Sábado, 6 de Outubro de 2007

Equilíbrio

EQUILÍBRIO

 

 

O equilíbrio é uma das principais bases da vida. Tudo na vida necessita de equilíbrio. O equilíbrio representa também a harmonia e a justiça. Repare-se na balança como símbolo da justiça. Tudo está bem quando está equilibrado e tudo está mal quando há desequilíbrio.

A existência de equilíbrio — ou desequilíbrio — implica a existência de, pelo menos, duas forças opostas. Não podemos falar de equilíbrio de um só elemento simples. Poderíamos sim, falar de forças opostas que compõem um elemento para lhe darem equilíbrio.

A vida, em todas as vertentes de que é composta e mais que pudéssemos imaginar, desde a parte mais divisível do átomo até ao imensurável universo, ou artificialmente, desde a natureza à maior criação do homem, seja ela tecnológica, artística, ideológica, religiosa, ou etc; tem sempre uma coisa e o seu oposto. E cada coisa é o complemento do seu oposto. O bem é o oposto do mal, mas um só existe porque existe o outro. A existência de uma coisa implica a existência do seu oposto. A própria existência só é considerada tendo em conta a inexistência, que é o seu oposto. O oposto de qualquer coisa é o complemento dessa coisa, e juntos formam um ciclo que vai desde os extremos à união, ou equilíbrio.

Mas o equilíbrio existe na vida não só numa coisa e no seu oposto — apenas duas forças, como base explicativa simplificada — mas essencialmente numa enorme complexidade de forças opostas e complementares. O equilíbrio existe também tendo em conta a relatividade das forças. Os opostos são os extremos que se tentam impor, mas a unidade deles é o equilíbrio que o não permite, assim, existe também equilíbrio entre o equilíbrio e a falta dele.

Vamos considerar como exemplo explicativo, a temperatura: a temperatura é composta de duas forças opostas que se complementam —  o calor e a falta dele, ou o frio e a falta dele, ou apenas o calor e o frio. Uma força implica a existência da outra. São forças opostas — onde está calor não pode estar frio e onde está frio não pode estar calor — que nos extremos são inconvenientes — muito calor ou só calor e muito frio ou só frio são inconcebíveis — e que se complementam — a mistura de calor com frio cria a temperatura ideal, agradável, necessária ou aconselhável.

Mas o equilíbrio da temperatura só é avaliado por estas duas forças se quisermos falar só e abstractamente de temperatura. Pois a complexidade do equilíbrio aumenta quando aumentam as condicionantes. Por exemplo, a temperatura — calor e frio — sempre existiu, anteriormente ao homem, foi o homem que lhe atribuiu a medida, e só o pode fazer criando outra forma de equilíbrio/oposição com a água: com zero graus, a água solidifica e aos cem graus evapora. O equilíbrio entre a temperatura e qualquer coisa só se pode considerar tendo em conta a relação entre a temperatura e essa coisa, existindo sempre um balanceamento entre as duas partes. O equilíbrio entre a temperatura e o ambiente é cerca de 18 graus centígrados; entre a temperatura e o corpo humano é cerca de 37 graus. Aqui apenas temos duas condicionantes ou duas forças ou duas variáveis, mas se considerarmos o fogo, por exemplo, já é necessária uma terceira força que vai condicionar o equilíbrio: calor (temperatura), oxigénio e combustível. Se o combustível for gasóleo e existindo oxigénio, só se alcança o fogo a uma temperatura de 70 graus; com petróleo alcança-se apenas com 38 graus; com álcool etílico bastam 13 graus; e com gasolina, mesmo a 40 graus negativos conseguimos o fogo. Diferentes combustíveis exigem diferentes temperaturas para com o mesmo oxigénio conseguirmos o mesmo efeito, o fogo.

O equilíbrio existe sempre na relação dos opostos. Os opostos são as partes que compõem a unidade, num mínimo de duas e sem limite máximo — o planeta Terra é uma unidade composta por infinitas partes em equilíbrio umas com as outras.

