Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

Espírito

 

 

 

ESPÍRITO

 

 

O espírito é uma das características humanas que mais acentua a diferença existente entre o ser humano e os outros seres vivos. O espírito humano identifica-se também como “alma” — sinónimo religioso — e como “psique” — sinónimo derivado do grego que acabou por ser adoptado no mundo científico, pelas palavras “psíquico” e “psicológico”. O espírito é algo que se traduz pela alma da religião e pelo psíquico da ciência. A religião chama “alma” ao espírito e tem uma explicação consistente para essa concepção, da mesma forma que a ciência tem uma explicação para lhe chamar “entidade psicológica”.

O espírito é algo que existe no homem e apenas neste, e é nesse espírito que se encontra a grande superioridade humana. Mas não é ainda possível clarificar consensualmente o que é o espírito, pois a sua essência justifica esta impossibilidade, apesar de, no entanto, lhe serem atribuídas muitas caracterizações e definições.

O espírito é uma entidade abstracta incognoscível, excepto pelas suas manifestações e principalmente pelas teorizações dessas manifestações. Não há um acesso directo ao espírito, mas um acesso às suas manifestações. Não sendo uma entidade concreta, o espírito não se pode localizar espacialmente, mas por aproximação e idealização, imagina-se que o espírito possa estar “localizado” no cérebro humano sob uma forma imaterial.

As células cerebrais recebem permanentemente enormes quantidades de informação através dos sentidos e do interior do próprio corpo. Esta informação é registada na memória. A memória é composta por, calcula-se, cinco por cento de consciente e noventa e cinco por cento de inconsciente. No nosso quotidiano racional humano apenas funcionamos com o consciente, pois somos seres racionais. Mas se nós quisermos deixar de ser racionais e conscientes — embriagando-nos, tomando alucinogénios, medicamentos não receitados ou produtos tóxicos, trabalhando ou praticando exercício físico excessivamente, abstendo-nos de alimentos ou de dormir, etc; etc. — ou se por acidente ou doença, deixarmos de ser racionais e conscientes involuntariamente, ou por outras palavras, se o nosso corpo for privado das suas necessidades vitais, ou se receber ou expelir qualquer coisa em excesso ou em defeito, em relação àquilo para que está naturalmente preparado, entra em desequilíbrio, e o cérebro, como órgão corporal físico que também é, entra também em desequilíbrio. Este desequilíbrio no cérebro baralha a memória e transforma o ser humano racional e consciente em irracional e inconsciente. A perda parcial ou total de consciência deixa livre o caminho para o inconsciente que é inconfundivelmente maior e quase todo desconhecido. É quase todo desconhecido porque a maior parte das coisas que o nosso cérebro regista na memória não chega a passar pela consciência. Por exemplo, conscientemente este texto está a ser lido, mas inconscientemente o cérebro está a registar o que o leitor sente sobre ele, se concorda ou não, se provoca prazer ou repugnância, as vezes que o leitor se enganou, que recuou ou repetiu, a cor do papel, a forma da letra, a luz que nele incide, todos os sons, movimentos e odores que os sentidos conseguem alcançar, as dores musculares, os movimentos oculares — uma lista interminável de coisas que ficam no cérebro inconscientemente. Então, quando o caminho está livre, nós podemos ter acesso a coisas ou manifestar coisas vindas do nosso cérebro, que nunca nos passariam pela cabeça conscientemente. São tudo coisas vindas do nosso inconsciente inconscientemente, pois só inconscientes temos acesso ao nosso inconsciente da mesma forma que só conscientes conseguimos raciocinar.

O espírito é tudo o que o cérebro contém consciente e inconscientemente. A ciência define o espírito a partir do consciente atribuindo-lhe todas as faculdades psicológicas e espirituais, como o racionalismo, a identidade, a personalidade, a mentalidade, os sonhos, os desejos, os medos, etc. A religião define o espírito a partir do inconsciente, considerando todas as manifestações do inconsciente como sendo das almas, dos mortos, dos anjos, do sobrenatural, do outro mundo, de Deus e da eternidade.

