Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

Glória

GLÓRIA

 

 

A glória um dos muitos valores sociais criados pela consciência colectiva que surge na sociedade humana, e que serve para regrar o relacionamento de um indivíduo para com a sua sociedade e desta para como indivíduo.

Entre valores de características diferentes, as sociedades humanas são compostas por muitos valores congéneres à glória, tais como: reputação, mérito, honra, louvor, virtude, estima, apreço, orgulho, vaidade, brio, consideração, crédito, distinção, dignidade, respeito, veneração, lealdade, carácter, fidelidade, honestidade, etc; etc.

Originados no indivíduo e usados nas relações com a sociedade – vaidade — ou originados na sociedade e usados nas relações com os indivíduos — veneração — todos estes valores estão presentes em qualquer forma de relações social, acumulados aos respectivos valores de cada tipo de relação — comercial, profissional, afectiva, política, religiosa, etc.

Todos os seres humanos nascem, crescem e vivem inseridos numa sociedade. Essa realidade obriga-os a adoptar regras de conduta que se manifestam pelos seus actos, pensamentos, atitudes e comportamentos, e que são o seu modo de ser e de estar nessa sociedade, que, por sua vez, vai avaliar tal modo de ser e de estar, e vai conferir aceitação ou rejeição conforme os padrões pessoais destes valores estejam ou não de acordo com os padrões colectivos.

Todos estes valores são criados pela consciência de cada um, e inconscientemente por todos. Os ideais de cada um, quando reunidos, formam o ideal social, que é distinto de cada ideal individual. Cada indivíduo forma os seus valores inspirando-se na sociedade, e a sociedade forma os seus valores reunindo os mais consensuais ou relevantes de cada indivíduo. Os ideais ou valores sociais são formados pela reciprocidade existente entre o indivíduo e a sociedade.

São valores subjectivos, criados pela consciência, e exclusivamente humanos. E para cada graduação positiva existe um equivalente negativo — a fidelidade só existe porque existe a infidelidade. Todos servem assim para valorizar ou desvalorizar a “cotação” que cada indivíduo tem na sociedade, podendo-o elevar até à heroicidade e afundar até à miserabilidade.

Cada sociedade tem estes valores padronizados de forma diversa devido à sua subjectividade — o mesmo acto pode ser motivo de honra na América e motivo de desonra na China. Cada indivíduo terá que conhecer os modelos que cada sociedade concebe, e adaptar-se a eles para que não seja excluído. Cada sociedade é o que é, e só se transforma com a mudança das mentalidades de várias gerações consecutivas e no mesmo sentido. E cada indivíduo é ele próprio e a sua consciência. Se existir discordância entre a sua consciência e a consciência colectiva, será ele o perdedor e o sofredor, porque é inferior perante os outros, ainda que a sua posição seja a mais correcta realmente. Por esta razão, nas relações concretas entre o indivíduo e a sociedade, estão constantemente a existir conflitos e injustiças, que podem causar tanto uma ovação não merecida como uma punição inocente.

Nenhum ser humano pode ter uma vida normal, com dignidade, vivendo isolado. A vida em grupo é natural até nas outras espécies. Mas a vida social e civilizada apenas existe nos humanos. Só os humanos possuem valores que sobrestimam e subestimam, e que são inerentes à sua superioridade inteligente. Quando usados sem extremismos no sentido de igualizar as concepções ideológicas entre o indivíduo e a sociedade, de forma a que cada um cresça com todos, porque todos contribuem para o desenvolvimento de cada um, e de forma a que todos cresçam com cada um, porque cada um contribui para o desenvolvimento de todos, a evolução torna-se inevitável, e o homem atinge a glória ambicionada e merecida.

E a regra é bem popular, o problema é fazer aos outros só o que gostávamos que nos fizessem a nós.

 

 

 

 

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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

Futuro

FUTURO

 

 

Futuro é tudo o que acontecer a partir deste momento, como passado foi tudo o que aconteceu até este momento. Mas este momento, presente, é o único que existe realmente, porque é o único que nós sentimos.

O futuro e o passado não existem. O que existe são os acontecimentos que aconteceram no passado ou os acontecimentos que poderão acontecer no futuro. E só desta forma aqueles existem. Qualquer acontecimento do passado que ninguém em todo o mundo tenha conhecimento dele é como se nunca tivesse acontecido. Assim, o passado apenas é o conhecimento que nós presentemente temos dele, através das referências que nos deixou.

E o futuro igualmente. Mas enquanto que do passado existem vestígios materiais que provam o nosso conhecimento dele, o conhecimento do futuro é apenas psicológico, e como nada materialmente nos leva ao futuro, podemos considerar que ele não existe, porque tudo para existir precisa de um suporte material. Também não existe porque apesar de ter principio – agora — não tem fim, como o passado não tem principio e só tem fim. E este “agora”, fim do passado e princípio do futuro, nunca se pode definir, porque está constantemente a avançar no tempo. Entre este “agora” e este “agora” passaram alguns centésimos de segundo. Cada “agora” e único. E tudo precisa de um princípio e de um fim.

O passado e o futuro apenas existem como ideias, psicologicamente. Mas o futuro existe menos, ou mais abstractamente, porque não pode ser registado.

No entanto, o futuro sempre foi um grande mistério e motivo de curiosidade entre os humanos. Desde os tempos mais longínquos que o futuro foi sendo pretexto para grandes enredos lendários, e para grandes tentativas de o atingir, dominar, ou simplesmente prever.

Nós não temos qualquer possibilidade de influenciar o tempo. Limitamo-nos a existir, deixando o tempo passar. E ele passa sempre à mesma velocidade, mas nós sentimo-lo passar sempre a velocidades diferentes, conforme a nossa situação psicológica. Se estamos bem passa rapidamente e se estamos mal passa lentamente. E o passado passou e o futuro virá independentemente da nossa vontade. E não temos qualquer poder sobre ele.

O futuro será o resultado do presente em função do passado. Só analisando o passado e as suas tendências e só agindo no presente, podemos influenciar o futuro e até o prever nesse sentido concreto. Mas nunca garantidamente e nunca sem referências do passado. Podemos organizar uma viagem para alguns meses futuros para locais e em dias concretos, prever assistir a acontecimentos ou eventos programados, e tudo se realizará se nada falhar na organização. Mas uma pessoa que não nos conheça, nem aos nossos planos de viagem, nunca adivinhará que nós iremos viajar nessa data para esses locais e fins.

A futurologia tão difundida desde os tempos mais antigos com bruxos e feiticeiros, e com os actuais pares é pura ilusão. Ninguém consegue adivinhar seja o que for do futuro, excepto as previsões lógicas. Todas as previsões cujos factos são coincidentes assentam na casualidade e na influência psicológica que alguém pode causar noutrem levando-o a agir conforme os seus desejos e ansiedades.

A única forma de prever o futuro é programando-o com consciência, conforme as possibilidades, com factos e datas concretas, e ir vivendo de acordo com esse programa, que terá que ser constantemente actualizado devido à entrada permanente de novos dados. E mesmo assim, nunca saberemos o que nos pode acontecer no momento seguinte...

Porque o futuro está muito pouco nas nossas mãos.

 

 

 

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