A água é um elemento natural, quimicamente composto, e só existe devido ao equilíbrio entre as partes que a compõem — duas partes de hidrogénio para uma de oxigénio. Se tivermos hidrogénio e oxigénio sem estarem combinados na medida certa para formarem a água, nunca obteremos água. Por seu lado, o hidrogénio e o oxigénio são elementos químicos simples, mas que precisam ter equilíbrio na sua própria estrutura atómica. Uma molécula de oxigénio é composta por dois átomos — se este se condensar e a molécula passar a ter três átomos de oxigénio, passa a ser ozono. Desde o elemento mais simples da natureza, à fórmula mais complicada, tudo tem que estar em equilíbrio consigo próprio e com tudo o que o rodeia.

Este princípio, apesar dos exemplos citados serem apenas físicos e químicos, aplica-se também ao homem em todo o seu ser.

Fisicamente, a anorexia e a bulimia são extremos doentios que causam outras doenças por desequilíbrios alimentares. A falta ou excesso de sono, de trabalho e de estudo, são exemplos de desequilíbrios que o corpo sente e alerta quando se atingem os limites. Alerta pela doença, e a pessoa é obrigada a parar. Se não parar, o equilíbrio pode tornar-se demasiado e a pessoa morre. A lei natural do equilíbrio é peremptória.

Psicologicamente, pela falta de ideais, de projectos, de actividade criativa e recreativa, ou pelo excesso de responsabilidade, de desgostos, e por toda a espécie de distúrbios psicológicos e emocionais.

Socialmente, também os desequilíbrios causam mal-estar pela pobreza, desemprego, falta de habitação, e outras necessidades elementares, ou pelo excesso de trânsito, poluição, alcoolismo e droga.

Politicamente, tem que haver equilíbrio entre os governantes e os governados, entre o poder e a oposição, entre os vários estados e entre os vários regimes. E também a história é vasta em exemplos de batalhas sangrentas devido a desequilíbrios políticos.

E, economicamente, existem os equilíbrios dos mercados, a relação de compra e venda, o valor do dinheiro e dos produtos pelo qual são trocados, a relação ganho-perda, as mais e as menos-valias, os empréstimos, os créditos, as taxas de juro, os câmbios, os índices bolsistas, as remunerações, a inflação, o poder de compra, os impostos, tudo se relaciona dentro do mais possível equilíbrio para evitar falências e enriquecimentos desmedidos.

O equilíbrio é o ideal para a vida humana e da natureza, no entanto existe em correlação com outras realidades também humanas e também naturais. Entre elas a ambição e o desejo do poder por parte do homem e a lei do mais forte por parte da natureza. Estas realidades, sempre presentes naturalmente na vida conhecida, são por um lado causa de fortes desequilíbrios, gerando as maiores guerras — sociais, políticas, económicas, militares e mesmo religiosas, raciais ou tribais — das quais nascem os maiores desequilíbrios globais, principalmente entre ricos e pobres, civilizados e terceiro-mundistas. Mas por outro lado são também motivo de crescimento civilizacional, tecnológico, científico e cultural.

Pode-se concluir que também neste aspecto há equilíbrio, tendo presente que a necessidade de construção e uso de poderosas armas foi causa de grandes descobertas médico-científicas.

Os ricos e os pobres são as duas faces da mesma moeda. Como o são o bem e o mal, o amor e o ódio, o alto e o baixo, o dentro e o fora, o forte e o frágil, o masculino e o feminino, o direito e o esquerdo, o certo e o errado, o simples e o complexo, o prazer e a dor, a realidade e a imaginação, a verdade e a mentira, o tudo e o nada, o principio e o fim, o equilíbrio e o desequilíbrio — tudo existe em relação a outra coisa e numa relação de forças. O equilíbrio entre as duas partes, ou todas as partes, será o ideal.

Sempre que algo está mal, essa anomalia deve-se a um desequilíbrio entre duas forças, que podem ser desmultiplicadas devido às possíveis diversas variáveis. Deve-se identificar qual o elemento que provoca o desequilíbrio, e o erro corrige-se aumentando a força do elemento oposto. Mas apenas podemos fazer correcções nas pequenas coisas pessoais. Ao nível global será sempre a lei da maioria, da qual nós podemos fazer parte.

E a lei do mais forte é relativa. Um homem só nada vale contra um milhão de outros homens, mas se possui uma bomba atómica!...

 


publicado por sl às 11:46
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Terça-feira, 8 de Maio de 2007

Bem

BEM

 

 

Bem é tudo o que nos é benéfico. Tudo o que contribui para a nossa felicidade e para a realização da nossa vida.

