Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Inconsciente

 

INCONSCIENTE

 

 

 

 

Entende-se por inconsciente toda a actividade existente no nosso cérebro que está fora do nosso domínio racional.

 

Tudo aquilo que nós fazemos sem nos apercebermos que estamos a fazer, tal como respirar, ver, ouvir, tactear, cheirar, saborear, dormir, sonhar, etc; e todos os sentimentos físicos e emocionais como sentir dor, sentir frio e calor; sentir fome, sede e sono; sentir cansaço, comichão e arrepios; sentir admiração, medo e repugnância; corar, transpirar, tremer, suspirar, bocejar e chorar; sentir prazer e ódio; sentir gosto, desejo, saudade e compaixão; sentir amor; sentir constrangimento, arrependimento e orgulho; sentir excitação e alegria, depressão e tristeza; tudo isto e muito mais são reacções produzidas no nosso corpo devido a ordens dadas pelo nosso cérebro inconscientemente, embora posteriormente possamos ter consciência disso.

Os sentidos podem ser usados por nós conscientemente ou inconscientemente — podemos procurar uma coisa para a ver ou podemos ver uma coisa que nos desperta interesse sem a termos procurado — mas os sentimentos, sensações ou emoções são reacções originadas inconscientemente. É o inconsciente existente no cérebro que determina o limite máximo de temperatura que o corpo pode receber, e ao atingir esse limite “dispara um alarme” que avisa a consciência que se tem que evitar o calor. Assim como para todos os limites do corpo. Se não obedecermos conscientemente às ordens vindas do cérebro — produzidas do inconsciente para o consciente — acabamos por obedecer inconscientemente e inconscientes. O nosso inconsciente domina o nosso consciente e o consciente tem que respeitar as ordens vindas do inconsciente. Se o inconsciente nos diz “não podes mais”, e nós conscientemente dizemos “ainda posso mais”, poderemos ainda mais certamente, porque o inconsciente avisa-nos com uma margem de segurança, mas se continuarmos a insistir, o inconsciente continua-nos a avisar, e, ou paramos enquanto é tempo de recuperar ou atingimos os limites e ficamos inconscientes, ou podemos até morrer.

O inconsciente humano é formado por duas grandes vertentes sentimentais. Existem os sentimentos físicos que são memorizados no inconsciente através dos sentidos e que provêm da natureza, do homem como animal, irracionalmente e inconscientemente — como a dor, a fome, o frio — análogos a todos os outros animais, e existem os sentimentos humanos, também memorizados no inconsciente, e também através dos sentidos, mas estes passaram primeiro pelo consciente ou consciência. Os sentimentos humanos não são inatos como os físicos, mas pelo contrário, aprendem-se. Aprendem-se pela educação (cultura/religião) e valorizam-se ou não na consciência. Conforme se valorizarem na consciência, é também assim que ficam memorizados no inconsciente. E será conforme esses valores que o nosso inconsciente nos vai alertar. No entanto o nosso inconsciente regista tudo, e se nós agora pensarmos de uma forma oposta à que pensávamos no passado, em relação a determinado assunto, se o inconsciente tiver que nos enviar alguma mensagem relacionada com esse assunto, tanto pode corresponder ao que nós agora pensamos como opor-se. E uma mensagem oposta ao nosso consciente provocará conflito [dissonância cognitiva] — se eu não quero chorar e sei que não devo chorar perante determinada situação mas não consigo deixar de o fazer, significa que o inconsciente está a dominar.

Nós devemos respeitar o inconsciente, pois ele é poderosíssimo e não o devemos desafiar, pois ele vencerá sempre. É-nos muito útil na nossa protecção e equilíbrio pessoal, mas nós apenas devemos dar-lhe valor no que respeita aos avisos que ele nos faz. Devemos valorizar mais a consciência.

O nosso consciente, ao contrário do inconsciente, é tudo a que temos acesso pelo cérebro, em perfeito estado de raciocínio, vigilantes e alertas. Quanto mais perfeita, forte e segura, for a nossa consciência, mais estaremos conscientes, e logo, menos possibilidades damos ao inconsciente de intervir.

O inconsciente é importante porque nos defende dos perigos e nos guarda toda a informação do nosso passado. Tem uma capacidade infinita se pensarmos que cada segundo o nosso cérebro recebe dezenas de estímulos ou mensagens, permanentemente, sendo a maior parte delas armazenadas directamente na memória inconsciente, sem nos apercebermos delas.

