Sábado, 22 de Dezembro de 2007

Fantasia

FANTASIA

 

 

Fantasia é a representação agradável da realidade e da imaginação.

Existe a realidade que é tudo o que existe. Existe a imaginação que é tudo o que imaginamos, mas que não existe. Existe a ilusão que é tudo o que não existe, mas que parece que existe. E existe a fantasia que é tudo o que existe representado.

E como é representado por nós humanos, é normalmente agradável. Agradável não só no sentido do belo, mas também no sentido do curioso. É tanto fantasia a beleza no “Nascimento de Vénus” de Botticelli, como a curiosidade na “Tentação de Santo Antão” de M. Bosch, ou “O Triunfo da Morte” de Bruegel. A fantasia é agradável porque permite o esquecimento do sofrimento natural da vida, ao sermos transportados para um mundo irreal, em que existe o entretenimento ou o aperfeiçoamento espiritual.

É fantasia tudo o que o homem cria para seu bel-prazer — toda a criação artística. A arte é algo representado que nasceu no espírito criador do artista, elevando-o na forma de se expressar aos outros e ao mundo, e é também algo que os outros sentirão como uma chamada ao seu próprio espírito, na contemplação da obra criada. A fantasia é toda a representação artística da realidade ou da imaginação. A transposição de uma paisagem para a tela é uma fantasia proveniente da realidade. Uma pintura abstracionista é usa fantasia proveniente da imaginação. Uma pintura surrealista é uma fantasia mesclada de realidade e imaginação.

A fantasia confunde-se muitas vezes com e realidade, nomeadamente através da literatura, onde existem muitas obras antigas cujas referências se perderam, desvalorizaram ou transformaram, mas sendo o seu conteúdo de tal forma influente que muitos se orientam por essas fantasias do passado para criarem autênticas realidades no presente. Por outro lado, toda a fantasia está envolta num clima misterioso e místico. Muitas vezes não se sabe como determinada obra nasceu, nem mesmo o seu criador, e esse mistério atrai também, pois coloca a arte algures entre o mundo material e o mundo espiritual, fazendo a ponte de ligação.

Apesar da fantasia ser algo que não existe realmente — o que existe é a sua representação — a influência que ela tem nas pessoas é muito significativa, pois proporciona a criado de novas realidades. O cinema e os filmes, os livros e as letras, o teatro e os actores, são tudo realidades — coisas que existem como suportes da fantasia — mas as histórias e os enredos que se representam nessas formas de expressão não existem realmente — são a pura fantasia — no entanto, as ideias e as mensagens que se passam através dessas representações são reais, e podem criar efeitos reais, tanto em quem as recebe, como em quem as emite devido ao retorno, como em todas as formas de emissão e recepção de mensagens.

A grande diferença é que a fantasia, devido à sua subtileza, permite um alargamento no campo da liberdade de criação e de expressão, que não seria possível nem permitido na sociedade humana, limitada e preconceituosa.

A fantasia tem também um papel determinante no desenvolvimento infantil. As crianças não são capazes de perceber a realidade, pois esta é demasiado complexa — até para os adultos — sendo a fantasia uma espécie de suavizador que permite que pelo menos parte da realidade seja compreendida.

Quase todas as histórias, contos e lendas infantis são mentira, mas as crianças percepcionam-nas como realidade. Para elas, todas essas histórias são verdade. E são verdade por dois motivos: por um lado são facilmente compreensíveis — são histórias simples que não exigem esforço mental porque não exigem recurso à realidade concreta; por outro lado têm sempre um fundo de verdade — transmitem um conjunto de informações que apelam à realidade — um tempo; um espaço; pessoas; animais — e por isso são facilmente aceitáveis por elas.

Mas o papel principal da fantasia nas crianças é que transmite sempre uma mensagem, uma lógica, que apesar de inserida num contexto irreal será determinante para a compreensão posterior da realidade.

O problema surge quando a criança já não é criança e continua a não distinguir a fantasia da realidade: vive no sonho, vive feliz — mas se acordar!...

