar existe a realidade natural. O homem é um ser vivo que habita à superfície do planeta Terra, tal como todos os outros seres vivos. O planeta Terra tem uma superfície de mais de quinhentos milhões de quilómetros quadrados, sendo setenta e um por cento dessa superfície composta por oceanos, restando menos de um terço, para todos os desertos, florestas, agricultura, indústrias, comércio e habitação. Entre o ponto mais elevado da superfície terrestre (Everest) e o mais profundo do mar (fossa das Marianas), distam cerca de dezanove quilómetros, mas os seres vivos não têm condições para viverem para além de sete quilómetros de altitude e além de cinco quilómetros de profundidade, ou seja, vivem em apenas doze quilómetros de espaço vertical. Sabendo que o diâmetro da Terra é de pouco mais de doze mil quilómetros, se imaginarmos uma bola com um metro de diâmetro, todos os seres vivos viveriam na sua superfície em apenas um milímetro. Uma insignificância perante todo o volume da Terra. Sabendo que poluímos a atmosfera e o fundo do mar ou o interior da Terra, ainda que no máximo se atinjam trezentos quilómetros desde as profundidades às alturas, apenas serão vinte e cinco milímetros do nosso metro, e se poluíssemos esses vinte e cinco milímetros numa superfície equivalente à dos Estados Unidos – um dos maiores países da Terra — apenas teríamos poluído um, vírgula oito, por cento (1,8%) de toda a superfície.

Estes números reduzem-nos a muito pequenos perante todo o espaço ambiental que afirmamos ser motivo de preocupação devido à poluição. Se a nossa pequenez for suficiente para destruir o equilíbrio natural que proporciona a vida, será porque a vida é demasiado frágil, pois um só vulcão pode aniquilar mais vida que toda a poluição de um país.

Sendo o ser humano um filho da natureza, terá capacidade para a destruir, ou esta dará sempre a volta por cima?! Repare-se que quando a floresta arde, logo nascem novas plantas...

Em segundo lugar existe a realidade humana. O homem é um ser insaciável. Tem sede natural de poder. A sua ambição é demasiado forte para parar de crescer. E crescerá sempre... até morrer. Só retrocederá quando estiver a sua sobrevivência em risco, e se tiver consciência disso — o que será difícil, porque se os ambientalistas afirmam que, por exemplo, a destruição da floresta diminui a produção natural de oxigénio, os produtores de pasta de papel estão mais preocupados em produzirem mais para mais enriquecerem. A tendência só se inverterá quando os valores ecológicos forem mais rentáveis que os valores poluentes, quando economicamente for mais viável plantar ou proteger uma árvore que transformá-la em matéria prima, quando as energias ecológicas forem mais baratas que as poluentes para que todos optem por elas por serem baratas e não por serem ecológicas, e quando a economia local e mundial crescer mais com a defesa do ambiente que com a sua poluição — o que ainda não se imagina actualmente. Pois todo o crescimento humano, desde a idade da pedra até aos nossos dias, teve sempre como motor a economia. Onde houver mais riqueza é lá que está o poder e é para lá que se caminha.

A sociedade actual é uma sociedade consumista. O consumo origina desperdício e o desperdício polui. Para parar a poluição terá que se mudar a mentalidade da sociedade. Só será possível tal proeza se a natureza tomar a dianteira ao avisar drasticamente o homem — com muitas mortes — que tem que mudar de atitudes.

E em terceiro e último lugar existe a realidade natural humana. Cada ser humano só vive algumas dezenas de anos, e só vive uma vez. Se no futuro, a poluição ambiental não permitir a existência de vida, não afectará directamente as gerações actuais, e a preocupação caberia assim às gerações vindouras. Por outro lado, na última geração a ser extinta, como o é totalmente, ninguém se preocupará com a sucessão porque esta não existirá. E afinal, devido à falta de ambiente ou a qualquer outra razão, todos morreremos...

Esta despreocupação é ainda aumentada devido ao conhecimento da nossa insignificância e ao desconhecimento das nossas capacidades. Se a espécie humana continuar a viver, é porque foi inteligente e soube-se dominar respeitando o ambiente ou foi a natureza que a forçou ao retrocesso. Seguirá com consciência ou instintivamente os desígnios da própria natureza. Só quem viver no futuro conhecerá este passo da evolução humana. E esse futuro só existirá se o homem for inteligente para se proteger ou impotente para se autodestruir — o que nunca irá saber, porque se foi inteligente para se proteger não saberá se era potente para se destruir, e se for potente para se destruir não saberá se era inteligente para se proteger.

Resta saber qual a maior força — se a inteligência que permite parar com vida, ou a ambição que obriga a parar sem vida.

 

 


publicado por sl às 00:33
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Sexta-feira, 16 de Março de 2007

Ambição

AMBIÇÃO

 

A ambição é uma característica exclusiva do ser humano. Só o ser humano tem desejo de poder e por isso é ambicioso.