Mas a nossa vida de humanos, racionais, e conscientes do que somos, tem que ser vivida com consciência, raciocínio, sabedoria, inteligência e saúde. Se nós não temos essa segurança que nos vem da consciência, deixamos caminho aberto para o inconsciente.

Teorias dizem que o nosso cérebro funciona noventa e cinco por cento inconscientemente e apenas cinco por cento conscientemente. Nós vivemos racionalmente com essa pequena percentagem. Se estivermos inseguros, deprimidos, doentes, ou em qualquer estado de consciência alterada, então o inconsciente apodera-se dela e manifesta-se, das mais diversa formas. E se não recuperarmos a consciência viveremos inconscientes, com uma personalidade alterada e demente.

O inconsciente é irracional, os animais também o têm. O consciente é racional, só os humanos têm consciência daquilo que são. É na racionalidade e consciência que nos diferenciamos dos animais, mas por muito racionais que sejamos, o nosso inconsciente será sempre maior que o nosso consciente, porque antes de nós pensarmos, já sentimos, e antes de nós sermos humanos, somos animais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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Sábado, 29 de Dezembro de 2007

 

 

Ter fé é acreditar numa coisa sem necessidade de ter provas.

E acreditar numa coisa é considerar que ela existe e viver de acordo com essa existência.

Tudo o que existe influencia os nossos comportamentos e atitudes, e tudo o que não existe, mas que nós consideramos que existe provoca em nós os mesmos efeitos como se existisse. Porque tudo o que nos causa impacto físico gera reacções físicas, como tudo o que nos causa impacto psicológico gera reacções psicológicas. A fé é uma criação psicológica. Não existe fé material.

Um objecto material é observado por todos da mesma forma, cor, luz, textura, dimensão, e etc; e, ainda que a sua definição seja variada, facilmente se chega a consenso. Mas uma coisa que é fruto do espírito humano — porque só o ser humano cria existências psicológicas — não é observável por não ser traduzida pela matéria.

A fé é psicológica. Os animais não têm fé porque não têm consciência. A fé não se pode entender pela matéria. Apenas se traduz por ideias ou por obras. As ideias são a maior abstracção e as obras podem surgir pelas mais diversas razões. Não se prova a fé.

Aquilo em que se acredita quando se tem fé, apesar de existir para quem acredita, pode não existir realmente, porque a fé não nasce da razão, mas dos sentimentos. A fé nasceu antes da razão porque a religião nasceu antes da ciência, mas sempre existiram em oposição, porque a fé não permite a existência de dúvidas, e a ciência duvida de tudo. Então, conforme a ciência foi evoluindo e provando o que é verdade ou não, a fé aceitou as provas coincidentes e rejeitou as discordantes.

Com a evolução humana, a fé vai-se adaptando às novas realidades. E há-de existir sempre porque, por um lado nós nunca seremos todos inteligentes ou nunca conheceremos tudo o que nos rodeia — e a própria fé barra essa possibilidade — e por outro lado, como todos nascemos crianças, somos por natureza obrigados a acreditar no que nos ensinam, porque só mais tarde adquirimos capacidade de percepção racional, para além da memorização que fica do passado.

A fé é uma aliada da ignorância e da desejabilidade. Quanto mais desejamos uma coisa mais temos fé que ela se torne realidade. Mas ao tomarmos conhecimento que essa coisa não se tornará realidade, a nossa fé perde-se. A fé nos deuses existe devido à nossa ignorância perante a vida, e ao desejo que temos de que tais sejam uma realidade. E essa fé é tão forte que os torna uma realidade para quem a tem.

Como a fé é de origem sentimental, e tudo o que é de origem sentimental não se explica pela razão, de nada serve explicar a fé para quem a tem, porque, quem a tem, ainda que as evidências a neguem claramente, não se deixa influenciar por elas. E se por ventura, alguém que afirmava ter fé, deixasse de a ter após estas breves palavras, não teria fé certamente.

 

 

 


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Domingo, 18 de Novembro de 2007

Evolução

 

EVOLUÇÃO

 

 

Falar de evolução no sentido abstracto do termo significa falar de evolução humana. O Homem é um ser em constante evolução. Desde que se conhece e até onde se conhece — caminhando em direcção ao passado — sempre existiu evoluindo, no sentido em que ele próprio se considera evoluir.

Apesar de alguns indícios indicarem a existência de civilizações evoluídas no passado, no conhecimento científico actual, esses indícios não são considerados verdadeiros, perdendo-se assim o conhecimento do passado nos meandros do esquecimento, embora direccionado para a involução até à própria natureza, cada vez mais no sentido bruto.

