Terça-feira, 8 de Maio de 2007

Bem

BEM

 

 

Bem é tudo o que nos é benéfico. Tudo o que contribui para a nossa felicidade e para a realização da nossa vida.

Tudo o que desejamos, que necessitamos e que possuímos, se é do nosso agrado, é bem para nós.

O bem, ou um bem, pode existir das mais variadas formas, ou por outras palavras, podem existir vários tipos de bens. Os bens essenciais à vida são, sobretudo, de ordem natural. A luz do sol, o ar que respiramos, a água que bebemos, e todos os alimentos — ainda que transformados — são exemplos de bens naturais sem os quais a vida era impossível. Além dos bens essenciais à vida, existem outros tipos de bens naturais extremamente importantes para a vida humana, que ao longo dos tempos foram sendo cada vez mais explorados pelo homem, de forma a permitir que este se tornasse civilizado e poderoso perante os demais seres vivos. O homem civilizado é aquele cujo comportamento é lógico e ordenado, sem obedecer cegamente às leis da natureza.

Este comportamento civilizado requer uma nova quantidade de bens de diversas origens, mas com a característica comum de terem sido criados pelo próprio homem. São eles, os bens materiais artificiais — tudo o que facilita a vida moderna, como máquinas e equipamentos; os bens sociais — tudo o que possibilita a vida em sociedade, como a organização civilizada de um povo, a assistência social, o planeamento familiar, o apoio aos desfavorecidos, etc.; os bens culturais — tudo o que enriquece a sociedade em diversos planos, como o artístico (teatro, cinema, música...), desportivo (campeonatos e competições), recreativo (diversões e passatempos), religioso, político, educativo e etc.; os bens espirituais — tudo o que eleva o homem pela sua sensibilidade interior, como a criatividade, a dedicação e a satisfação, que são bens espirituais que existem inter-relacionados com os bens psicológicos — tudo o que caracteriza o homem como ser pensante (conhecimento, educação, justiça, liberdade, dignidade...) e como ser emocionável (paixão, amor, amizade, ansiedade, saudade...).

Esta classificação de bens não pode ser lida de uma forma taxativa, até porque todos compreendem uma enorme subjectividade. Repare-se que exceptuando os bens naturais essenciais à vida, todos os outros são produto da criatividade humana e obedecem a escalas de valores que diferem conforme o desenvolvimento e entre grupos, classes, etnias, civilizações e padrões culturais.

Um bem pode ter relativa e simultaneamente diversos valores. Pode ter extrema importância individualmente e nenhuma colectivamente. Pode ser de forte valor espiritual para uns e de forte valor material para outros. Pode ser real para uns e imaginário para outros — um bem que não possuímos não deixa de ser um bem. E pode ainda ser, alimentar, ambiental, supérfluo, de primeira necessidade... Pode existir eternamente ou num momento exacto. Pode ser claramente definido ou apenas abstractamente idealizado. Tudo depende da implicação que tem em quem o classifica, tendo em conta o contexto em que se situa.

O dinheiro começou por ser um bem para facilitar a troca de outros bens, apenas materiais, e aos poucos vai sendo usado na troca de quase todos os outros tipos de bens.

Alguns bens foram originados não pela vontade humana, mas pela necessidade que os humanos tinham em usufruir de uns segundos bens que implicavam a existência dos primeiros. Um medicamento não se toma por prazer, mas para conseguir saúde. Porque só com saúde se consegue trabalhar. Uma boa parte das pessoas trabalham não gostando do que fazem, mas porque só trabalhando alcançam outros bens.

O bem tanto pode ser o produto final como o meio que contribui para ele. Tudo depende de quem o classifica. O bem só é bem se quem o classifica assim o considera conforme as suas necessidades, conceptualizações e ideologias mentalizadas. Cada um é que sabe qual o valor que cada coisa tem para si, isto é, quanto o beneficia.

A existência do bem só é possível a par da existência do mal. Se uma coisa não é nula nesta escala de valores, ou nos beneficia ou nos prejudica. O bem de uns, muitas vezes, só e possível com o mal dos outros. O bem e o mal confundem-se porque são dois opostos que se complementam. Um bem anterior pode ser a origem de um mal posterior e vice-versa.

O bem e o mal são as duas faces de uma moeda em constante movimento. Só uma face nos torna felizes. Mas a vida compõe-se das duas.

 

 


publicado por sl às 16:25
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