O espírito é tudo isto. Se enquanto dorme, o homem sonha eroticamente com a mulher, a ciência pela psicologia afirma que é o “id” a satisfazer um desejo que o “ego” não satisfaz porque o “superego” não permite. A religião, pelas suas doutrinas, afirma que é a tentação da carne, que simboliza o mal.

O espírito continua a ser um grande enigma para o homem, porque conscientemente apenas é o que a psicologia consegue teorizar. E inconscientemente apenas se manifesta em estados de consciência alterada, e sempre involuntária e imprevisivelmente, não se podendo estudar científica e racionalmente.

O espírito está no cérebro. O cérebro emite ondas eléctricas. As ondas cerebrais variam conforme o estado de espírito e conforme a actividade cerebral. Se o cérebro se alterar, a energia que dele pode ser libertada pode criar os mais imprevisíveis fenómenos.

Visões e fantasmas; movimentos, sons, odores e manifestações corporais absurdas; sonhos premonitórios; pesadelos; e etc; são manifestações do espírito vindas do inconsciente.

Inteligência, consciência, justiça, paz, ternura, respeito, amizade, civismo, liberdade, igualdade, fraternidade e etc; são manifestações do espírito vindas do consciente.

O nosso espírito crítico, aliado ao nosso espírito humano, saberão escolher qual a espiritualidade que mais nos convém e por ela guiarmos a nossa vida.

 

 




publicado por sl às 19:30
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 7 de Julho de 2007

Consciência

CONSCIÊNCIA

 

 

A consciência é um conjunto de dados — informação, conhecimentos, sabedoria — que cada pessoa recebe do exterior através dos sentidos e recebe do interior através da experiência pessoal pelos sentimentos e pensamentos, e que selecciona, organiza e armazena na memória, cujo suporte físico é o cérebro, num local acessível a qualquer momento, sempre que desejar, pois é com esses dados que orienta a sua vida.

É com os dados que cada pessoa tem na sua consciência que a mesma vive na prática, ao tomar decisões, fazer planos, produzir trabalho, conviver, evitar o perigo, defender-se e divertir-se.

A consciência é registada numa pequena parte da memória, localizada no cérebro e constituída biologicamente por células – neurónios — em que cada uma grava um dado, e as ligações entre elas por correntes eléctricas formam as ideias que uma vez exteriorizadas determinam as atitudes e os comportamentos.

Nascemos com a consciência nula. O cérebro vai-se formando e possivelmente ainda no útero já recebemos informação. Aos poucos o cérebro evolui e vamos introduzindo mais dados. Primeiro recebemos dados dos pais, depois dos amigos de escola e professores. Vamos sempre preenchendo a memória com dados de livros, dos órgãos de comunicação, dos mais velhos, de toda a sociedade e da própria natureza.

Todos os dados ficam registados na memória. A memória divide-se em duas partes principais: a maior parte é inconsciente, e a consciência ocupa uma pequena parte. A dividi-las encontra-se uma parte intercalar de transição, que é subconsciente ou pré-consciente. Os dados ao serem registados na memória podem entrar directamente para o inconsciente — e só inconscientemente lhes temos acesso — ou passam pelo consciente e são analisados. Se interessam ficam guardados na consciência para serem usados. Se não interessam esquecemo-nos deles, que é o mesmo que passá-los para o inconsciente. Os dados com os quais vivemos quotidianamente são os da consciência, que é a parte pequena da memória, mas a mais importante para a vida racional.

Assim, a nossa consciência só é aquilo que nós quisermos que ela seja, se soubermos seleccionar correctamente os dados. Ou então, é aquilo que os outros quiserem, porque, antes de nós sabermos que temos consciência, já os outros a estão a preencher e a moldar, introduzindo-nos dados conforme as conveniências deles. E desta forma, muitos terminam a vida sem terem consciência de que a consciência é assim.

