Sábado, 9 de Junho de 2007

Civilização

CIVILIZAÇÃO

 

 

Civilização é um estado social relativamente organizado e estruturado, composto de um elevado número de indivíduos que se relacionam interagindo.

Todas as civilizações são humanas porque consistem, para além da garantia da sobrevivência natural da humanidade, numa estrutura organizada de vida em sociedade consciente, e não apenas instintiva, ainda que o seu nível de desenvolvimento seja pobre.

As primeiras civilizações surgiram quando o homem, após o uso dos primeiros utensílios e o domínio do fogo, e após a criação da linguagem, deixou de ser nómada e tornou-se sedentário, dedicando-se à criação de animais e à agricultura.

A linguagem e a escrita, a religião e o culto aos mortos, o desenvolvimento económico e tecnológico, e o desenvolvimento artístico, cultural e científico, são as características principais de uma civilização.

Todas as civilizações fazem parte da história humana. Todas nasceram naturalmente e pela influência humana e existiram ou existem sedeadas em alguma parte da geografia terrestre. E todas tiveram ou têm uma evolução, uma história particular e um fim.

Cada civilização humana existe como cada pessoa — nasce com heranças das anteriores, tem um crescimento, um auge e um envelhecimento, e deixa de existir deixando heranças às posteriores. E em cada nova civilização, como em cada nova pessoa, é dado um passo no crescimento humano.

As características de uma civilização, devido às heranças de civilizações anteriores, devido à localização geográfica, e devido à capacidade intelectual do seu povo, tornam-na mais ou menos expansiva — uma civilização com tradições guerreiras e exploradoras crescerá e submeterá as outras ao seu domínio absorvendo-as ou aniquilando-as. Por serem dependentes do ambiente natural, poderão ser também extintas naturalmente. Muitas civilizações do passado ficaram perdidas para sempre na história, como muitas pessoas são insignificantes perante a sua civilização.

Toda a história humana é feita de civilizações sucessivas formando um continuo diversificado, onde pelo meio umas ficam pelo caminho, outras convergem ou divergem em relação ao sentido principal da história global, não sendo possível provar se o homem teve uma origem comum, espalhando-se por toda a Terra, ou se teve várias origens geográficas que acabaram por se unirem devido ao desenvolvimento.

O mundo actual é composto por várias civilizações. Existem ainda pequenas civilizações primitivas em alguns pontos do globo, nomeadamente em África, na América Latina e na Ásia e Oceania. Algumas civilizações orientais e Árabes têm também uma existência de grande consistência e poder. Mas a civilização que domina é a civilização ocidental — uma civilização originária da velha Europa, mas que cresceu diversificando-se em todos os níveis, sendo constituída por várias linguagens, várias religiões e até várias etnias ou raças, mas que cresce efusivamente devido à sua grande característica: o capitalismo.

Toda a história refere os movimentos civilizacionais no sentido da conquista de poder. A civilização ocidental movimentou-se pela conquista do espaço geográfico para a obtenção de poder económico. O capitalismo vai invadindo suavemente todas as sociedades. A seguir-se esta tendência, a evolução deparará com uma situação totalmente inédita: pela primeira vez na história conhecida, uma só civilização ocupará todo o espaço geográfico terrestre. Resta saber se após a conversão dos últimos resistentes ao capitalismo, se o mundo vai entrar em retrocesso, se vão ser criadas novas formas de poder, se o poder capitalista se vai manter com conquistas e exploração fora do planeta, ou ainda, se vai acontecer qualquer coisa que ninguém é capaz de imaginar.

 

 

 

 


publicado por sl às 03:30
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Terça-feira, 8 de Maio de 2007

Bem

BEM

 

 

Bem é tudo o que nos é benéfico. Tudo o que contribui para a nossa felicidade e para a realização da nossa vida.

Tudo o que desejamos, que necessitamos e que possuímos, se é do nosso agrado, é bem para nós.

