Domingo, 14 de Setembro de 2008

Ilusão

 

ILUSÃO

 

 

É ilusão tudo aquilo que percepcionamos como real, mas que não o é. A vida contém múltiplas e variadas ilusões não só na sua componente humana, mas também animal e vegetal. Pode dizer-se que as ilusões são mesmo uma característica natural, embora o conhecimento das mesmas esteja limitado aos humanos. Todas as outras espécies, animais e vegetais, reagem naturalmente às ilusões, como os humanos, mas nunca poderão compreender que eram ilusões. As ilusões são assim uma prova da compreensão que os humanos têm da natureza, só possível pela sua excepcional consciência.

Uma ilusão é uma realidade falsa. No entanto, enquanto realidade, o efeito que uma ilusão provoca no ser iludido é exactamente o mesmo que provocaria uma realidade verdadeira, porque a ilusão só passa a existir quando a realidade que até então era considerada verdadeira passa a ser considerada falsa.

Tem assim um papel decisivo na descrição da ilusão, a nossa consciência, que possibilita o nosso entendimento da realidade no sentido de a considerar verdadeira ou falsa.

As ilusões podem-se dividir em dois tipos característicos: físicas e psicológicas. São físicas todas as ilusões que partem da natureza e são enviadas ao cérebro pelos nossos sentidos de uma forma deturpada. Os sentidos captam uma realidade análoga à que o cérebro regista, pois estão intrinsicamente unidos — a visão compreende todos os órgãos visuais e o cérebro — por exemplo, quando avistamos uma mancha de água numa auto-estrada num dia de calor, é isso mesmo que avistamos. É isso que os olhos vêm e o cérebro entende, se não tiver experiência do passado e conhecimento de que é o calor que produz tal efeito. Se uma pessoa não se deslocasse até próximo da mancha fazendo-a desaparecer, nunca saberia que é uma ilusão. Só a experiência e o conhecimento — consciente — definem a ilusão. Este tipo de ilusões acontece também nos animais, que podem ser percebidas conforme a experiência e a capacidade de percepção de cada animal, ou simplesmente manterem-se, por natureza. Os cães de Pavlov salivavam ao toque da campainha independentemente de lhes ser servida comida ou não, mas com várias experiências repetidas ganhavam novos hábitos. Muitos animais criam ilusões, por natureza ou instintivamente, com a finalidade de atraírem presas ou para acasalamento. Uma flor que abra só de dia devido à luz, manter-se-á aberta de noite com luz artificial. Esta luz é real para a flor, que apenas necessita dela para se manter aberta.

A ilusão só o é aquando do conhecimento de que essa não é a realidade. E se fisicamente tudo é mensurável porque tudo é exacto, e ainda assim existem ilusões porque é impossível conhecer conscientemente toda a realidade física, que dizer então das realidades psicológicas, que são originadas na cabeça de todos em geral, e na de cada um em particular.

Se alguém acredita numa coisa que não existe, vive numa ilusão, mas como acredita, essa coisa é real para essa pessoa. Só quando tomar consciência de que essa não é a realidade é que descobre ter vivido a ilusão.

As ilusões psicológicas formam-se juntamente com a formação da mentalidade. À medida que vamos tomando consciência do mundo que nos rodeia, através do registo de dados na nossa memória, vamos criando ideias, crenças, verdades e mentiras que caracterizarão a nossa personalidade. E essa será condicionada basicamente pela sociedade, pelas nossas capacidades neuropsicológicas e pelo nosso passado.

E as ilusões fazem sempre parte do passado porque só no futuro é que saberemos quanto iludidos estamos no presente. No entanto, a flor é mais bela aberta pela luz artificial, que eternamente fechada.

 

 

 

 

 

 


publicado por sl às 01:28
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