Como o homem é um ser social, criou uma consciência colectiva, feita de regras que são introduzidas na consciência de cada um para o bem de todos — mas às vezes só de alguns.

Perguntaram a alguém porque existiam escravos e homens livres, e aquele respondeu que haviam escravos e homens livres da mesma forma que haviam cães e gatos. Se um homem foi “programado” pelos outros para ser escravo e nunca tiver dados que lhe indiquem que pode ser livre, ele continuará sempre escravo, consciente de que o é e não pode ser livre — e até pode ser feliz.

Muitas pessoas vivem conscientemente felizes apesar de terem uma consciência formada com dados irreais, que seleccionaram ou em que acreditam, e que são as bases das vidas delas.

Os problemas de consciência existem sempre que alguém não sabe seleccionar os dados que quer na consciência, e assim, ou não tem em que acreditar — não tem organização consciente — ou registou dados que falharam e fica “perdido” sem saber em que acreditar.

O que registamos na consciência, consciente ou inconscientemente, é aquilo em que acreditamos, e é o que nos vai guiar durante a vida.

E nós estamos constantemente a mudar a consciência, seleccionando novos dados e passando outros para o inconsciente. Umas vezes inconscientemente — outras vezes mudamos a consciência com consciência.

 

 

 

 

 

 


publicado por sl às 12:22
link do post | comentar | favorito
|
Domingo, 27 de Maio de 2007

Cérebro

CÉREBRO

 

 

O cérebro é uma pequena parte do corpo humano onde se localiza a sede do sistema organizado mais complexo do universo, e o maior desafio da ciência. O homem tem mais conhecimentos das leis que regem o universo do que como funciona o seu próprio cérebro.

O cérebro é o elemento essencial que distingue o homem dos outros animais. E pela quantidade de massa encefálica e principalmente pela complexidade do seu funcionamento, é que o homem de distanciou dos outros animais, criando um mundo novo — cultural, religioso, psicológico e tecnológico — que lhe proporcionou um enorme nível de superioridade sobre todos os outros seres vivos e sobre parte da natureza.

A qualidade de humano está precisamente na existência de um cérebro superior. A inteligência está no cérebro. O seu tamanho, peso e complexidade são características determinantes. O homem é o ser superior por ter um cérebro superior em relação aos outros animais, e logo, demais seres vivos. É por isso considerado — embora por si próprio — o único animal racional devido à diferença existente entre o seu próprio cérebro e o cérebro dos outros animais, dotados também de inteligência. Os animais irracionais também têm cérebro e a inteligência existe em cada animal conforme seja a estrutura do seu cérebro, mas, mesmo os animais irracionais mais inteligentes — cão, cavalo, golfinho — estão muito aquém da inteligência racional humana, e por essa razão, quando se fala em cérebro tem-se presente apenas o cérebro humano. O órgão que torna o homem um ser por excelência em toda a natureza.

O cérebro humano é um órgão do corpo humano como todos os outros, mas com uma função especial: raciocinar ou pensar. O homem pensa porque tem cérebro e o cérebro existe no homem para pensar, pois o homem sem cérebro não é homem, e o cérebro sem homem (corpo) não pensa.

Só se pode entender o cérebro tendo em conta todo o sistema nervoso que se estende desde as vísceras em milhões de terminais, passando pela complexa rede nervosa de ligação à espinal-medula, que juntamente com o sistema periférico, somático e autónomo, está por sua vez ligada ao sistema nervoso central, através do bolbo raquidiano que se une ao encéfalo, onde se encontram os hemisférios cerebrais e as zonas corticais do córtex cerebral, incluindo o cerebelo, o mesencéfalo constituído pelo tálamo e pelo hipotálamo, o miencéfalo e até os sistemas límbico e reticular, e finalmente no telencéfalo, o cérebro, propriamente dito, ou a massa cinzenta com as circunvoluções, os sulcos, e os diversos lobos e áreas determinadas para — pensa-se — determinados fins. Isto em síntese.