 

 

 

 

 


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Domingo, 18 de Novembro de 2007

Evolução

 

EVOLUÇÃO

 

 

Falar de evolução no sentido abstracto do termo significa falar de evolução humana. O Homem é um ser em constante evolução. Desde que se conhece e até onde se conhece — caminhando em direcção ao passado — sempre existiu evoluindo, no sentido em que ele próprio se considera evoluir.

Apesar de alguns indícios indicarem a existência de civilizações evoluídas no passado, no conhecimento científico actual, esses indícios não são considerados verdadeiros, perdendo-se assim o conhecimento do passado nos meandros do esquecimento, embora direccionado para a involução até à própria natureza, cada vez mais no sentido bruto.

Segundo as teorias mais consensuais do mundo científico, tudo existe na natureza, representado por átomos e em duas formas: matéria e energia. Como ambas se transformam uma na outra, então uma e a outra são a mesma.

Os átomos — e tudo o que os compreende — todos juntos formam tudo o que existe, desde a maior inactividade à maior actividade. Uma rocha é uma composição de matéria permanentemente inactiva, e um coração é uma composição de matéria permanentemente activa — sob o ponto de vista humano.

Assim, dentro dos limites do conhecimento — humano — porque não conhecemos a verdadeira origem do universo nem a sua evolução, se é que existem, pois todas as afirmações a isto referentes são teorias não comprovadas, ainda que lógicas — toda a evolução segue no sentido da maior simplicidade, na composição atómica, para a maior complexidade, dessa composição.

Se colocarmos num recipiente areia, água e azeite e agitarmos tudo, obteremos uma mistura homogénea. Se deixarmos de agitar, os três elementos separam-se. Também se imagina que no início dos tempos toda a composição da vida se encontrava igualmente misturada numa massa homogénea, que, com o passar dos tempos e com a estabilidade cósmica, cada vez mais os elementos foram-se diferenciando do todo, agrupando por partes, e reunindo essas partes em doses complexas que originaram a vida.

No sentido inverso, e imaginando para melhor compreensão, se reuníssemos um elefante, uma árvore, um automóvel, e uma viga de betão armado, e ralássemos tudo o mais possível, obteríamos uma pasta com peso, densidade, humidade, pressão, temperatura, cor e outras características específicas. Ninguém conseguiria localizar e extrair dessa pasta o sangue ou a pele do elefante, a madeira ou o fruto da árvore, a gasolina ou o vidro do automóvel, e o cimento ou o ferro da viga, mas tudo estava lá.

A separação das partículas elementares da matéria e a sua reorganização, são o resultado de muitos milhões de anos de estabilidade e de reunião de condições de evolução, começando por serem criadas as matérias inorgânicas e depois as matérias orgânicas que deram origem à vida. Os minerais, vegetais, animais e por fim os humanos, são todos provenientes dessa massa inicial, e existem desde as formas mais simples às mais complexas.

A evolução é a criação de coisas novas com base nas anteriores. Tudo existe na natureza desde o princípio ou desde sempre e é apenas transformado para maior complexização,

A evolução da vida na natureza, vegetal e animal, precede a evolução humana, mas ambas seguem os mesmos trajectos, até porque a evolução humana também é natural. Os seres vivos evoluem conforme a teoria da evolução natural das espécies, em que o ser mais forte vence sempre, tornando-se o gerador de descendência.

O homem é o ser vivo mais evoluído porque possuí o sistema mais complexo de organização celular. Todos os seres vivos são organizações de células. As células são a mais elementar matéria viva. São diversificadas conforme a sua estrutura molecular formada pela composição atómica. Os átomos — matéria ou energia — que formam as moléculas que formam o sistema nervoso do corpo humano, são a mais evoluída estrutura de matéria viva natural. Por isso criaram o pós-material: o espiritual.

O espiritual nasceu com a linguagem e a consciência, e toda a evolução artificial nasceu também daí. A evolução humana é originada na sua inteligência. Com ela, o homem domesticou animais, cultivou plantas, criou sociedades civilizadas, dominou muitos obstáculos naturais, e começou a conhecer-se a si próprio e ao lugar que ocupa na natureza. Cada nova geração é mais evoluída que a anterior porque acumula os ensinamentos precedentes com a experiência própria.