Segundo as teorias mais consensuais do mundo científico, tudo existe na natureza, representado por átomos e em duas formas: matéria e energia. Como ambas se transformam uma na outra, então uma e a outra são a mesma.

Os átomos — e tudo o que os compreende — todos juntos formam tudo o que existe, desde a maior inactividade à maior actividade. Uma rocha é uma composição de matéria permanentemente inactiva, e um coração é uma composição de matéria permanentemente activa — sob o ponto de vista humano.

Assim, dentro dos limites do conhecimento — humano — porque não conhecemos a verdadeira origem do universo nem a sua evolução, se é que existem, pois todas as afirmações a isto referentes são teorias não comprovadas, ainda que lógicas — toda a evolução segue no sentido da maior simplicidade, na composição atómica, para a maior complexidade, dessa composição.

Se colocarmos num recipiente areia, água e azeite e agitarmos tudo, obteremos uma mistura homogénea. Se deixarmos de agitar, os três elementos separam-se. Também se imagina que no início dos tempos toda a composição da vida se encontrava igualmente misturada numa massa homogénea, que, com o passar dos tempos e com a estabilidade cósmica, cada vez mais os elementos foram-se diferenciando do todo, agrupando por partes, e reunindo essas partes em doses complexas que originaram a vida.

No sentido inverso, e imaginando para melhor compreensão, se reuníssemos um elefante, uma árvore, um automóvel, e uma viga de betão armado, e ralássemos tudo o mais possível, obteríamos uma pasta com peso, densidade, humidade, pressão, temperatura, cor e outras características específicas. Ninguém conseguiria localizar e extrair dessa pasta o sangue ou a pele do elefante, a madeira ou o fruto da árvore, a gasolina ou o vidro do automóvel, e o cimento ou o ferro da viga, mas tudo estava lá.

A separação das partículas elementares da matéria e a sua reorganização, são o resultado de muitos milhões de anos de estabilidade e de reunião de condições de evolução, começando por serem criadas as matérias inorgânicas e depois as matérias orgânicas que deram origem à vida. Os minerais, vegetais, animais e por fim os humanos, são todos provenientes dessa massa inicial, e existem desde as formas mais simples às mais complexas.

A evolução é a criação de coisas novas com base nas anteriores. Tudo existe na natureza desde o princípio ou desde sempre e é apenas transformado para maior complexização,

A evolução da vida na natureza, vegetal e animal, precede a evolução humana, mas ambas seguem os mesmos trajectos, até porque a evolução humana também é natural. Os seres vivos evoluem conforme a teoria da evolução natural das espécies, em que o ser mais forte vence sempre, tornando-se o gerador de descendência.

O homem é o ser vivo mais evoluído porque possuí o sistema mais complexo de organização celular. Todos os seres vivos são organizações de células. As células são a mais elementar matéria viva. São diversificadas conforme a sua estrutura molecular formada pela composição atómica. Os átomos — matéria ou energia — que formam as moléculas que formam o sistema nervoso do corpo humano, são a mais evoluída estrutura de matéria viva natural. Por isso criaram o pós-material: o espiritual.

O espiritual nasceu com a linguagem e a consciência, e toda a evolução artificial nasceu também daí. A evolução humana é originada na sua inteligência. Com ela, o homem domesticou animais, cultivou plantas, criou sociedades civilizadas, dominou muitos obstáculos naturais, e começou a conhecer-se a si próprio e ao lugar que ocupa na natureza. Cada nova geração é mais evoluída que a anterior porque acumula os ensinamentos precedentes com a experiência própria.

A evolução artística, económica, social, tecnológica e científica, é idêntica à evolução natural. A opinião do mais forte é a que prevalece. Mas o mais forte pode não ser o mais inteligente, e por isso toda a criação humana é de uma artificialidade de segurança relativa. A evolução humana não é totalmente consciente. Evoluímos na direcção que a natureza nos permite e que queremos, mas não sabemos porque queremos, porque ninguém controla nem explica a evolução.

E se a natureza é de uma diversificação imensa, que criou infinitas formas de vida, não sabemos se a sua própria evolução e principalmente se a nossa evolução humana, é a única forma de evolução ou se é uma de muitas variantes possíveis, porque tudo o que nós – humanos — sabemos, aprendemos pelos nossos próprios meios — ninguém mais inteligente nos ensinou nada — e podemos estar totalmente errados.