O cérebro é o conjunto de muitos milhões de células nervosas — neurónios — insensíveis à dor, protegidos pela caixa craniana, com ramificações — axónios — que as interligam eléctrica e quimicamente — sinapses — por estímulos provocados pelos diversos neurotransmissores (tirosina, dopamina, adrenalina...).

Por serem extremamente sensíveis e extremamente complexas, as células reagem ao menor estímulo recebido, quer de todo o sistema nervoso e do próprio corpo, quer de outras células pares, formando quantidades inimagináveis de cadeias energéticas. Não é possível à ciência actual fazer cálculos exactos respeitantes à actividade cerebral. Estimativas referem para um cérebro humano o peso de 1350 gramas, 14 biliões de neurónios, cada neurónio podendo ter de cem a mil impulsos por segundo, causando de seis a sessenta mil sinapses em simultâneo, podendo existir em cada 2,5 cm cúbicos de massa cerebral 600 milhões de sinapses.

Esta energia, eléctrica, gerada por processos bioquímicos dos neurónios, com todos estes movimentos e paragens, faz com que cada neurónio transmita para outros o que deve transmitir e reter o que deve ser retido. O conjunto dos movimentos e paragens, em locais da rede cerebral, determinados naturalmente, faz cada parte do cérebro e o seu todo, funcionar para os fins para que existe.

E o cérebro existe para permitir ao homem um elevado potencial de captação, registo, transformação, criação e emissão de informação que o caracteriza como animal superior. O cérebro é o suporte físico — pelos neurónios que guardam a informação e pela actividade eléctrica permanente entre eles — de todas as propriedades que caracterizam ou definem o ser humano, tais como: inteligência, sabedoria, conhecimento, memória, mentalidade, personalidade, identidade, imaginação, pensamento, consciência, linguagem, cultura, religião, etc.  Pois todas estas propriedades só existem no homem porque este possui um cérebro.

O cérebro funciona com energia eléctrica autoproduzida pelas diferentes cargas entre os terminais neuronais. A energia é permanentemente alterada conforme a quantidade e características dos estímulos recebidos do exterior, a sua manipulação interna, e a necessidade de criação e exteriorização. Para o cérebro funcionar perfeitamente precisa de duas condições essenciais: que seja naturalmente saudável num corpo saudável com boa irrigação de sangue carregado de oxigénio, e que a sua estruturação mental seja bem organizada pelo indivíduo, ou seja, que tenha equilíbrio quer biológica quer psicologicamente. O excesso ou falta de sangue provoca danos neurológicos e o excesso ou falta de informação provoca danos psicológicos.

Todo o funcionamento do cérebro, e do homem como ser único de actividade cerebral racional consiste na memorização de dados de informação e na sua transformação condicionada pelos dados anteriormente memorizados, para posterior utilização. Assim, pondo de parte as deficiências neurológicas e anatómicas, o cérebro começa por registar dados, cada neurónio ou conjunto de neurónios grava uma unidade de informação. Aos poucos o cérebro começa a criar ideias. Os neurónios “trabalham” as unidades de informação até estarem organizadas ou estruturadas. Esta sucessão enorme de “gravação” de unidades de informação (trinta por segundo aproximadamente), após devidamente “trabalhada” forma tudo o que o homem tem de psicológico — ideias, conhecimentos, planos, pensamentos, mentalidade... A informação recebida posteriormente é organizada tendo em conta a informação recebida anteriormente, de uma forma cumulativa e integrante, ou seja, os neurónios distribuem a nova informação conforme o que já está memorizado.

Todo o envolvimento psicológico humano está retido na memória. A memorização é a principal função do cérebro, pois todas as outras estão dependentes dela. Mas a memorização pode ser consciente ou inconsciente, e a transformação ou manipulação de dados na memória e a sua exteriorização também pode ser consciente ou inconsciente. Teorias dizem que só usamos conscientemente cinco por cento do cérebro. No entanto, consciente ou inconscientemente, todo o nosso cérebro se compõe de um emaranhado de conexões eléctro-bioquímicas em que cada neurónio condiciona o encaminhamento da informação pelos meandros da memória.

