Domingo, 18 de Novembro de 2007

Evolução

 

EVOLUÇÃO

 

 

Falar de evolução no sentido abstracto do termo significa falar de evolução humana. O Homem é um ser em constante evolução. Desde que se conhece e até onde se conhece — caminhando em direcção ao passado — sempre existiu evoluindo, no sentido em que ele próprio se considera evoluir.

Apesar de alguns indícios indicarem a existência de civilizações evoluídas no passado, no conhecimento científico actual, esses indícios não são considerados verdadeiros, perdendo-se assim o conhecimento do passado nos meandros do esquecimento, embora direccionado para a involução até à própria natureza, cada vez mais no sentido bruto.

Segundo as teorias mais consensuais do mundo científico, tudo existe na natureza, representado por átomos e em duas formas: matéria e energia. Como ambas se transformam uma na outra, então uma e a outra são a mesma.

Os átomos — e tudo o que os compreende — todos juntos formam tudo o que existe, desde a maior inactividade à maior actividade. Uma rocha é uma composição de matéria permanentemente inactiva, e um coração é uma composição de matéria permanentemente activa — sob o ponto de vista humano.

Assim, dentro dos limites do conhecimento — humano — porque não conhecemos a verdadeira origem do universo nem a sua evolução, se é que existem, pois todas as afirmações a isto referentes são teorias não comprovadas, ainda que lógicas — toda a evolução segue no sentido da maior simplicidade, na composição atómica, para a maior complexidade, dessa composição.

Se colocarmos num recipiente areia, água e azeite e agitarmos tudo, obteremos uma mistura homogénea. Se deixarmos de agitar, os três elementos separam-se. Também se imagina que no início dos tempos toda a composição da vida se encontrava igualmente misturada numa massa homogénea, que, com o passar dos tempos e com a estabilidade cósmica, cada vez mais os elementos foram-se diferenciando do todo, agrupando por partes, e reunindo essas partes em doses complexas que originaram a vida.

No sentido inverso, e imaginando para melhor compreensão, se reuníssemos um elefante, uma árvore, um automóvel, e uma viga de betão armado, e ralássemos tudo o mais possível, obteríamos uma pasta com peso, densidade, humidade, pressão, temperatura, cor e outras características específicas. Ninguém conseguiria localizar e extrair dessa pasta o sangue ou a pele do elefante, a madeira ou o fruto da árvore, a gasolina ou o vidro do automóvel, e o cimento ou o ferro da viga, mas tudo estava lá.

A separação das partículas elementares da matéria e a sua reorganização, são o resultado de muitos milhões de anos de estabilidade e de reunião de condições de evolução, começando por serem criadas as matérias inorgânicas e depois as matérias orgânicas que deram origem à vida. Os minerais, vegetais, animais e por fim os humanos, são todos provenientes dessa massa inicial, e existem desde as formas mais simples às mais complexas.

A evolução é a criação de coisas novas com base nas anteriores. Tudo existe na natureza desde o princípio ou desde sempre e é apenas transformado para maior complexização,

A evolução da vida na natureza, vegetal e animal, precede a evolução humana, mas ambas seguem os mesmos trajectos, até porque a evolução humana também é natural. Os seres vivos evoluem conforme a teoria da evolução natural das espécies, em que o ser mais forte vence sempre, tornando-se o gerador de descendência.

O homem é o ser vivo mais evoluído porque possuí o sistema mais complexo de organização celular. Todos os seres vivos são organizações de células. As células são a mais elementar matéria viva. São diversificadas conforme a sua estrutura molecular formada pela composição atómica. Os átomos — matéria ou energia — que formam as moléculas que formam o sistema nervoso do corpo humano, são a mais evoluída estrutura de matéria viva natural. Por isso criaram o pós-material: o espiritual.

O espiritual nasceu com a linguagem e a consciência, e toda a evolução artificial nasceu também daí. A evolução humana é originada na sua inteligência. Com ela, o homem domesticou animais, cultivou plantas, criou sociedades civilizadas, dominou muitos obstáculos naturais, e começou a conhecer-se a si próprio e ao lugar que ocupa na natureza. Cada nova geração é mais evoluída que a anterior porque acumula os ensinamentos precedentes com a experiência própria.