A evolução artística, económica, social, tecnológica e científica, é idêntica à evolução natural. A opinião do mais forte é a que prevalece. Mas o mais forte pode não ser o mais inteligente, e por isso toda a criação humana é de uma artificialidade de segurança relativa. A evolução humana não é totalmente consciente. Evoluímos na direcção que a natureza nos permite e que queremos, mas não sabemos porque queremos, porque ninguém controla nem explica a evolução.

E se a natureza é de uma diversificação imensa, que criou infinitas formas de vida, não sabemos se a sua própria evolução e principalmente se a nossa evolução humana, é a única forma de evolução ou se é uma de muitas variantes possíveis, porque tudo o que nós – humanos — sabemos, aprendemos pelos nossos próprios meios — ninguém mais inteligente nos ensinou nada — e podemos estar totalmente errados.

Enquanto não acontecer nenhuma catástrofe a nível planetário, e a estabilidade natural e a vida se mantiverem, continuaremos a evoluir, e poderemos um dia saber porquê — ou não.

 

 


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Sábado, 6 de Outubro de 2007

Equilíbrio

EQUILÍBRIO

 

 

O equilíbrio é uma das principais bases da vida. Tudo na vida necessita de equilíbrio. O equilíbrio representa também a harmonia e a justiça. Repare-se na balança como símbolo da justiça. Tudo está bem quando está equilibrado e tudo está mal quando há desequilíbrio.

A existência de equilíbrio — ou desequilíbrio — implica a existência de, pelo menos, duas forças opostas. Não podemos falar de equilíbrio de um só elemento simples. Poderíamos sim, falar de forças opostas que compõem um elemento para lhe darem equilíbrio.

A vida, em todas as vertentes de que é composta e mais que pudéssemos imaginar, desde a parte mais divisível do átomo até ao imensurável universo, ou artificialmente, desde a natureza à maior criação do homem, seja ela tecnológica, artística, ideológica, religiosa, ou etc; tem sempre uma coisa e o seu oposto. E cada coisa é o complemento do seu oposto. O bem é o oposto do mal, mas um só existe porque existe o outro. A existência de uma coisa implica a existência do seu oposto. A própria existência só é considerada tendo em conta a inexistência, que é o seu oposto. O oposto de qualquer coisa é o complemento dessa coisa, e juntos formam um ciclo que vai desde os extremos à união, ou equilíbrio.

Mas o equilíbrio existe na vida não só numa coisa e no seu oposto — apenas duas forças, como base explicativa simplificada — mas essencialmente numa enorme complexidade de forças opostas e complementares. O equilíbrio existe também tendo em conta a relatividade das forças. Os opostos são os extremos que se tentam impor, mas a unidade deles é o equilíbrio que o não permite, assim, existe também equilíbrio entre o equilíbrio e a falta dele.

Vamos considerar como exemplo explicativo, a temperatura: a temperatura é composta de duas forças opostas que se complementam —  o calor e a falta dele, ou o frio e a falta dele, ou apenas o calor e o frio. Uma força implica a existência da outra. São forças opostas — onde está calor não pode estar frio e onde está frio não pode estar calor — que nos extremos são inconvenientes — muito calor ou só calor e muito frio ou só frio são inconcebíveis — e que se complementam — a mistura de calor com frio cria a temperatura ideal, agradável, necessária ou aconselhável.