O cérebro é o órgão mais atractivo para o mundo médico- científico actual, e do qual se sabe menos. Neurologicamente todos os dias se fazem novas descobertas, com cada vez mais evoluída tecnologia. Certamente essas descobertas neurológicas contribuirão para um melhor conhecimento psicológico do cérebro.

Por enquanto, o cérebro continua a ser um grande enigma para o homem.

 

 

 

 


publicado por sl às 01:48
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 28 de Abril de 2007

Beleza

BELEZA

 

 

É belo tudo aquilo de que gostamos sem necessidade. Tudo o que nos desperta um sentimento superior de prazer e de admiração para além dos prazeres normais.

A beleza é algo extraordinário e perfeito que existe em alguma coisa e que nós captamos pelos sentidos — principalmente pela visão, e também pela audição — e que atinge profundamente o nosso intimo no que ele tem de mais sublime.

A beleza existe em tudo o que é superior e transcendente; em tudo o que nos eleva para além de humanos; e em tudo o que nos deleita e extasia de uma forma superior, indirecta e intocável, quase divina.

É um sentimento superior, só alcançável por pessoas de grande sensibilidade artística e cerebral. É a percepção da perfeição.

Todas as partes do nosso corpo recebem contactos que podem ser desagradáveis ou agradáveis. São desagradáveis quando provocam dor e agradáveis quando provocam prazer. Uma palmada é desagradável e uma carícia é agradável, apesar do contacto ser feito com as mesmas partes do corpo. Cada parte do corpo, recebe contactos conforme a sua funcionalidade e existência que nos provocam os mais variados prazeres. A pele e os músculos dão-nos prazer pelas massagens, por exemplo. A língua pelos sabores doces. Os ouvidos pela música. O nariz pelos perfumes. E os órgãos sexuais pela actividade sexual. Em todos eles existe contacto, físico, orgânico ou energético. E os animais também sentem estes prazeres.

Mas o homem tem um cérebro desenvolvido e tem raciocínio e mentalidade. Esta característica torna-o superior também no sentido das suas captações sensitivas do mundo exterior através do apuramento de sensibilidades. E além do que dá prazer ou dor, criou o que é agradável no sentido do belo e desagradável no sentido do feio. E quanto mais desenvolvido for o cérebro, mais se verifica esta existência. Uma pessoa pobre de espírito, que não cresceu cultural e intelectualmente, não distingue o agradável do belo.

A beleza é o prazer do nosso cérebro. É a sensação agradável de admiração do maravilhoso que o nosso cérebro compreende para além de pensar. É a função aprazível para além da função real e prática, da mesma forma que a nossa língua saboreia o doce para além de cooperar na assimilação dos alimentos.

O sentimento superior de beleza existe como que se numa áurea harmoniosa se envolvesse o admirador e a obra admirada com a qual aquele se identificava e extasiava, mas paradoxalmente, mantendo uma distância equilibrada que não permitisse a violação da perfeição, eliminando o contacto físico.

Por esta razão se atribuí o belo quase só ao que se vê. Porque a visão é o sentido principal, mais apurado e mais perfeito.

A recepção de prazer através da visão, em relação aos outros sentidos e órgãos, é a que apresenta menos contacto físico. E a luz é a primeira exigência para a visão.

Também a beleza só é compreensível por um cérebro iluminado.

 

 

 


publicado por sl às 19:34
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 10 de Março de 2007

Alma

ALMA

A alma é o que a religião chama à entidade espiritual que envolve cada pessoa e que a ciência estuda pela psicologia.

Cada igreja, religião, seita ou culto caracteriza a alma conforme as suas tradições culturais, costumes e interesses próprios. Desta forma não há uma generalização da alma, sendo antes entendida por cada um conforme a influência que recebe da cultura religiosa em que nasce ou vive.

