Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Inconsciente

 

INCONSCIENTE

 

 

 

 

Entende-se por inconsciente toda a actividade existente no nosso cérebro que está fora do nosso domínio racional.

 

Tudo aquilo que nós fazemos sem nos apercebermos que estamos a fazer, tal como respirar, ver, ouvir, tactear, cheirar, saborear, dormir, sonhar, etc; e todos os sentimentos físicos e emocionais como sentir dor, sentir frio e calor; sentir fome, sede e sono; sentir cansaço, comichão e arrepios; sentir admiração, medo e repugnância; corar, transpirar, tremer, suspirar, bocejar e chorar; sentir prazer e ódio; sentir gosto, desejo, saudade e compaixão; sentir amor; sentir constrangimento, arrependimento e orgulho; sentir excitação e alegria, depressão e tristeza; tudo isto e muito mais são reacções produzidas no nosso corpo devido a ordens dadas pelo nosso cérebro inconscientemente, embora posteriormente possamos ter consciência disso.

Os sentidos podem ser usados por nós conscientemente ou inconscientemente — podemos procurar uma coisa para a ver ou podemos ver uma coisa que nos desperta interesse sem a termos procurado — mas os sentimentos, sensações ou emoções são reacções originadas inconscientemente. É o inconsciente existente no cérebro que determina o limite máximo de temperatura que o corpo pode receber, e ao atingir esse limite “dispara um alarme” que avisa a consciência que se tem que evitar o calor. Assim como para todos os limites do corpo. Se não obedecermos conscientemente às ordens vindas do cérebro — produzidas do inconsciente para o consciente — acabamos por obedecer inconscientemente e inconscientes. O nosso inconsciente domina o nosso consciente e o consciente tem que respeitar as ordens vindas do inconsciente. Se o inconsciente nos diz “não podes mais”, e nós conscientemente dizemos “ainda posso mais”, poderemos ainda mais certamente, porque o inconsciente avisa-nos com uma margem de segurança, mas se continuarmos a insistir, o inconsciente continua-nos a avisar, e, ou paramos enquanto é tempo de recuperar ou atingimos os limites e ficamos inconscientes, ou podemos até morrer.

O inconsciente humano é formado por duas grandes vertentes sentimentais. Existem os sentimentos físicos que são memorizados no inconsciente através dos sentidos e que provêm da natureza, do homem como animal, irracionalmente e inconscientemente — como a dor, a fome, o frio — análogos a todos os outros animais, e existem os sentimentos humanos, também memorizados no inconsciente, e também através dos sentidos, mas estes passaram primeiro pelo consciente ou consciência. Os sentimentos humanos não são inatos como os físicos, mas pelo contrário, aprendem-se. Aprendem-se pela educação (cultura/religião) e valorizam-se ou não na consciência. Conforme se valorizarem na consciência, é também assim que ficam memorizados no inconsciente. E será conforme esses valores que o nosso inconsciente nos vai alertar. No entanto o nosso inconsciente regista tudo, e se nós agora pensarmos de uma forma oposta à que pensávamos no passado, em relação a determinado assunto, se o inconsciente tiver que nos enviar alguma mensagem relacionada com esse assunto, tanto pode corresponder ao que nós agora pensamos como opor-se. E uma mensagem oposta ao nosso consciente provocará conflito [dissonância cognitiva] — se eu não quero chorar e sei que não devo chorar perante determinada situação mas não consigo deixar de o fazer, significa que o inconsciente está a dominar.

Nós devemos respeitar o inconsciente, pois ele é poderosíssimo e não o devemos desafiar, pois ele vencerá sempre. É-nos muito útil na nossa protecção e equilíbrio pessoal, mas nós apenas devemos dar-lhe valor no que respeita aos avisos que ele nos faz. Devemos valorizar mais a consciência.

O nosso consciente, ao contrário do inconsciente, é tudo a que temos acesso pelo cérebro, em perfeito estado de raciocínio, vigilantes e alertas. Quanto mais perfeita, forte e segura, for a nossa consciência, mais estaremos conscientes, e logo, menos possibilidades damos ao inconsciente de intervir.