Mas o equilíbrio da temperatura só é avaliado por estas duas forças se quisermos falar só e abstractamente de temperatura. Pois a complexidade do equilíbrio aumenta quando aumentam as condicionantes. Por exemplo, a temperatura — calor e frio — sempre existiu, anteriormente ao homem, foi o homem que lhe atribuiu a medida, e só o pode fazer criando outra forma de equilíbrio/oposição com a água: com zero graus, a água solidifica e aos cem graus evapora. O equilíbrio entre a temperatura e qualquer coisa só se pode considerar tendo em conta a relação entre a temperatura e essa coisa, existindo sempre um balanceamento entre as duas partes. O equilíbrio entre a temperatura e o ambiente é cerca de 18 graus centígrados; entre a temperatura e o corpo humano é cerca de 37 graus. Aqui apenas temos duas condicionantes ou duas forças ou duas variáveis, mas se considerarmos o fogo, por exemplo, já é necessária uma terceira força que vai condicionar o equilíbrio: calor (temperatura), oxigénio e combustível. Se o combustível for gasóleo e existindo oxigénio, só se alcança o fogo a uma temperatura de 70 graus; com petróleo alcança-se apenas com 38 graus; com álcool etílico bastam 13 graus; e com gasolina, mesmo a 40 graus negativos conseguimos o fogo. Diferentes combustíveis exigem diferentes temperaturas para com o mesmo oxigénio conseguirmos o mesmo efeito, o fogo.

O equilíbrio existe sempre na relação dos opostos. Os opostos são as partes que compõem a unidade, num mínimo de duas e sem limite máximo — o planeta Terra é uma unidade composta por infinitas partes em equilíbrio umas com as outras.

A água é um elemento natural, quimicamente composto, e só existe devido ao equilíbrio entre as partes que a compõem — duas partes de hidrogénio para uma de oxigénio. Se tivermos hidrogénio e oxigénio sem estarem combinados na medida certa para formarem a água, nunca obteremos água. Por seu lado, o hidrogénio e o oxigénio são elementos químicos simples, mas que precisam ter equilíbrio na sua própria estrutura atómica. Uma molécula de oxigénio é composta por dois átomos — se este se condensar e a molécula passar a ter três átomos de oxigénio, passa a ser ozono. Desde o elemento mais simples da natureza, à fórmula mais complicada, tudo tem que estar em equilíbrio consigo próprio e com tudo o que o rodeia.

Este princípio, apesar dos exemplos citados serem apenas físicos e químicos, aplica-se também ao homem em todo o seu ser.

Fisicamente, a anorexia e a bulimia são extremos doentios que causam outras doenças por desequilíbrios alimentares. A falta ou excesso de sono, de trabalho e de estudo, são exemplos de desequilíbrios que o corpo sente e alerta quando se atingem os limites. Alerta pela doença, e a pessoa é obrigada a parar. Se não parar, o equilíbrio pode tornar-se demasiado e a pessoa morre. A lei natural do equilíbrio é peremptória.

Psicologicamente, pela falta de ideais, de projectos, de actividade criativa e recreativa, ou pelo excesso de responsabilidade, de desgostos, e por toda a espécie de distúrbios psicológicos e emocionais.

Socialmente, também os desequilíbrios causam mal-estar pela pobreza, desemprego, falta de habitação, e outras necessidades elementares, ou pelo excesso de trânsito, poluição, alcoolismo e droga.

Politicamente, tem que haver equilíbrio entre os governantes e os governados, entre o poder e a oposição, entre os vários estados e entre os vários regimes. E também a história é vasta em exemplos de batalhas sangrentas devido a desequilíbrios políticos.

E, economicamente, existem os equilíbrios dos mercados, a relação de compra e venda, o valor do dinheiro e dos produtos pelo qual são trocados, a relação ganho-perda, as mais e as menos-valias, os empréstimos, os créditos, as taxas de juro, os câmbios, os índices bolsistas, as remunerações, a inflação, o poder de compra, os impostos, tudo se relaciona dentro do mais possível equilíbrio para evitar falências e enriquecimentos desmedidos.

O equilíbrio é o ideal para a vida humana e da natureza, no entanto existe em correlação com outras realidades também humanas e também naturais. Entre elas a ambição e o desejo do poder por parte do homem e a lei do mais forte por parte da natureza. Estas realidades, sempre presentes naturalmente na vida conhecida, são por um lado causa de fortes desequilíbrios, gerando as maiores guerras — sociais, políticas, económicas, militares e mesmo religiosas, raciais ou tribais — das quais nascem os maiores desequilíbrios globais, principalmente entre ricos e pobres, civilizados e terceiro-mundistas. Mas por outro lado são também motivo de crescimento civilizacional, tecnológico, científico e cultural.

