Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007

Família

FAMÍLIA

 

 

A família é um conjunto de pessoas que partilham em comum alguns aspectos de intimidade. Tem como objectivo principal a organização entre adultos de forma a permitir a sobrevivência dos recém-nascidos. É uma organização natural que assegura a continuidade da espécie humana.

Mas a família é entendida das mais diversas formas.

Atribui-se a origem da família às reuniões antigas dos escravos ou criados em volta do seu chefe, dai nascer o chefe de família, e também à necessidade de organizar grupos para cultivar a terra quando os alimentos naturais escasseavam. Mas não serão estes os verdadeiros sentidos da família actual.

A família natural, análoga em todas as espécies animais, começa quando todos os seres jovens, no despertar da sua sexualidade, começam a sentir atracção pelo sexo oposto, com vista ao acasalamento. Qualquer casal, após a fase preliminar necessária para garantir correspondência quanto à disposição do corpo, pela excitação, acaba por copular. A cópula visa a concepção. Durante o período de gestação, a fêmea torna-se frágil até algum tempo após o nascimento do descendente. O macho, por sua vez, devido à afectividade que ganhou, causada pelo prazer sexual, protege-a, primeiro a ela, e depois também o recém-nascido. A desunião só acontece quando o novo ser sobrevive pelos próprios meios.

É assim com todos os animais, e com os humanos também. Mas os humanos, como são inteligentes, adaptaram a natureza às suas ideias artificiais. E da mesma forma que se alimentam não quando têm fome, mas nas horas marcadas para refeições, também não constituem família para garantir descendência mas para os mais variados fins.

A união natural — inevitável — apenas serve de base a todos os enquadramentos que estruturam a sociedade humana. A família é o primeiro e o último grau da sociedade humana, porque, por um lado, toda a sociedade tem uma componente familiar na sua estruturação, e por outro lado, todos os indivíduos pertencem a alguma família.

Assim, a família humana é importante não só para gerar descendentes, mas também para garantir segurança e entreajuda mútua, porque ao ser uma união de pessoas, faz mais força e gera mais poder. Serve também para proteger os mais desprotegidos, nomeadamente doentes e idosos, para além das crianças. Serve de base fundamental na transmissão de valores ideológicos, éticos e religiosos, pela educação. É também a base da organização social. Parte da família ou é a ela direccionada toda a sistematização política e económica, nomeadamente a concepção de direitos, liberdades e garantias. As regras da moral e ética, tradições e bons costumes, assim como as regras económicas, das heranças, impostos, consumo e propriedade de bens, estão também inter-relacionadas com a família.

Todos estes critérios levam à definição do que é uma família, onde começa e onde acaba, mas são de origem humana — artificial. A história descreve-nos muitas definições distintas da família: o chefe de família já foi a mulher; os idosos já foram abandonados para morrer; os filhos deficientes já foram assassinados; a poligamia e a poliandria já existiram; o casamento incestuoso e homossexual já existiu; o adultério masculino já foi aclamado; o casamento civil já foi proibido; o concubinato já foi admitido; etc; etc.

Todas estas variantes nas relações familiares e ainda muitas mais, já existiram e foram legais. A família apenas é o que a sociedade quiser que ela seja, apesar dessa decisão ser parcialmente inconsciente.

Apesar da família ser a grande fomentadora dos principais laços humanos, também é, por vezes, grande motivo de conflitos. O acto fundamental da construção familiar é o casamento. Qualquer pessoa ao casar passa a considerar o cônjuge, a pessoa mais importante da sua vida, sobrevalorizando-o em relação aos pais, não obstante, estes terem-na gerado e criado, e o cônjuge por vezes ser quase um desconhecido. E é desse desconhecido que vão ser gerados novos filhos e nascer nova família.

A família nasce no amor. E do amor nascem os filhos. Quando os filhos crescem, a chama do amor apaga-se. Talvez esta realidade seja a causa da elevada percentagem de infidelidade e divórcios, ainda que muitos casamentos sejam eternos e muitas famílias permaneçam unidas por outros motivos.

E o amor paternal, só os verdadeiros pais o sentem, e só eles o consideram demasiado aprazível e demasiado sublime para ser descritível.

 

 

 

 

 


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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007

Emoções

EMOÇÕES

 

 

As emoções são exteriorizações dos sentimentos.