O inconsciente é importante porque nos defende dos perigos e nos guarda toda a informação do nosso passado. Tem uma capacidade infinita se pensarmos que cada segundo o nosso cérebro recebe dezenas de estímulos ou mensagens, permanentemente, sendo a maior parte delas armazenadas directamente na memória inconsciente, sem nos apercebermos delas.

Mas a nossa vida de humanos, racionais, e conscientes do que somos, tem que ser vivida com consciência, raciocínio, sabedoria, inteligência e saúde. Se nós não temos essa segurança que nos vem da consciência, deixamos caminho aberto para o inconsciente.

Teorias dizem que o nosso cérebro funciona noventa e cinco por cento inconscientemente e apenas cinco por cento conscientemente. Nós vivemos racionalmente com essa pequena percentagem. Se estivermos inseguros, deprimidos, doentes, ou em qualquer estado de consciência alterada, então o inconsciente apodera-se dela e manifesta-se, das mais diversa formas. E se não recuperarmos a consciência viveremos inconscientes, com uma personalidade alterada e demente.

O inconsciente é irracional, os animais também o têm. O consciente é racional, só os humanos têm consciência daquilo que são. É na racionalidade e consciência que nos diferenciamos dos animais, mas por muito racionais que sejamos, o nosso inconsciente será sempre maior que o nosso consciente, porque antes de nós pensarmos, já sentimos, e antes de nós sermos humanos, somos animais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


publicado por sl às 00:21
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Sábado, 21 de Julho de 2007

Desejo

DESEJO

 

 

Um desejo é uma necessidade psicológica. É uma necessidade criada pela psicologia e pela criação artificial humana para a sua satisfação e bel-prazer, que está para o homem da mesma forma que qualquer outra necessidade vital está para qualquer outro ser vivo.

Qualquer ser vivo — animal ou planta — necessita de água para sobreviver. A natureza criou os dois — seres vivos e água — com uma relação de dependência organizada e involuntária.

O ser humano — animal racional, dotado de consciência — além de dependências vitais relacionadas com a própria natureza, criou, com a sua inteligência, novas necessidades de carácter humano, umas mais aproximadas da própria animalidade e outras puramente espiritualizadas, que podem ser vastas, confusas, e consideradas de vários pontos de vista.

A diferença entre uma necessidade e um desejo é que uma necessidade é de origem natural, involuntária e instintiva, e um desejo é de origem humana, voluntária e consciente. Todos os seres vivos têm necessidades, e o ser humano, como tal também as tem, mas só o ser humano tem desejos.

A supremacia do ser humano sobre todos os outros seres vivos e o facto de apenas ele ser dotado de consciência, fez com que entendesse todos os seres que o rodeiam conforme a sua própria concepção de vida. Um animal não pensa, mas o homem atribui-lhe pensamentos conforme os seus, porque também ele (homem) sente (dores físicas) como o animal. O animal necessita de água, mas o homem diz que ele deseja água. Só os humanos têm desejos porque só os humanos têm consciência.

Por exemplo: sexo e amor. Cada um e ambos podem ser a mesma coisa. Mas sexo todos os animais necessitam e amor só o homem deseja. O sexo dos animais é periódico e instintivo. O amor humano é regulado e racional. Ou regulável e racionável porque muitos desejos se confundem com necessidades, como o sexo se confunde com o amor. Como muitos valores naturais se confundem com valores humanos, porque o homem é um ser com uma dualidade complexa de animal-físico-instintivo e humano-espírito-consciente.

Todos os desejos foram criados pelo homem e inspirados por um lado nas suas próprias necessidades naturais (fome, sede, carinho, companhia, ternura, segurança, sexo, e tudo o que todos os seres vivos necessitam), e por outro lado nas suas criações artificiais (fama, orgulho, honra, glória, sucesso, poder, e todos os bens materiais artificiais).

O homem nasceu com necessidades, depois criou os desejos, e depois transformou os desejos em necessidades. Ninguém necessita de dinheiro por natureza — não alimenta nem sacia a sede — mas a vida humana desenvolvida é tão artificial que quem não tiver dinheiro não consegue viver — porque tudo se compra e tudo se vende. Através da evolução, por ser colectiva e inconsciente, o dinheiro passou de um desejo de alguns a uma necessidade de todos. Também quando se deseja qualquer coisa em demasia, a não satisfação desse desejo pode causar efeitos emocionais e orgânicos no corpo que podem originar um estado de doença, e logo, é criada uma necessidade fundamentada num desejo.