Pode-se concluir que também neste aspecto há equilíbrio, tendo presente que a necessidade de construção e uso de poderosas armas foi causa de grandes descobertas médico-científicas.

Os ricos e os pobres são as duas faces da mesma moeda. Como o são o bem e o mal, o amor e o ódio, o alto e o baixo, o dentro e o fora, o forte e o frágil, o masculino e o feminino, o direito e o esquerdo, o certo e o errado, o simples e o complexo, o prazer e a dor, a realidade e a imaginação, a verdade e a mentira, o tudo e o nada, o principio e o fim, o equilíbrio e o desequilíbrio — tudo existe em relação a outra coisa e numa relação de forças. O equilíbrio entre as duas partes, ou todas as partes, será o ideal.

Sempre que algo está mal, essa anomalia deve-se a um desequilíbrio entre duas forças, que podem ser desmultiplicadas devido às possíveis diversas variáveis. Deve-se identificar qual o elemento que provoca o desequilíbrio, e o erro corrige-se aumentando a força do elemento oposto. Mas apenas podemos fazer correcções nas pequenas coisas pessoais. Ao nível global será sempre a lei da maioria, da qual nós podemos fazer parte.

E a lei do mais forte é relativa. Um homem só nada vale contra um milhão de outros homens, mas se possui uma bomba atómica!...

 


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Sábado, 25 de Agosto de 2007

Dor

DOR

 

 

Um corpo vivo é um corpo que depende do meio em que se encontra, e que condiciona esse próprio meio, interagindo. Está sujeito às condições ambientais — geológicas, geográficas, climáticas, etc. — do seu habitat, e tem necessidades elementares de sobrevivência.

Todos os factores que condicionam essas exigências podem partir do interior para o exterior, e vice-versa, mas necessitam sempre de um equilíbrio determinado. Esse equilíbrio existe sempre com margens de segurança, e entre um mínimo e um máximo. Quando o corpo permanece dentro desses limites, encontra-se em harmonia com a sua natureza, e é saudável. Quando atinge ou ultrapassa esses limites, podem acontecer duas coisas: ou sente dor, ou sente prazer.

A dor e o prazer opõem-se e complementam-se. Existe permanentemente uma luta entre a dor e o prazer para se instalarem num corpo vivo. A cada momento, ou se sente dor ou se sente prazer, com maior ou menor intensidade. O equilíbrio entre os dois forma a saúde. O excesso de dor e o excesso de prazer, quando não recuperado o equilíbrio, provocam a doença. A dor porque é um aviso de que algo está mal, e o prazer porque é um aviso que algo esta bem demais, e que se não for reduzido transforma-se em dor.

Qualquer corpo após um esforço exagerado necessita de repouso como após uma imobilização necessita de exercício. Se o equilíbrio não for retomado, agrava-se a doença e o corpo morre.

Uma doença é falta de equilíbrio natural, biológico e orgânico, que pode ser de origem física ou psicológica. Todo o corpo doente tem falta ou excesso de alguma coisa para manter a sua estabilidade natural.

A dor é desagradável, mas necessária para manter a vida. É o nosso alarme quando vamos longe demais. Sem dor, rapidamente ultrapassaríamos os limites e morreríamos.

A dor gera o sofrimento e sofrer é a pior coisa da vida. Mas a vida é feita de coisas boas e coisas más em igual quantidade, e em equilíbrio.

Para evitar o sofrimento apenas podemos tentar conhecer os nossos limites para conscientemente não os ultrapassarmos, embora isso nada possa garantir, porque a nossa vida existe em relação à natureza terrestre, que é bem mais forte que nós, e da qual dependemos. Pois vivemos ao sabor dela, com mais ou menos saúde, mais ou menos doença, mais ou menos sofrimento, mais ou menos prazer e mais ou menos dor.

 

 

 

 


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Sábado, 17 de Fevereiro de 2007

Abertura

ABERTURA

Olá! Seja bem-vindo prezado leitor! Este é o texto de abertura de uma grande aventura pelo mundo das ideias. Se esse é um mundo pelo qual sente uma especial paixão, não hesite em continuar. Se não é, mas está receptivo a uma nova experiência, continue também.