A evolução artística, económica, social, tecnológica e científica, é idêntica à evolução natural. A opinião do mais forte é a que prevalece. Mas o mais forte pode não ser o mais inteligente, e por isso toda a criação humana é de uma artificialidade de segurança relativa. A evolução humana não é totalmente consciente. Evoluímos na direcção que a natureza nos permite e que queremos, mas não sabemos porque queremos, porque ninguém controla nem explica a evolução.

E se a natureza é de uma diversificação imensa, que criou infinitas formas de vida, não sabemos se a sua própria evolução e principalmente se a nossa evolução humana, é a única forma de evolução ou se é uma de muitas variantes possíveis, porque tudo o que nós – humanos — sabemos, aprendemos pelos nossos próprios meios — ninguém mais inteligente nos ensinou nada — e podemos estar totalmente errados.

Enquanto não acontecer nenhuma catástrofe a nível planetário, e a estabilidade natural e a vida se mantiverem, continuaremos a evoluir, e poderemos um dia saber porquê — ou não.

 

 


publicado por sl às 01:11
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Terça-feira, 13 de Novembro de 2007

Eternidade

ETERNIDADE

 

 

Considera-se eterno tudo o que não tem princípio nem fim. Se não tem principio, não tem origem, não nasceu, não foi criado nem inventado. E se não tem fim, não tem destino, não morre, não se extingue e não desaparece. Logo, se não tem uma nem outra coisa, também não pode ter existência. E não existe.

A eternidade realmente não existe. Não existe porque tudo tem princípio e fim. Ainda que o princípio e o fim, sejam indefiníveis por se perderem no infinito, ou que sejam quase simultâneos, eles existem, e a própria existência existe entre eles.

Tudo existe entre um princípio e um fim. Podem ser eternamente – humanamente — desconhecidos, mas existem. A existência de alguma coisa prova a existência do seu princípio e do seu fim. A não existência de principio e de fim prova a inexistência da coisa.

A eternidade, ou tudo o que não teve princípio e é igualmente infinito, apenas existe psicologicamente, em termos de lógica científica necessária ao abstraccionismo da racionalidade.

Se dividirmos dez por três, obteremos um número infinito (3,333...). A divisão deste número vai até à eternidade, não tem fim, mas é impraticável. A sua aplicação prática ou é arredondada ou perde-se para sempre, que é o mesmo que lhe atribuir um fim.

Na vida como na matemática, a eternidade só existe teoricamente. É uma impossibilidade prática real. Quando alguém diz que alguma coisa existe eternamente ou para sempre, está-se a referir a uma eternidade relativa. Existe até um fim indeterminado ou existe para sempre enquanto outra coisa existir, depois acaba também.

A eternidade é também usada pela religião de forma a dar um sentido à vida que é finita, tornando-a infinita em planos espirituais. Neste aspecto poderia dizer-se que a eternidade existe, por ser puramente espiritual. Mas o espírito só existe porque existe um corpo. Se o corpo morre, o espírito deixa de existir, e a eternidade com ele.

A eternidade só existe em imaginação. Tudo o que é eterno não existe real e naturalmente, porque tudo o que existe real e naturalmente tem fim, como teve princípio.

 

 

 


publicado por sl às 18:45
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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

Espírito

 

 

 

ESPÍRITO

 

 

O espírito é uma das características humanas que mais acentua a diferença existente entre o ser humano e os outros seres vivos. O espírito humano identifica-se também como “alma” — sinónimo religioso — e como “psique” — sinónimo derivado do grego que acabou por ser adoptado no mundo científico, pelas palavras “psíquico” e “psicológico”. O espírito é algo que se traduz pela alma da religião e pelo psíquico da ciência. A religião chama “alma” ao espírito e tem uma explicação consistente para essa concepção, da mesma forma que a ciência tem uma explicação para lhe chamar “entidade psicológica”.

O espírito é algo que existe no homem e apenas neste, e é nesse espírito que se encontra a grande superioridade humana. Mas não é ainda possível clarificar consensualmente o que é o espírito, pois a sua essência justifica esta impossibilidade, apesar de, no entanto, lhe serem atribuídas muitas caracterizações e definições.

O espírito é uma entidade abstracta incognoscível, excepto pelas suas manifestações e principalmente pelas teorizações dessas manifestações. Não há um acesso directo ao espírito, mas um acesso às suas manifestações. Não sendo uma entidade concreta, o espírito não se pode localizar espacialmente, mas por aproximação e idealização, imagina-se que o espírito possa estar “localizado” no cérebro humano sob uma forma imaterial.