O bem, ou um bem, pode existir das mais variadas formas, ou por outras palavras, podem existir vários tipos de bens. Os bens essenciais à vida são, sobretudo, de ordem natural. A luz do sol, o ar que respiramos, a água que bebemos, e todos os alimentos — ainda que transformados — são exemplos de bens naturais sem os quais a vida era impossível. Além dos bens essenciais à vida, existem outros tipos de bens naturais extremamente importantes para a vida humana, que ao longo dos tempos foram sendo cada vez mais explorados pelo homem, de forma a permitir que este se tornasse civilizado e poderoso perante os demais seres vivos. O homem civilizado é aquele cujo comportamento é lógico e ordenado, sem obedecer cegamente às leis da natureza.

Este comportamento civilizado requer uma nova quantidade de bens de diversas origens, mas com a característica comum de terem sido criados pelo próprio homem. São eles, os bens materiais artificiais — tudo o que facilita a vida moderna, como máquinas e equipamentos; os bens sociais — tudo o que possibilita a vida em sociedade, como a organização civilizada de um povo, a assistência social, o planeamento familiar, o apoio aos desfavorecidos, etc.; os bens culturais — tudo o que enriquece a sociedade em diversos planos, como o artístico (teatro, cinema, música...), desportivo (campeonatos e competições), recreativo (diversões e passatempos), religioso, político, educativo e etc.; os bens espirituais — tudo o que eleva o homem pela sua sensibilidade interior, como a criatividade, a dedicação e a satisfação, que são bens espirituais que existem inter-relacionados com os bens psicológicos — tudo o que caracteriza o homem como ser pensante (conhecimento, educação, justiça, liberdade, dignidade...) e como ser emocionável (paixão, amor, amizade, ansiedade, saudade...).

Esta classificação de bens não pode ser lida de uma forma taxativa, até porque todos compreendem uma enorme subjectividade. Repare-se que exceptuando os bens naturais essenciais à vida, todos os outros são produto da criatividade humana e obedecem a escalas de valores que diferem conforme o desenvolvimento e entre grupos, classes, etnias, civilizações e padrões culturais.

Um bem pode ter relativa e simultaneamente diversos valores. Pode ter extrema importância individualmente e nenhuma colectivamente. Pode ser de forte valor espiritual para uns e de forte valor material para outros. Pode ser real para uns e imaginário para outros — um bem que não possuímos não deixa de ser um bem. E pode ainda ser, alimentar, ambiental, supérfluo, de primeira necessidade... Pode existir eternamente ou num momento exacto. Pode ser claramente definido ou apenas abstractamente idealizado. Tudo depende da implicação que tem em quem o classifica, tendo em conta o contexto em que se situa.

O dinheiro começou por ser um bem para facilitar a troca de outros bens, apenas materiais, e aos poucos vai sendo usado na troca de quase todos os outros tipos de bens.

Alguns bens foram originados não pela vontade humana, mas pela necessidade que os humanos tinham em usufruir de uns segundos bens que implicavam a existência dos primeiros. Um medicamento não se toma por prazer, mas para conseguir saúde. Porque só com saúde se consegue trabalhar. Uma boa parte das pessoas trabalham não gostando do que fazem, mas porque só trabalhando alcançam outros bens.

O bem tanto pode ser o produto final como o meio que contribui para ele. Tudo depende de quem o classifica. O bem só é bem se quem o classifica assim o considera conforme as suas necessidades, conceptualizações e ideologias mentalizadas. Cada um é que sabe qual o valor que cada coisa tem para si, isto é, quanto o beneficia.

A existência do bem só é possível a par da existência do mal. Se uma coisa não é nula nesta escala de valores, ou nos beneficia ou nos prejudica. O bem de uns, muitas vezes, só e possível com o mal dos outros. O bem e o mal confundem-se porque são dois opostos que se complementam. Um bem anterior pode ser a origem de um mal posterior e vice-versa.

O bem e o mal são as duas faces de uma moeda em constante movimento. Só uma face nos torna felizes. Mas a vida compõe-se das duas.

 

 


publicado por sl às 16:25
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