Enquanto não acontecer nenhuma catástrofe a nível planetário, e a estabilidade natural e a vida se mantiverem, continuaremos a evoluir, e poderemos um dia saber porquê — ou não.

 

 


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Sábado, 20 de Outubro de 2007

Espaço

ESPAÇO

 

 

O espaço é a distância que vai de um ponto de referência a outro. Pode ser objectivo e concreto se as referências forem medíveis pelas leis da matemática, geometria ou física; pode ser abstracto e subjectivo se não existirem referências concretas; pode ser temporal se as referências existirem no tempo; e pode ser tudo o que está para além da atmosfera no sentido em que se entende por espaço toda a existência entre os corpos celestes.

O espaço em si não existe. Só existe espaço quando existem referências. Ninguém pode conhecer qualquer medida ou qualquer quantidade de espaço sem conhecer os pontos que o limita.

O espaço existe tendo em conta principalmente as unidades geométricas e unidades de tempo para o medir. As unidades geométricas servem para medir quantidades de matéria. Tudo o que é material pode-se medir porque tudo o que é material ocupa espaço. A energia não ocupa espaço porque não é material e não pode ser medida por unidades geométricas. O espaço existente entre dois valores matemáticos ou estatísticos é imaginário, não existe realmente. O espaço real só existe considerando a matéria — e o tempo.

A cronologia do tempo refere várias unidades em relação ao passado, ao presente e ao futuro, tendo por base os movimentos terrestres de rotação e translação, e os anos-luz (distância que a luz percorre durante um ano). Sem movimentos siderais rítmicos, constantes e observáveis, para se tornarem previsíveis, não seria possível medir o tempo. Assim, também o tempo exige uma base material para ser medido.

O espaço sempre existiu no mundo científico, especialmente correlacionado com o tempo. Um espaço de tempo é a distância que vai de um momento a outro. Os acontecimentos são as referências. Nas o espaço, por ser tudo e nada ao mesmo tempo, sempre originou curiosidade científica e de ficção. O céu que todos os dias podemos observar é de uma dimensão inalcançável, e leva-nos ao imaginário, também fundamentado em teorias científicas.

Por exemplo: imaginemos um circuito automóvel, com 100 kms de comprimento; e imaginemos que possuímos um automóvel que viaja a 100 kms/hora desde que parte até à meta. Percorremos o circuito demorando uma hora. Mas, se aumentarmos a velocidade para 200 kms/hora, já só demoramos 30 minutos. E se aumentarmos para 400 kms/hora, só demoramos 15 minutos. E se aumentássemos para 800 Kms/hora, só demoraríamos 7,5 minutos. Aumentamos a velocidade de 100 para 800 kms/hora e reduzimos o tempo de 60 para 7,5 minutos. Se fosse possível aumentar sempre a velocidade até atingirmos a velocidade instantânea que é a velocidade da luz (300,000 Kms por segundo aprox.), chegaríamos à meta no mesmo momento da partida.

Uma conversa por telefone entre Londres e Tóquio existe em tempo real. A voz viaja milhares de kms imediatamente.  Se ultrapassássemos essa velocidade no nosso circuito, chegaríamos à meta antes de termos partido. É a teoria das viagens no tempo, tão famosa na literatura de ficção científica e no cinema. E como o progresso cada vez nos mostra que viajamos mais velozmente, leva-nos a acreditar que um dia essa teoria seja realidade.

Mas é impossível. O passado não volta e o futuro ainda não chegou. Só existe o presente, neste espaço e neste tempo. Se nós um dia conseguíssemos viajar no tempo, seria porque o passado, presente e futuro existiam em simultâneo, e se existissem, poderíamos questionar qual a razão dos humanos do futuro ainda não nos terem visitado para corrigirem os nossos erros — simplesmente porque não existem.

Nós somos únicos e existimos num tempo e num espaço únicos.

 

 

 


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Sábado, 29 de Setembro de 2007

Energia

ENERGIA

 

 

Invisível e sem ocupar espaço, a energia é toda a força accionada por uma quantidade de matéria que produz movimento ou alterações noutra ou na própria quantidade de matéria.

Toda a natureza conhecida pelo homem, possui movimento. E toda a natureza é formada por átomos que são as partículas mais pequenas da matéria. Estas partículas têm uma estrutura diversa conforme a sua composição nuclear. Os elementos conhecidos mais diminutos do universo e da natureza são os “quarks” que conforme a sua positividade ou negatividade formam os protões e os electrões. O número de protões e o número de electrões, quando estabilizados formam os nucleões, que são os componentes de um átomo.