O início deste parágrafo, que o amigo leitor está neste momento a ler, aqui, e agora, não faria sentido se não tivesse existido o parágrafo anterior que o leitor já leu, e mesmo agora não fará ainda muito sentido, mas fará sentido certamente quando o leitor perceber que só foi escrito assim para facilitar a compreensão do que se pretende com este texto de abertura, e que continuará no parágrafo seguinte.

Nenhum acontecimento, seja ele de que natureza for, existe num vácuo, independente de tudo, mas, pelo contrário, todo e qualquer acontecimento existe relacionado com outros, que o precedem, que o acompanham e que lhe sucedem. E todos os acontecimentos são eles próprios, com as características que os definem em particular, juntamente com as características que os definem nas suas relações e interacções com outros. O acontecimento em si pode ser definido tendo em conta apenas as suas características particulares, mas pode também ser definido tendo em conta apenas as suas interacções.

O objectivo que se pretende com este texto de abertura é que seja feita uma ponte entre o leitor e a leitura deste livro.

Tal como uma viagem é precedida dos planos e do fazer das malas, também a leitura das páginas deste livro deve ser precedida pela leitura deste texto de abertura, que visa informar o leitor para o que vai encontrar ao longo do mesmo. Aqui o leitor poderia questionar porque razão não é simplesmente apresentada uma nota introdutória, um prefácio, ou até um resumo de contra-capa?! E a resposta é simples: deseja-se evitar que seja iniciada a leitura sem um esclarecimento claro do que se pretende com livro, tendo em conta a possibilidade de determinados conteúdos poderem ferir sensibilidades quando não bem contextualizados. Desta forma, este texto de abertura, é simultaneamente uma introdução ao livro e parte integrante do mesmo.

Se o leitor é daquelas pessoas que vivem a aventura pela aventura, e que está disposto a partir sem planear a viagem, poderá deixar este texto no final deste parágrafo e passar às páginas seguintes. Isto se não iniciou a leitura por outros textos. E se iniciou e acabou por passar por aqui, honras lhe são devidas por, no mínimo, não ter abandonado o livro. Mas recorde-se que a aventura tanto pode trazer surpresas agradáveis como desagradáveis, e, para evitar as desagradáveis, mais vale ser cauteloso.

Este livro é composto por um conjunto de textos independentes, uns mais e outros menos extensos, ordenados por ordem alfabética, e que apesar de não possuírem uma relação directa entre eles, possuem no seu todo, uma ideia central, que é a ideia de verdade, analisada sob diversos aspectos, e, claro, sob o ponto e vista do autor.

A compreensão de si próprio é o maior enigma do ser humano, e a busca da verdade é uma busca permanente, que se vai fazendo e refazendo durante o percurso de um caminho interminável, que o guia em direcção a uma luz, que ora o ilumina ora o cega, mas é dela que depende a sua felicidade.

No entanto, cada indivíduo escolhe o seu caminho, e se por um lado essa escolha nem sempre é totalmente livre e consciente, por outro, escolhe muitas vezes caminhos que apontam para a felicidade, mas para uma felicidade aparente, porque a luz que os ilumina é a luz de uma verdade falsa, que a qualquer momento se apaga, fazendo o indivíduo mergulhar na escuridão.

Cada pequeno texto deste livro pretende contribuir para a distinção entre o que é a verdade num sentido geral, real e natural — aquela força que por muito que se tente dominar, acaba sempre por vencer — e o que é a verdade aparente, mais localizada e mais directamente relacionada com o indivíduo, e que, apesar de não ser real e natural, ganha raízes de tal forma estruturadas, que acaba por se confundir e até fundir com a primeira.