Tudo o que desejamos, que necessitamos e que possuímos, se é do nosso agrado, é bem para nós.

O bem, ou um bem, pode existir das mais variadas formas, ou por outras palavras, podem existir vários tipos de bens. Os bens essenciais à vida são, sobretudo, de ordem natural. A luz do sol, o ar que respiramos, a água que bebemos, e todos os alimentos — ainda que transformados — são exemplos de bens naturais sem os quais a vida era impossível. Além dos bens essenciais à vida, existem outros tipos de bens naturais extremamente importantes para a vida humana, que ao longo dos tempos foram sendo cada vez mais explorados pelo homem, de forma a permitir que este se tornasse civilizado e poderoso perante os demais seres vivos. O homem civilizado é aquele cujo comportamento é lógico e ordenado, sem obedecer cegamente às leis da natureza.

Este comportamento civilizado requer uma nova quantidade de bens de diversas origens, mas com a característica comum de terem sido criados pelo próprio homem. São eles, os bens materiais artificiais — tudo o que facilita a vida moderna, como máquinas e equipamentos; os bens sociais — tudo o que possibilita a vida em sociedade, como a organização civilizada de um povo, a assistência social, o planeamento familiar, o apoio aos desfavorecidos, etc.; os bens culturais — tudo o que enriquece a sociedade em diversos planos, como o artístico (teatro, cinema, música...), desportivo (campeonatos e competições), recreativo (diversões e passatempos), religioso, político, educativo e etc.; os bens espirituais — tudo o que eleva o homem pela sua sensibilidade interior, como a criatividade, a dedicação e a satisfação, que são bens espirituais que existem inter-relacionados com os bens psicológicos — tudo o que caracteriza o homem como ser pensante (conhecimento, educação, justiça, liberdade, dignidade...) e como ser emocionável (paixão, amor, amizade, ansiedade, saudade...).

Esta classificação de bens não pode ser lida de uma forma taxativa, até porque todos compreendem uma enorme subjectividade. Repare-se que exceptuando os bens naturais essenciais à vida, todos os outros são produto da criatividade humana e obedecem a escalas de valores que diferem conforme o desenvolvimento e entre grupos, classes, etnias, civilizações e padrões culturais.

Um bem pode ter relativa e simultaneamente diversos valores. Pode ter extrema importância individualmente e nenhuma colectivamente. Pode ser de forte valor espiritual para uns e de forte valor material para outros. Pode ser real para uns e imaginário para outros — um bem que não possuímos não deixa de ser um bem. E pode ainda ser, alimentar, ambiental, supérfluo, de primeira necessidade... Pode existir eternamente ou num momento exacto. Pode ser claramente definido ou apenas abstractamente idealizado. Tudo depende da implicação que tem em quem o classifica, tendo em conta o contexto em que se situa.

O dinheiro começou por ser um bem para facilitar a troca de outros bens, apenas materiais, e aos poucos vai sendo usado na troca de quase todos os outros tipos de bens.

Alguns bens foram originados não pela vontade humana, mas pela necessidade que os humanos tinham em usufruir de uns segundos bens que implicavam a existência dos primeiros. Um medicamento não se toma por prazer, mas para conseguir saúde. Porque só com saúde se consegue trabalhar. Uma boa parte das pessoas trabalham não gostando do que fazem, mas porque só trabalhando alcançam outros bens.

O bem tanto pode ser o produto final como o meio que contribui para ele. Tudo depende de quem o classifica. O bem só é bem se quem o classifica assim o considera conforme as suas necessidades, conceptualizações e ideologias mentalizadas. Cada um é que sabe qual o valor que cada coisa tem para si, isto é, quanto o beneficia.

A existência do bem só é possível a par da existência do mal. Se uma coisa não é nula nesta escala de valores, ou nos beneficia ou nos prejudica. O bem de uns, muitas vezes, só e possível com o mal dos outros. O bem e o mal confundem-se porque são dois opostos que se complementam. Um bem anterior pode ser a origem de um mal posterior e vice-versa.

O bem e o mal são as duas faces de uma moeda em constante movimento. Só uma face nos torna felizes. Mas a vida compõe-se das duas.

 

 


publicado por sl às 16:25
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