A energia nuclear — também chamada energia atómica — é a energia produzida no núcleo dos átomos quando estes se estão a integrar formando a matéria ou a desintegrar deixando de ser matéria e transformando-se em energia. Existe em toda a natureza sob a forma de radiação que é proveniente dos movimentos naturais da matéria e da sua transformação. Mas, actualmente, a tecnologia científica humana consegue produzir artificialmente esta energia.

A estrutura nuclear dos átomos é diversa conforme o número de electrões e protões que se equilibram interagindo. Estão identificados cerca de uma centena de átomos diferentes, que correspondem às diferentes unidades elementares da matéria. Os electrões exteriores de cada átomo, quando não encontram consistência com o respectivo núcleo, formam equilíbrio com os electrões de outros átomos que se encontrem em iguais circunstâncias, justapondo-se assim os átomos uns aos outros, quer sejam do mesmo elemento ou de elementos diferentes. Estas justaposições possibilitam a formação de estruturas organizadas em quantidades infinitas. As estruturas compostas por átomos são as moléculas. Por exemplo, dois átomos de hidrogénio e um átomo de oxigénio constituem uma molécula de água. Toda a matéria existente na natureza é composta por moléculas que são compostas por átomos.

A matéria existe em três estados físicos — sólido, líquido e gasoso — e conforme a sua natureza molecular, possui massa, densidade, elasticidade, resistência, consistência e outras características específicas que diferenciam cada porção de matéria das outras. As diferentes composições materiais existem opondo-se e complementando-se umas em relação às outras. Esta luta permanente de forças paradoxais que visam simultaneamente o equilíbrio e o desequilíbrio geram uma nova forma de energia, o magnetismo.

Tudo se atrai e tudo se repele com determinada relatividade. Esta atracção e repulsão contínuas, geram movimento que é constante quando em equilíbrio e inconstante quando em desequilíbrio. Todo o universo se encontra em movimento permanente em que o maior movimento engloba e é formado pelo conjunto de todos os outros, que se vão desencadeando, uns em relação aos outros, até ao mais ínfimo.

O homem conhece desde os movimentos cósmicos, passando pelos movimentos intergalácticos, interplanetários, espaciais, meteorológicos, atmosféricos, marítimos, tectónicos, orgânicos, celulares e moleculares, até aos movimentos nucleares. Para além do cosmos e para além da composição dos átomos, o homem não conhece mais.

Todos estes movimentos são originados por energia activa que a natureza possui, e cuja origem, reserva, limites e outras referências, o homem desconhece, e por energia reactiva que o homem com a sua capacidade científica já conhece e domina. A energia nuclear, electromagnética, e gravitacional são energias naturais inesgotáveis às mãos do homem.

Toda a energia está na natureza. E a Terra, devido à sua imensa diversidade molecular, possível pela sua relativa estabilidade cósmica que consolidou os átomos das formas mais complexas, possui as mais variadas formas de matéria que pode ser transformada em iguais formas de energia, quer naturalmente quer pela mão do homem.

As reservas mineralógicas poderão esgotar devido à extracção permanente que o homem faz, por serem as geradoras de energias que o homem mais explora e consome. Mas outras formas de energia poderão e estão a ser artificializadas de modo a transformarem-se úteis ao homem e menos poluentes em relação ao ambiente. Nomeadamente a energia solar e eólica, que como a energia hidroeléctrica, cinética e calorífica (e potencial), existirão sempre enquanto o homem existir.

E o homem, com a sua tecnologia evolutiva, certamente, explorará mais as energias inesgotáveis — electromagnética, gravitacional, e nucleares (forte e fraca) — criará novas formas de exploração energética, e explorará as energias ecológicas e biológicas.

A energia é o movimento da matéria. É a vida. Tudo pode consumir ou produzir energia. O automóvel consome combustível e produz movimento. O homem consome alimentos e produz força muscular e ideias. Tudo se vai transformando.

Algumas teorias afirmam ser a vida uma perda constante de energia, na medida em que nenhum motor consegue produzir energia para se alimentar a ele próprio, nem nenhuma central hidroeléctrica usa a mesma água duas vezes.

Mas, a natureza é feita de ciclos e contra-ciclos, e se o homem consegue construir novos materiais a partir dela, também a mesma os poderá destruir. As enormes quantidades de lixos ou desperdícios da civilização, inertes sob o ponto de vista humano, poderão transformar-se em nascentes de energia ou vida no futuro.

