Sábado, 15 de Setembro de 2007

Educação

EDUCAÇÃO

 

 

Toda a criança normal nasce numa sociedade com valores estruturados, que englobam todos os aspectos culturais dessa sociedade. A criança, além de herdar biologicamente os genes dos progenitores, herda também os valores da sociedade em que nasce, por natureza cultural. Inconscientemente, as expressões dos pais para os seus bebés são as primeiras formas de os moldar. Os gestos, a linguagem, todos os comportamentos, usos e costumes dos pais são aprendidos pela criança devido às suas capacidades naturais de ir imitando os outros nas primeiras fases do crescimento.

A família sempre foi o palco dos primeiros ensinamentos. Ensinamentos estes que aconteciam de uma forma pouco estruturada e mais pelo prazer dos pais em verem os filhos crescerem. No entanto esta instituição tem vindo a perder terreno no mundo civilizado e vai sendo substituída pelos berçários e infantários, que vão tomando a dianteira em alguns ensinamentos até então só transmitidos na escola primária — excluir-se-ão deste desenvolvimento educacional todas as crianças que ainda actualmente não frequentam qualquer plano de educação programado, engordando a taxa de analfabetismo.

É na escola primária que são dados os primeiros passos na educação com regras e com civismo. Na escola primária ensina-se às crianças o que elas são capazes de aprender, e o que se pensa ser fundamental para servir de base ao crescimento civilizacional, cultural e social. São os sistemas educativos, compostos pelos regimes governamentais em primeiro lugar, e seguidamente pelos professores, educadores, encarregados de educação e pais, que determinam o que deve e o que não deve ser ensinado às crianças.

Até aqui, e muitas vezes mais ainda, as crianças não têm qualquer capacidade de decisão ou escolha na sua conduta educacional. Limitam-se a aprender o que os educadores ensinam, estando os educadores conscientes do que estão a ensinar e os educandos pouco conscientes do que estão a aprender.

Só entre a adolescência e a juventude é que se começa a criar um sentido vocacional mais formal que permite fazer as primeiras opções livres para o futuro, embora possam ainda ser muito apoiadas nos conselhos dos mais velhos. E, ainda que livres e conscientes todas estas opções são fortemente influenciadas por toda a aprendizagem inconsciente do passado.

Assim se conclui que todos os indivíduos são, culturalmente, fruto de um crescimento inconsciente determinado pela sociedade em que nasceram.

Se tivermos em conta que no passado poucos eram os que frequentavam o ensino oficial, sendo toda a base educacional fundamentada no saber de experiência feito e nos interesses e convicções dos mais velhos, e que os regimes educacionais fechados e de condutas de rigor extremo eram os únicos com planos curriculares, facilmente concluímos que a educação impunha limites, não só de acções, mas também de ideias, que produzia homens com pouca consciência da sua realidade.

A educação para a liberdade, para o conhecimento e para o crescimento intelectual, como realidade disponível para todos, é uma realidade recente, que só foi e é possível com o derrubar de barreiras fortemente edificadas pelas tradições, culturas, religiões, ideologias, e todos os demais arquétipos do passado.

A educação é muito importante tanto para o crescimento de uma pessoa como para o crescimento de uma sociedade ou civilização. Porque, se uma criança não for educada, ela vai crescer imitando os mais velhos que a rodeiam, em tudo o que eles têm de bom e de mau, e quando for adulta vai ser como eles — não há evolução — mas ainda que seja mais inteligente e separe o bem do mal, se não transmitir essa mensagem, a pouca contribuição para a evolução comum que poderia dar, será muito menor porque só acontecerá se os outros a imitarem, o que acontecerá casualmente, sem qualquer consciência, e esse crescimento facilmente se perderá.

Porque as mentalidades e as consciências só mudam através de gerações, em que os mais velhos vão educando os mais novos no sentido de evitar o que é errado e valorizar o que é correcto, dando preferência à educação que incentive a consciencialização o mais precocemente possível, para que cada indivíduo se possa responsabilizar dos seus actos e sofrer as suas consequências, de uma forma consistente e assumida, com compreensão e respeito pelos limites da vida, quer impostos pela natureza, quer impostos pela sociedade.

Só pela educação se podem criar sociedades em que cada pessoa viva com consciência, com carácter, com liberdade e com responsabilidade, em compreensão e em harmonia com todas as outras, e em que o respeito mútuo dos mais velhos seja a base da educação para os mais novos, para que estes possam criar uma sociedade ainda mais moderna, mais evoluída, mais inteligente, mais livre, e mais responsável.

E assim sucessivamente.

 


publicado por sl às 15:22
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