As células cerebrais recebem permanentemente enormes quantidades de informação através dos sentidos e do interior do próprio corpo. Esta informação é registada na memória. A memória é composta por, calcula-se, cinco por cento de consciente e noventa e cinco por cento de inconsciente. No nosso quotidiano racional humano apenas funcionamos com o consciente, pois somos seres racionais. Mas se nós quisermos deixar de ser racionais e conscientes — embriagando-nos, tomando alucinogénios, medicamentos não receitados ou produtos tóxicos, trabalhando ou praticando exercício físico excessivamente, abstendo-nos de alimentos ou de dormir, etc; etc. — ou se por acidente ou doença, deixarmos de ser racionais e conscientes involuntariamente, ou por outras palavras, se o nosso corpo for privado das suas necessidades vitais, ou se receber ou expelir qualquer coisa em excesso ou em defeito, em relação àquilo para que está naturalmente preparado, entra em desequilíbrio, e o cérebro, como órgão corporal físico que também é, entra também em desequilíbrio. Este desequilíbrio no cérebro baralha a memória e transforma o ser humano racional e consciente em irracional e inconsciente. A perda parcial ou total de consciência deixa livre o caminho para o inconsciente que é inconfundivelmente maior e quase todo desconhecido. É quase todo desconhecido porque a maior parte das coisas que o nosso cérebro regista na memória não chega a passar pela consciência. Por exemplo, conscientemente este texto está a ser lido, mas inconscientemente o cérebro está a registar o que o leitor sente sobre ele, se concorda ou não, se provoca prazer ou repugnância, as vezes que o leitor se enganou, que recuou ou repetiu, a cor do papel, a forma da letra, a luz que nele incide, todos os sons, movimentos e odores que os sentidos conseguem alcançar, as dores musculares, os movimentos oculares — uma lista interminável de coisas que ficam no cérebro inconscientemente. Então, quando o caminho está livre, nós podemos ter acesso a coisas ou manifestar coisas vindas do nosso cérebro, que nunca nos passariam pela cabeça conscientemente. São tudo coisas vindas do nosso inconsciente inconscientemente, pois só inconscientes temos acesso ao nosso inconsciente da mesma forma que só conscientes conseguimos raciocinar.

O espírito é tudo o que o cérebro contém consciente e inconscientemente. A ciência define o espírito a partir do consciente atribuindo-lhe todas as faculdades psicológicas e espirituais, como o racionalismo, a identidade, a personalidade, a mentalidade, os sonhos, os desejos, os medos, etc. A religião define o espírito a partir do inconsciente, considerando todas as manifestações do inconsciente como sendo das almas, dos mortos, dos anjos, do sobrenatural, do outro mundo, de Deus e da eternidade.

O espírito é tudo isto. Se enquanto dorme, o homem sonha eroticamente com a mulher, a ciência pela psicologia afirma que é o “id” a satisfazer um desejo que o “ego” não satisfaz porque o “superego” não permite. A religião, pelas suas doutrinas, afirma que é a tentação da carne, que simboliza o mal.

O espírito continua a ser um grande enigma para o homem, porque conscientemente apenas é o que a psicologia consegue teorizar. E inconscientemente apenas se manifesta em estados de consciência alterada, e sempre involuntária e imprevisivelmente, não se podendo estudar científica e racionalmente.

O espírito está no cérebro. O cérebro emite ondas eléctricas. As ondas cerebrais variam conforme o estado de espírito e conforme a actividade cerebral. Se o cérebro se alterar, a energia que dele pode ser libertada pode criar os mais imprevisíveis fenómenos.

Visões e fantasmas; movimentos, sons, odores e manifestações corporais absurdas; sonhos premonitórios; pesadelos; e etc; são manifestações do espírito vindas do inconsciente.

Inteligência, consciência, justiça, paz, ternura, respeito, amizade, civismo, liberdade, igualdade, fraternidade e etc; são manifestações do espírito vindas do consciente.

O nosso espírito crítico, aliado ao nosso espírito humano, saberão escolher qual a espiritualidade que mais nos convém e por ela guiarmos a nossa vida.

 

 




publicado por sl às 19:30
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