No entanto, não caberá às gerações humanas actuais, e talvez a nenhumas, saber se a energia se vai constantemente perdendo ou constantemente renovando, dada a pequenez da vida humana perante a vida em geral.

E só faz sentido pensar na energia face à vida humana, e neste sentido uma verdade é absoluta — só há vida se houver energia e enquanto a vida existir, a energia existirá.

 

 

 


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Domingo, 3 de Junho de 2007

Ciência

CIÊNCIA

 

 

“Conjunto de conhecimentos fundados sobre princípios certos” — esta frase, adaptada, define o muito e o pouco que a ciência é.

Princípios certos são as manifestações que existem na natureza de forma abundante, repetitiva ou constante, que permitem ao homem a sua observação, registo, catalogação e outras formas de obtenção de dados que possibilitam o conhecimento de resultados de qualquer acção antes da sua existência real.

Para uma coisa existir cientificamente, essa coisa tem que ser observada várias vezes por várias pessoas capazes de a estudar exaustivamente para obterem o maior número de dados possíveis sobre todas as suas características, e por fim chegarem a um consenso sobre a sua realidade e a classificarem sobre todos os aspectos possíveis atribuindo-lhe um nome, e descrevendo todas as conclusões que a vão caracterizar como realidade existente cientificamente dai para o futuro.

A ciência nasceu na aurora da civilização humana, de uma forma instintiva e inconsciente, a par do nascimento da religião e do misticismo, pela constante observação da natureza, durante uma longa sequência de gerações que evoluiu até aos nossos dias.

O homem primitivo começou por observar a natureza e descobriu coisas maravilhosas. Descobriu que umas coisas são mais pesadas e outras são mais leves; descobriu que umas são mais altas e outras mais baixas; descobriu que se partir uma coisa, fica com duas ou mais; descobriu que se essa coisa for uniforme e a partir a meio fica com duas iguais e metade mais pequenas que a primeira — e para que não tivesse que transportar o tronco mais comprido, e logo mais pesado, quando bastava o tronco mais curto e mais leve, ou para não ter que transportar diversos troncos e ter que os colocar sobre o riacho, para escolher o ideal para colocar sobre o riacho que desejava atravessar, sentiu necessidade de medir o riacho para procurar o tronco com a medida exacta. A invenção da medida do riacho para depois comparar com a medida dos troncos encontrados, foi o grande passo científico, pois permitiu saber qual o tronco ideal antes de o colocar.

E assim nasceu a ciência. Estuda-se na natureza a possibilidade de inventar medidas sobre ela, e uma vez inventadas, usam-se essas medidas como guia para o futuro.

A ciência nasceu instintivamente pela observação de factos naturais testáveis e mensuráveis, a par da religião que nasceu instintivamente pela observação de todos os factos naturais, inclusivamente não testáveis e incomensuráveis. A evolução da ciência na forma de cada vez mais medir e testar a natureza, e logo de a compreender, tendeu para a contestação, oposição e até negação da própria religião, acabando actualmente por inverter essa tendência ao dedicar-se ao estudo científico da própria religião, numa tentativa de a “medir”, ou de medir o seu efeito no homem.

Iniciando-se a grande jornada científica no campo das ciências exactas — lógica, matemática, física, astronomia, geografia, biologia — evoluindo para as ciências aplicadas — tecnologia, engenharia, medicina — continuando a evolução no capo das ciências económicas, sociais e políticas — história, direito, sociologia — e cada vez mais no campo das ciências humanas — filosofia, psicologia — a ciência evoluiu em interdependência com a religião devido ao grande peso da religião no passado, cuja influência na pesquisa científica era sempre um facto, favorável ou desfavorável conforme a aceitação ou negação dos resultados, de acordo com os interesses da própria religião.

Tudo existe na natureza anteriormente ao homem. Todas as matérias, todos os movimentos e todas as energias já existiam quando o homem, com a sua inteligência, as começou a observar. A sua observação inteligente originou a possibilidade e a necessidade da criação de medidas. A possibilidade deve-se à constância de determinadas características — uma coisa com tamanho constante permite inventar medidas de comprimento (era impossível inventar o “metro” numa matéria elástica). Todas as medidas foram inventadas pelo homem devido à constância de determinadas características, de determinada matéria ou energia. A necessidade de criação de medidas deve-se ao facto de só com medidas ser possível comparar, para melhor escolher. Também só com medidas se pode teorizar uma coisa, para melhor a estudar e compreender. Além disso, sem medidas é impossível existir vida social e racional. As medidas são as referências pelas quais se orienta o homem civilizado: é impossível marcar um encontro sem uma data, uma hora, e sem um local; é impossível encomendar um artigo sem dizer qual; é impossível fazer uma obra sem projecto; é impossível fazer um telefonema sem marcar um número — todo o acto racional requer referências teóricas.