Os animais lutam quando está em risco a vida e a própria espécie. Os humanos lutam por razões muito menos categóricas. A razão fez o homem perceber que se for mais forte que o outro terá poder sobre ele. E da mesma forma que a “lei da selva” na natureza determina que o mais forte vence sempre, também na subentendida lei da competição, da concorrência ou do desejo permanente de poder, o mais forte vence sempre o mais fraco. A diferença existente entre a lei da selva natural e a “lei da selva humana” é que na primeira apenas existe uma força, bruta e natural, enquanto que na segunda existem diversas forças, que não são claras nem objectivas. Entre os animais as regras são claras e definidas pela natureza de uma forma só mutável pela evolução natural das espécies. Entre os homens as regras são permanentemente mutáveis e muitas vezes obscuramente definidas. As mais diversas estratégias são usadas para conseguir o mesmo objectivo, cada um conforme as suas diversificadas — naturais, adquiridas e artificiais – capacidades.

A inteligência humana, ou apenas a sua esperteza, transformou o homem, retirando-o da natureza e modelando-o de uma forma artificial, em direcção, por um lado, à perfeição sublime, e por outro, à existência trágico-cómica. De facto, o homem não é um animal, ou é um “animal” superior, mas quando comparado com todos os outros animais, apresenta diferenças que foram originadas na sua linguagem, devido ao seu cérebro superior, que por um lado são extraordinárias, como a capacidade de criação, de adaptação, de imaginação, de compreensão, etc; mas por outro lado são muito desmotivantes — o homem é o único animal que tem tabus, é o único animal que mata sem necessidade, é o único animal que se engana, e o único animal que mente, e é o único animal que se mascara.

E a ambição é um dos defeitos do ser humano, por ser a principal causadora de actos de baixo nível, que levam à indecência, à desonra, à desonestidade, à infâmia, à ignomínia, à falta de respeito, de carácter e de orgulho, que o diminuem para além dos próprios animais irracionais.

E se é certo que a ambição também contribui para o desenvolvimento humano, considerando que os ambiciosos são os que não têm quaisquer escrúpulos para ultrapassarem qualquer tipo de barreiras, não será menos certo que a vida de muitos seres humanos foi e continua a ser insuportável devido à exagerada ambição de outros.

Será também, desta forma, a ambição, uma prova de que existe uma espécie de dualismo na evolução humana, no sentido de que para existir o bom tem que existir o mau, pressupondo que a evolução humana partiu do animal não no sentido ascendente, mas num sentido alargado, tornando-se por um lado superior, mas por outro lado inferior ao próprio animal.

 


publicado por sl às 19:48
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Sábado, 10 de Março de 2007

Alma

ALMA

A alma é o que a religião chama à entidade espiritual que envolve cada pessoa e que a ciência estuda pela psicologia.

Cada igreja, religião, seita ou culto caracteriza a alma conforme as suas tradições culturais, costumes e interesses próprios. Desta forma não há uma generalização da alma, sendo antes entendida por cada um conforme a influência que recebe da cultura religiosa em que nasce ou vive.

Por ser sempre considerada um meio caminho entre o homem e Deus, a alma só existe para os crentes. Para uns, quando o corpo morrer, a alma que nasceu com ele, segue para o além, para uma vida eterna. Para outros, a alma vive eternamente e só recebe um corpo durante a vida terrena. Para outros ainda, a alma vai-se aperfeiçoando em diversas vidas por que passa na terra. Ainda para outros, a alma, logo que o corpo morre, é transferida para outro corpo. E ainda há os que acreditam que Deus tem um número limitado de almas que distribui só por quem merece, e os que acreditam que até os animais e as rochas têm alma...

Todas estas descrições da alma, e mais que existirem, são puras crenças. Na verdade, a alma não existe. O que existe é uma entidade espiritual, completamente abstracta e da qual ninguém tem um conhecimento aprofundado, devido à sua natureza. Essa entidade é apenas energia. Energia que existe no corpo humano, nomeadamente no seu cérebro. Essa energia pode ser registada em aparelhos electrónicos sofisticados, porque o corpo humano pode emitir radioactividade e ondas electromagnéticas, o cérebro humano funciona através de estímulos eléctricos entre as suas células. Conforme seja a actividade cerebral, o cérebro emite ondas cerebrais de maior ou menor intensidade.

A ciência actual está ainda a dar os primeiros passos no estudo destas realidades. Áreas científicas recentes como a neurobiologia e a psicofisiologia, apoiadas por cada vez melhor tecnologia, brevemente nos explicarão como funciona o nosso corpo e principalmente o nosso cérebro em termos energéticos. Ainda que não se consigam localizar as áreas físicas concretas no cérebro, brevemente saberemos estruturar o funcionamento concreto da nossa memória, da nossa inteligência, da nossa consciência, numa palavra, do nosso cérebro e de todas as suas extraordinárias funções.