Por ser sempre considerada um meio caminho entre o homem e Deus, a alma só existe para os crentes. Para uns, quando o corpo morrer, a alma que nasceu com ele, segue para o além, para uma vida eterna. Para outros, a alma vive eternamente e só recebe um corpo durante a vida terrena. Para outros ainda, a alma vai-se aperfeiçoando em diversas vidas por que passa na terra. Ainda para outros, a alma, logo que o corpo morre, é transferida para outro corpo. E ainda há os que acreditam que Deus tem um número limitado de almas que distribui só por quem merece, e os que acreditam que até os animais e as rochas têm alma...

Todas estas descrições da alma, e mais que existirem, são puras crenças. Na verdade, a alma não existe. O que existe é uma entidade espiritual, completamente abstracta e da qual ninguém tem um conhecimento aprofundado, devido à sua natureza. Essa entidade é apenas energia. Energia que existe no corpo humano, nomeadamente no seu cérebro. Essa energia pode ser registada em aparelhos electrónicos sofisticados, porque o corpo humano pode emitir radioactividade e ondas electromagnéticas, o cérebro humano funciona através de estímulos eléctricos entre as suas células. Conforme seja a actividade cerebral, o cérebro emite ondas cerebrais de maior ou menor intensidade.

A ciência actual está ainda a dar os primeiros passos no estudo destas realidades. Áreas científicas recentes como a neurobiologia e a psicofisiologia, apoiadas por cada vez melhor tecnologia, brevemente nos explicarão como funciona o nosso corpo e principalmente o nosso cérebro em termos energéticos. Ainda que não se consigam localizar as áreas físicas concretas no cérebro, brevemente saberemos estruturar o funcionamento concreto da nossa memória, da nossa inteligência, da nossa consciência, numa palavra, do nosso cérebro e de todas as suas extraordinárias funções.

Pois o nosso cérebro é o responsável por todos os atributos da alma. Por um lado, é dele que partem todas as manifestações e criações do nosso inconsciente, em energias perceptíveis e em alucinações ou imaginações. Por outro lado, é nele que está também toda a nossa consciência. E esta é a criadora de todas as ilusões, das lógicas falsas para a vida, dos outros mundos, e de toda uma série de mentiras que de tão enraizadas acabam por significar mais do que a própria verdade. E tudo isto acontece devido à ignorância natural do homem.

O psíquico, o espírito, ou a alma, são uma concretização em forma de energia que se vai criando no cérebro à medida que este se vai desenvolvendo. O cérebro é, de tudo o que existe na natureza conhecida, o pedaço de matéria mais pequeno e com maior complexidade de interconexões. Alguns investigadores dizem mesmo ser mais complexo o cérebro humano que todo o universo.

Mas o cérebro só existe como dependente de um corpo. Sem um corpo para o alimentar, o cérebro morre. E quando o corpo morre, também o cérebro morre. As células de que ele é composto morrem. E quando elas morrem, toda a energia que estava nelas deixa de existir, ou toda a energia que produziam deixa de ser produzida. O psíquico, o espírito ou a alma, deixa de existir, pois morre à medida que vão morrendo as células do cérebro.

Se nós acendermos uma fogueira num local escuro, lentamente ela vai começando a emitir luz – como o cérebro vai criando um espírito –, enquanto a fogueira estiver acesa, a luz alumia – como o cérebro mantém o espírito –, mas se apagarmos completamente a fogueira, a luz que nos alumiava desaparece... E não vai alumiar para outro local.

 

 


publicado por sl às 01:37
link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito
|

temas recentes

Espírito

Consciência

Cérebro

Beleza

Alma

arquivos

Setembro 2010

Março 2010

Novembro 2009

Junho 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Maio 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

mais sobre mim

tags

todas as tags

pesquisar

 
Se gostava de obter todos os textos de A a Z, envie o seu pedido para viaverita@sapo.pt!
blogs SAPO

subscrever feeds