Qualquer medida é inventada por qualquer pessoa de forma a identificar qualquer coisa para que possa ser comparada consigo própria ou com outra. Uma medida uma vez obtida/inventada por alguém é dada ao conhecimento e consideração dos outros que a vão aceitar ou reprovar conforme a sua utilidade. Todas as medidas são inventadas por alguém e são aceites pela maioria para bem dessa maioria. Todas as medidas são aceites quando a sua organização é lógica, constante e infinita, ou completa e aplicável, sem deixar qualquer margem de dúvidas. E todas as medidas são valores elementares teóricos criados a partir da observação da natureza, com o objectivo de a racionalizar e compreender, para depois melhor a poder transformar e dominar.

A matemática e a álgebra são a base de toda a ciência, porque toda a ciência funciona com medidas e todas as medidas são representadas com números e letras. Os próprios números e letras não existem na natureza, foi o homem que os inventou, mas aplicam-se a tudo porque tudo o que o que a ciência envolve se traduz teoricamente por números e letras. E esta teorização é criada pelo homem a partir da natureza.

Todas as matérias, todas as energias, todas as formas geométricas, todas as cores, todos os sons, todas as radiações, todos os movimentos, todas as velocidades, todas as pressões, todas as densidades, e todas as forças electromagnéticas, gravitacionais, caloríficas, atómicas e nucleares, assim como as correlações existentes entre todas estas partes, já existiam na natureza antes do homem as descobrir, estudar, medir e classificar como medidas cientificamente existentes. E as medidas de comprimento, superfície, volume, massa, tempo, frequência, velocidade, aceleração, força, energia, potência, intensidade, resistência, temperatura, radiação, e etc; apenas foram os modelos inventados que possibilitaram essa classificação com realidades cientificamente provadas.

As medidas científicas partem de uma unidade padrão — grama, litro, watt, metro, hertz, bit, grau — e estendem-se em múltiplos e submúltiplos, multiplicando-se e desmultiplicando-se de mais infinito a menos infinito, abrangendo toda a realidade, cada uma no campo que mede. São generalizadas por imposição ou conveniência e de acordo com a maior perfeição na tradução da existência natural, para maior compreensão racional e científica — muitas sociedades do passado guiaram-se por calendários muito diferentes do actual calendário gregoriano, acabando este por se generalizar no mundo ocidental devido à sua maior perfeição em relação aos movimentos naturais de rotação e translação da terra. No entanto, se for descoberta/inventada outra forma de medir o tempo, ainda mais perfeita, esta se extinguirá. Acontece isto com todas as formas de medir a natureza, mas algumas são de tal forma lógicas, que são tidas como arquétipos — dois mais dois são quatro em todo o mundo, mas existem várias formas de linguagem, como várias formas de numeração e certamente várias formas de cálculo.

As descobertas científicas acontecem algumas vezes por mero acaso, e normalmente após aprofundados estudos. Cada nova descoberta é influenciada pelas anteriores e vai influenciar as posteriores, como que num ciclo evolutivo multiplicativo. A história da evolução científica relata-nos longos períodos no passado para a aceitação de uma nova verdade científica, tendo a grande maioria das descobertas acontecido nos séculos mais recentes. Actualmente, nos muitos laboratórios industriais e das universidades espalhadas por todo o mundo são permanentemente feitas novas descobertas científicas.

O conhecido método científico define como funciona a ciência. A formulação de questões só é possível quando temos dúvidas e quando nos interrogamos. A elaboração de hipóteses só é possível quando temos matéria para observarmos e nos dedicamos a isso. A verificação das hipóteses só é possível quando existem medidas previamente estabelecidas e aplicáveis, ou constância de características que permitem a criação de medidas novas ou ocasionais para que todas as variáveis conhecidas sejam controladas. E a obtenção de resultados e formulação de conclusões só é possível quando os três passos anteriores são concluídos de forma clara, inequívoca, indubitável e repetível.