O ser humano é o ser mais evoluído por natureza. Possui um corpo que compreende partes exclusivamente animais e partes exclusivamente humanas. Quase todos os órgãos do corpo humano são anatomicamente análogos aos dos outros animais da sua classe. Apesar de alguns animais possuírem alguns órgãos com capacidades maiores que os humanos, estes, possuem um conjunto anatómico desenvolvido que ultrapassa todas as capacidades de todos os outros.

Resultado de milhares e milhares de anos de evolução natural, o aparelho vocal humano que produz dezenas de fonemas e o seu cérebro que os memoriza, formaram o duo ideal para a criação da racionalidade. Falar e pensar, e memorizar o que se pensa e fala, só o homem consegue.

Então, a racionalização humana criou novos valores, novas ideias e novas realidades. E essas novas realidades reforçaram o crescimento de outras. A linguagem obriga ao desenvolvimento do cérebro e vice-versa, e ambas obrigam ao desenvolvimento de todo o corpo humano. Os sentidos humanos tornaram-se os mais desenvolvidos — o apuramento do paladar, olfacto, audição, e principalmente do tacto, são muito desenvolvidos no homem, assim como a visão, nomeadamente na sua sensibilidade às cores.

Todos estes aspectos criarem novas necessidades ao ser humano, incluindo as formas de expressar, não só o que sentiam pela sua natureza animal, mas também o que sentiam pela sua capacidade de criação mental. Por essa razão, a natureza dotou o ser humano de características únicas, como a capacidade de corar porque mente, chorar porque está triste e rir porque está alegre. Ou corar, chorar ou rir pelos mais diversos motivos.

Qualquer sentimento emocional é um acumular de tensão que tem origem em tudo o que nos rodeia ou em nós próprios e vai contra a nossa capacidade de reacção ou de compreensão. As emoções são a forma de esvaziar essa tensão.

Os animais não têm compreensão, por isso não têm sentimentos, por isso não acumulam tensão emocional ou nervosa, e por isso não riem nem choram.

O choro e o riso — diferentes e iguais, porque a chorar também se ri e a rir também se chora — são as formas de expressar os sentimentos ou as emoções. São as formas de libertarmos as tensões acumuladas por sermos humanos. Se uma pessoa tem vontade de fazer alguma coisa, mas não a faz porque a consciência — a sociedade, a cultura, a religião, a lei e tudo o que é de origem humana — não permite, aí vai ser criada uma tensão emocional que pode ser expressa das mais variadas formas: com depressão, com violência, com apatia, e acompanhada normalmente com tristeza por ser uma tensão negativa. Da mesma forma, se uma pessoa é aclamada por algo que não esperava, ou se sente uma satisfação superior à imaginada, fica também sem conseguir compreender e reagir. Acumula igualmente tensão que precisa ser igualmente esvaziada pelas emoções — agora de alegria. É o regresso do corpo ao equilíbrio saudável.

As inúmeras concepções humanas causadas pela racionalização — honra, orgulho, respeito, desejo, ambição, esperança, ansiedade, saudade — são a causa das emoções. O cordeiro tem medo do lobo faminto, e foge ou morre. O homem também tem medo do lobo faminto, mas sabe que o tem, e por isso, ou se protege e perde o medo, ou não se protege e como sabe que o lobo o vai atacar, acumula ainda mais medo.

As emoções existem devido à alteração que a consciencialização humana fez da natureza. Os humanos reagem a tudo de uma forma artificial, que pode ser melhor ou pior, pois não têm medo do que é perigoso, mas do que eles pensam que é perigoso. E reagem a tudo conforme a sua concepção da realidade. Um motivo de alegria numa cultura pode ser motivo de tristeza noutra.

Os animais nada compreendem e por isso não têm sentimentos nem emoções. Nós temos sentimentos e emoções porque compreendemos umas coisas, mas não compreendemos outras. Se nós compreendêssemos tudo, também não teríamos emoções. As emoções estão intimamente ligadas ao desconhecido, ao duvidoso, ao ambíguo e ao incerto. Não existem emoções referentes àquilo que nós conhecemos ou desconhecemos totalmente. O que é totalmente consciente e totalmente inconsciente não emociona — nem se emociona.

O homem provém do animal, evolui no sentido de largar o inconsciente e atingir o consciente. Resta saber se algum dia vai ser predominantemente consciente já que não o consegue ser totalmente, porque tem um corpo natural biológico. E como no passado longínquo, o homem só passou a ser homem quando herdou a consciência, também no futuro, se o homem perdesse a inconsciência deixaria certamente de ser homem.

Porque o homem é homem enquanto for simultaneamente consciente e inconsciente e se emocionar.

 

 

 


publicado por sl às 00:31
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