Cada texto é, assim, um desafio ao pensamento, que tanto descreve a coisa mais consensual e explícita, que de tão assumida como verdade, parece não fazer sentido falar nela, como inversamente descreve a coisa mais ilógica e inconcebível, que de tão assumida como absurda, parece igualmente não fazer sentido falar nela. O leitor encontrará conceitos, frases, ou ideias, com os quais concordará plenamente, como encontrará outros com os quais discordará profundamente. A prova de inteligência passará por compreender as ideias expostas, compará-las com as ideias assumidas, e retirar as suas próprias conclusões. É uma tarefa que exige esforço mental, mas é a mentalidade que eleva o homem, e às vezes é importante que se pare para pensar.

Este livro, assumidamente, não é um livro científico. Seria incomportável englobar em termos científicos tudo o que este livro engloba, isto para além de, aqui como na vida, a cientificidade das coisas não ser a única existência real, e por vezes nem ser a mais importante. No entanto, pretendeu-se fazer uma abordagem aos diversos aspectos da verdade, fundamentada o mais cientificamente possível. Os resultados são os que se apresentam, e os desafios que se propõem consistem em cada leitor provar a si próprio, de uma forma coerente e racional, o contrário das afirmações que aqui são proferidas, se com elas está em desacordo.

A verdade é o que é para todos, e para cada um, e apesar de ser importante encontrar uma definição consensual, real e universal da verdade, muito mais importante é que cada um respeite a verdade dos outros, ainda que seja conceptualizada em total oposição.

Este livro não tem qualquer pretensão política, religiosa ou ideológica, embora dadas as suas características, poderá favorecer determinadas orientações e desfavorecer outras. A pesquisa de um conceito tão abrangente, como é o conceito de verdade, não se pode abstrair de áreas tão determinantes para a formação do ser humano, pois também elas contribuem para a formação de tal conceito.

Uma vez lido o texto de abertura, e só com esta leitura ficará completa a leitura do livro, resta fazer uma breve apresentação das páginas que se seguem.

No desenrolar deste livro o leitor encontrará aproximadamente uma centena de pequenos textos, cada um abordando um tema específico. Apesar de no seu todo confluírem para uma ideia central, que é a ideia de naturalismo, cada tema ficará completo em si, isto é, a leitura de um tema não exige a leitura de outro que lhe esteja semanticamente relacionado, embora possa existir complementaridade entre eles. Desta característica resultam duas consequências a registar: por um lado, para a leitura deste livro não é exigida qualquer ordem — o leitor tanto pode iniciar no primeiro tema e acabar no último como fazer o inverso, ou pode fazer a sua ordem pessoal conforme o grau de importância que atribuir a cada tema — a leitura ficará sempre completa, uma vez que não há qualquer relação directa entre os temas; por outro lado, o leitor poderá deparar-se com duas situações opostas — ou encontrará frases e ideias repetidas ou encontrará frases e ideias que se contradizem — as repetições salientam o mesmo fundo de verdade apesar das diferentes abordagens, e as contradições salientam as diferentes abordagens apesar do mesmo fundo de verdade — em qualquer das situações, mas essencialmente quando surgem contradições, é fundamental ter em conta a contextualização.

De qualquer modo, este livro é escrito em forma de dicionário, e como em qualquer dicionário, se o significado de andar é caminhar, também o significado de caminhar é andar, ou seja, a mesma coisa é dita em duas direcções opostas, e no caso deste livro não se tratará de significados simples, mas de ideias complexas. E há coisas que podem ser ditas de muitas formas, como há coisas que só se compreendem compreendendo o seu oposto ou antítese.

Este livro é dedicado ao público em geral. Não pretende diferenciar qualquer tipo de população ou elites. Pretendeu-se que a linguagem usada fosse uma linguagem acessível ao maior número de pessoas, dispensando-se sempre que possível, o recurso a nomenclatura especifica de descrições técnicas. No entanto, devido à complexidade categorial de alguns temas, existirão ideias cuja compreensão exigirá alguma mobilidade mental e intelectual.

A inteligência é um recurso naturalmente acessível a todos. Caberá a cada um retirar dela o maior proveito, e a todos contribuir para a purificação dos valores humanos, como a verdade. Esta é a contribuição do autor; é a verdade do autor; e é o desejo do autor: que seja dado um pequeno passo na edificação do caminho da verdade.

Boa leitura.


publicado por sl às 03:15
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