Assim, sempre que não temos dúvidas e não nos interrogamos, sempre que não temos matéria para observar, sempre que não temos medidas nem as podemos criar, e sempre que as conclusões são obscuras, duvidosas, e não é possível repetir o estudo para que se possa replicar qualquer coisa, essa coisa não existe cientificamente.

E é aqui que encontramos os limites da ciência. Porque tudo o que foi provado cientificamente, já existia antes de o ser. E tudo o que existe e não está provado cientificamente, pode não existir realmente ou pode não existir até ser provado pela ciência. E todos sabemos que existem muitas coisas concretas que a ciência não explica: ainda não é possível prever exactamente o estado do tempo; ainda não é possível prever sismos: ainda não é possível conhecer o código genético completo de uma pessoa; ainda não se conhecem as verdadeiras causas da homossexualidade; ainda não se descobriram vacinas para o cancro e para a sida; ainda desconhecemos a finalidade dos sonhos; ainda sabemos pouco sobre o funcionamento e capacidade do cérebro humano; ainda não sabemos se existem extraterrestres; ainda não sabemos de onde vimos nem para onde vamos — isto são só alguns dos inúmeros exemplos que provam a nossa ignorância científica perante a vida.

Estes são exemplos que a ciência não clarifica, mas procura clarificar e admite a sua ignorância. No entanto existem outros que a ciência nega categoricamente, mas que são realidades absolutas para muitas pessoas, tais como as crenças populares e as superstições, as medicinas alternativas e os fenómenos parapsicológicos, as seitas religiosas e os rituais culturais, a fé e Deus.

Só o futuro dirá se a ciência se vai impor negando todas estas realidades e originando um mundo completamente compreensível e racionalizado, ou se todas estas realidades irão influenciar a ciência de forma a tornar possível a sua medição e aprovação científica. Só o futuro dirá se Deus vai deixar de existir ou se a ciência o vai provar cientificamente.

Provavelmente não acontecerá uma coisa nem outra. A evolução do conhecimento científico acaba por aceitar a teoria da relatividade e a física quântica, em que uma nova descoberta ou um novo dado pode influenciar toda a percepção do passado, deitando por terra as conceptualizações cientificamente testadas — repare-se que a nave espacial “Challenger” possuía a mais elevada tecnologia, e era testada pelos mais proficientes especialistas e, no entanto, tudo se perdeu. Por outro lado, cada vez mais nas universidades proliferam cursos relacionados com as ciências sociais, humanas e religiosas.

É que o homem é um ser natural e criou a ciência a partir da sua natureza. E por muito que entre em contradição negando parte de si mesmo, a verdade é que acaba por voltar à sua natureza. O homem é um todo e a ciência é apenas parte dele.

A honra, o orgulho, o respeito, a dor, o amor, a paixão, a alegria, a tristeza, o desejo, a ambição, a fama, a vaidade, o luto, a saudade, a vontade, a angustia, o medo, o ódio, a inveja, o desespero, a fé, e muitos outros sentimentos e valores humanos, não se podem medir numa escala objectiva científica e isso não os torna inexistentes. Da mesma forma que a altura, a raça, o sexo, a cor dos olhos, a forma dos cabelos, a estatura, o grupo sanguíneo, o código genético, o nome, a idade, o estado civil, a profissão, a religião, o número do cartão de identidade, o número fiscal, o número de eleitor, e muitos outros números e escalas objectivas de identificação provadas cientificamente, por si só, não chegam para concluir a existência real de um ser humano.

Tudo o que existe concreta e objectivamente, e cientificamente testado, é importante para o desenvolvimento humano, e para que o homem se compreenda a si próprio e tudo o que o rodeia. No entanto, por mais evoluída que esteja a ciência, o seu impacto no ser humano nunca será superior a metade da sua globalidade, porque o homem é uma unidade dualística, de corpo e alma, físico e espiritual.

E toda a criação científica, tecnológica e artificial, foi originada a partir da natureza, não ultrapassou os limites impostos pela natureza, e apenas criou condições de adaptabilidade, segurança, bem-estar, prazer e relativo domínio do homem em relação à própria natureza, mas nunca eliminando ou substituindo princípios naturais básicos para a sobrevivência humana, como as necessidades biológicas.

A ciência apenas permitiu ao homem que se distanciasse dos outros animais possibilitando-lhe uma vida com autoconhecimento, autocontrolo e dignidade. É sempre uma possibilidade — mas nem sempre uma realidade.

 

 

 

 


publicado por sl às 03:34
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