Pois o nosso cérebro é o responsável por todos os atributos da alma. Por um lado, é dele que partem todas as manifestações e criações do nosso inconsciente, em energias perceptíveis e em alucinações ou imaginações. Por outro lado, é nele que está também toda a nossa consciência. E esta é a criadora de todas as ilusões, das lógicas falsas para a vida, dos outros mundos, e de toda uma série de mentiras que de tão enraizadas acabam por significar mais do que a própria verdade. E tudo isto acontece devido à ignorância natural do homem.

O psíquico, o espírito, ou a alma, são uma concretização em forma de energia que se vai criando no cérebro à medida que este se vai desenvolvendo. O cérebro é, de tudo o que existe na natureza conhecida, o pedaço de matéria mais pequeno e com maior complexidade de interconexões. Alguns investigadores dizem mesmo ser mais complexo o cérebro humano que todo o universo.

Mas o cérebro só existe como dependente de um corpo. Sem um corpo para o alimentar, o cérebro morre. E quando o corpo morre, também o cérebro morre. As células de que ele é composto morrem. E quando elas morrem, toda a energia que estava nelas deixa de existir, ou toda a energia que produziam deixa de ser produzida. O psíquico, o espírito ou a alma, deixa de existir, pois morre à medida que vão morrendo as células do cérebro.

Se nós acendermos uma fogueira num local escuro, lentamente ela vai começando a emitir luz – como o cérebro vai criando um espírito –, enquanto a fogueira estiver acesa, a luz alumia – como o cérebro mantém o espírito –, mas se apagarmos completamente a fogueira, a luz que nos alumiava desaparece... E não vai alumiar para outro local.

 

 


publicado por sl às 01:37
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Domingo, 4 de Março de 2007

Alegria

ALEGRIA

 

A alegria é a exteriorização de um sentimento, que pode ser verdadeiro ou falso. É verdadeiro quando o que se manifesta corresponde ao que se sente. Quando nos sentimos felizes e satisfeitos e exteriorizamos essa satisfação com alegria que contagia os outros. E é falso quando o que se manifesta não corresponde ao que se sente. Quando nos sentimos deprimidos ou preocupados, mas na presença dos outros exprimimos alegria.

A alegria é então uma manifestação social, um modo de ser ou de estar permanente — conforme as características psicológicas de cada um — ou ocasional — conforme as circunstâncias do momento —, que se opõe à tristeza, e que se considera apenas na relação de uma pessoa perante as outras.

A alegria íntima, individual e pessoal, não é alegria, mas sim felicidade, da mesma forma que a igual tristeza não é tristeza, mas sim infelicidade.

Mas existe diferença entre o que nós sentimos e aquilo que queremos que os outros pensem que sentimos. Por isso falsificamos a exteriorização e podemos estar felizes e expressar tristeza ou estar infelizes e expressar alegria. Esta falsificação pessoal dos sentimentos é tão comum e em algumas pessoas tão intensa que elas próprias acabam por serem influenciadas pela mentira criadas por elas mesmas. E ficam sem saber se estão felizes ou infelizes, nem tristes ou alegres.

Esta falsificação da expressão dos sentimentos pode ser voluntária ou involuntária. É criada devido a diferentes opiniões sobre respeito e valores humanos em sociedade. Expressamos sempre o que mais nos convém, excepto se a nossa natural felicidade ou infelicidade for demasiado forte e se torne superior à nossa capacidade de condicionar essa exteriorização.

Existem momentos — raros — em que a nossa felicidade é tanta que não nos preocupamos com o que a nossa alegria possa causar nos outros. E existem — também raros — momentos em que inversamente é a nossa infelicidade que nos preenche a ponto de esquecermos os outros. O excesso de alegria, quando real, causada pela felicidade, provoca inveja, pois todos desejam ser mais felizes que os outros, e quando falsa causa dó, pois ninguém tem muito apreço por alguém que está excessivamente alegre. O excesso de tristeza, quando provocado por uma infelicidade, causa compaixão, porque ninguém gosta de ver os outros sofrerem, mas quando falsa, causa ódio, porque ninguém gosta de ver os outros apelarem ao sentimentalismo para alcançarem os seus fins.

Como os sentimentos e emoções estão na nossa natureza física também os sentimentos humanos estão na nossa natureza humana, e por isso, todos nós, uns mais outros menos, temos momentos de felicidade e momentos de infelicidade que podemos exteriorizar, ou não, com alegria ou com tristeza, porque vivemos em sociedade e sabemos que tal como nós, os outros também sentem inveja, dó, compaixão, ódio e muitos outros sentimentos que nos poderão ser benéficos ou maléficos, e que por isso os usamos de uma forma interessada dentro das nossas capacidades, sem esquecer que todos eles existem naturalmente, mas em contraposição à razão.

Nem sempre existe coerência entre o que sentimos, o que queremos sentir, o que expressamos, e o que queremos expressar.

 

 


publicado por sl às 03:27
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