Um desejo é consciente e controlável, mas se não tivermos consciência disso, poderemos transformá-lo numa necessidade, se não quisermos ou não podermos controlá-lo.

A consciência gera o desejo que se pode controlar, a par e em relação ao inconsciente, que gera uma necessidade que é incontrolável.

Desejar é querer ter. Necessitar é ter que querer.

 

 

 


publicado por sl às 12:31
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Sábado, 7 de Julho de 2007

Consciência

CONSCIÊNCIA

 

 

A consciência é um conjunto de dados — informação, conhecimentos, sabedoria — que cada pessoa recebe do exterior através dos sentidos e recebe do interior através da experiência pessoal pelos sentimentos e pensamentos, e que selecciona, organiza e armazena na memória, cujo suporte físico é o cérebro, num local acessível a qualquer momento, sempre que desejar, pois é com esses dados que orienta a sua vida.

É com os dados que cada pessoa tem na sua consciência que a mesma vive na prática, ao tomar decisões, fazer planos, produzir trabalho, conviver, evitar o perigo, defender-se e divertir-se.

A consciência é registada numa pequena parte da memória, localizada no cérebro e constituída biologicamente por células – neurónios — em que cada uma grava um dado, e as ligações entre elas por correntes eléctricas formam as ideias que uma vez exteriorizadas determinam as atitudes e os comportamentos.

Nascemos com a consciência nula. O cérebro vai-se formando e possivelmente ainda no útero já recebemos informação. Aos poucos o cérebro evolui e vamos introduzindo mais dados. Primeiro recebemos dados dos pais, depois dos amigos de escola e professores. Vamos sempre preenchendo a memória com dados de livros, dos órgãos de comunicação, dos mais velhos, de toda a sociedade e da própria natureza.

Todos os dados ficam registados na memória. A memória divide-se em duas partes principais: a maior parte é inconsciente, e a consciência ocupa uma pequena parte. A dividi-las encontra-se uma parte intercalar de transição, que é subconsciente ou pré-consciente. Os dados ao serem registados na memória podem entrar directamente para o inconsciente — e só inconscientemente lhes temos acesso — ou passam pelo consciente e são analisados. Se interessam ficam guardados na consciência para serem usados. Se não interessam esquecemo-nos deles, que é o mesmo que passá-los para o inconsciente. Os dados com os quais vivemos quotidianamente são os da consciência, que é a parte pequena da memória, mas a mais importante para a vida racional.

Assim, a nossa consciência só é aquilo que nós quisermos que ela seja, se soubermos seleccionar correctamente os dados. Ou então, é aquilo que os outros quiserem, porque, antes de nós sabermos que temos consciência, já os outros a estão a preencher e a moldar, introduzindo-nos dados conforme as conveniências deles. E desta forma, muitos terminam a vida sem terem consciência de que a consciência é assim.

Como o homem é um ser social, criou uma consciência colectiva, feita de regras que são introduzidas na consciência de cada um para o bem de todos — mas às vezes só de alguns.

Perguntaram a alguém porque existiam escravos e homens livres, e aquele respondeu que haviam escravos e homens livres da mesma forma que haviam cães e gatos. Se um homem foi “programado” pelos outros para ser escravo e nunca tiver dados que lhe indiquem que pode ser livre, ele continuará sempre escravo, consciente de que o é e não pode ser livre — e até pode ser feliz.

Muitas pessoas vivem conscientemente felizes apesar de terem uma consciência formada com dados irreais, que seleccionaram ou em que acreditam, e que são as bases das vidas delas.

Os problemas de consciência existem sempre que alguém não sabe seleccionar os dados que quer na consciência, e assim, ou não tem em que acreditar — não tem organização consciente — ou registou dados que falharam e fica “perdido” sem saber em que acreditar.

O que registamos na consciência, consciente ou inconscientemente, é aquilo em que acreditamos, e é o que nos vai guiar durante a vida.

E nós estamos constantemente a mudar a consciência, seleccionando novos dados e passando outros para o inconsciente. Umas vezes inconscientemente — outras vezes mudamos a consciência com consciência.

 

 

 

 

 

 


publicado por sl às 12:22
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