Sábado, 1 de Setembro de 2007

Economia

ECONOMIA

 

 

A economia é o motor da sociedade humana. Tudo roda em volta da economia.

No passado a terra era grande e o poder estava nos deuses. Mas aos poucos foi-se conquistando e passou a ser pequena, e o poder passou a estar nas mãos dos homens que a possuíam e dominavam.

O domínio das terras e das riquezas que delas se extraía e produzia, atribuiu poder aos homens. A uns sobre outros. Uns que eram os donos das terras e outros que eram os que as trabalhavam.

Criaram-se os mercados para se trocarem os produtos produzidos e criou-se o dinheiro para facilitar essas trocas.

Depois criaram-se as indústrias para transformarem os produtos produzidos e extraídos das terras. Com essa transformação criaram-se novos produtos, que precisavam de ser distribuídos por quem não os produzia. Nasceu o comércio aliado aos serviços, e tudo se produz e comercializa para obter mais dinheiro e poder.

A economia acabou por englobar todas as áreas da sociedade humana. Tudo se vende e tudo se compra. Tudo se troca por dinheiro e o dinheiro é que dá o poder porque com ele tudo se pode obter.

A economia originou os mercados de valores, onde todos os dias muito capital muda de mãos com a compra e venda de valores que nem os próprios investidores chegam a saber o que representam materialmente.

A economia transformou-se numa realidade complexa — quase virtual — onde cada um se preocupa com o dinheiro que tem e com o que pode ou deseja gastar, e onde todos condicionam as tendências dos inúmeros gráficos que permanentemente são indicadores da evolução económica. — O produto interno bruto, as taxas de juro, os índices bolsistas, os impostos, a inflação, os câmbios, o desemprego, o poder de compra e muitos outros indicadores são permanentemente estudados pelos economistas para actuarem no sentido de intervirem com medidas políticas, financeiras ou empresariais, de forma a que o crescimento seja o maior possível, e o decrescimento, quando inevitável, seja o menor possível.

Cada país tem a sua economia conforme a evolução económica, política e social do seu passado recente.

  Apesar do crescimento económico mundial ser actualmente inquestionável, ao nível local, regional ou nacional não se passa o mesmo. Muitos factores podem interferir bruscamente na estabilidade económica de um país, sendo as catástrofes naturais e as guerras, os mais ameaçadores.

Na economia, como em tudo na vida, os ganhos ou lucros de uns são perdas ou custos de outros. A estabilidade política, económica e social, de todos os parceiros de uma comunidade é a garantia de crescimento, porque com negociações, todos crescem, ainda que o crescimento seja menor.

 

 

 


publicado por sl às 00:57
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Domingo, 19 de Agosto de 2007

Dinheiro

DINHEIRO

 

 

O dinheiro é a invenção dos homens que mais transformou a sua vida. Foi inventado para facilitar as trocas comerciais e acabou por servir de valor que representa quase todos os outros valores.

Quando surgiram os primeiros mercados, há alguns milhares de anos, os negócios eram feitos trocando-se os produtos uns pelos outros. Um mercador teria que ter um produto para vender que outro desejasse comprar, e este, por sua vez, teria que ter outro produto para vender, que o primeiro desejasse comprar. Reunir estas condições tornava-se muitas vezes difícil, dai que surgiu a necessidade de criar um terceiro produto, diferente, cuja finalidade fosse poder ser trocado por todos os outros. Criou-se então o dinheiro.

O dinheiro é algo de simbólico que existiu e existe representado materialmente das mais diversas formas. Em moedas de diversos metais, em notas de papel (papel-moeda), em vales, em letras, em cheques, em títulos e em registos informáticos, quase imaterialmente, movimentado por digitalização e bandas magnéticas ou chips electrónicos, só visível o seu valor em monitores ou extractos impressos.

O dinheiro por si só não tem qualquer valor, mas como tudo se pode trocar e pode ser trocado por ele, então, por isso, o dinheiro é a coisa que mais tem valor.

Mas o dinheiro só tem valor quando cotado numa sociedade organizada, com leis de mercado que garantem que quando recebido na venda de um produto, está registado e conforme as leis, de forma a poder ser utilizado na compra de outro produto, e assim sucessivamente.

Nos primórdios do mundo económico — simples economias locais onde se vivia em comunidade — quem possuísse um produto em excesso dividia-o por quem tivesse falta dele. Tudo se dava e tudo se dividia mútua e amigavelmente, naturalmente uns mais, outros menos. Mas os mercados evoluíram. Aumentaram as trocas de produtos e passaram a haver pessoas a viver exclusivamente dessas trocas, comprando a uns e vendendo a outros — os comerciantes.

O mundo continuou a evoluir, existiram grandes progressos científicos, sociais e económicos. Foram criados os bancos e outras instituições de crédito. Grandes mercados começaram a funcionar à escala mundial. Até que o próprio dinheiro começou a ser comprado e vendido, devido aos diferentes valores que lhe são atribuídos.

O progresso faz aumentar a riqueza mundial, mas faz também aumentar a população. Cada vez mais os bens têm que ser distribuídos por cada vez mais pessoas, e logo, cada vez mais cada pessoa tem menos — com a agravante, ou talvez não, de não serem distribuídos igualitariamente.

O valor económico predomina sobre todos os outros valores. Quem tem dinheiro, tem tudo. Quem tem poder económico, tem tudo. Quem tem valores económicos com valor comercial, tem tudo. Os valores não materiais, como o moral, espiritual, familiar, religioso, cultural, artístico, desportivo, etc; só têm realmente valor quando podem ser comercializados. Uma ideia só é valorizada quando pode ser directa ou indirectamente comercializada. Quando pode ser directa ou indirectamente transformada em dinheiro. Tudo o que pode ser transformado em dinheiro, vale, tudo o que não pode ser transformado em dinheiro, não vale.

Como quem tem dinheiro tem tudo e quem não tem dinheiro não tem nada, então, vale tudo para ter dinheiro. Porque se, cada vez, há menos dinheiro para cada pessoa — embora o dinheiro não seja estanque, isto é, aumenta constantemente conforme o crescimento económico que é gerido pela balança da economia que actua sempre que há valorização ou desvalorização excessiva — e se cada vez, cada pessoa vale mais se possuir mais dinheiro, então, o medo de não ter dinheiro, que é o mesmo que o medo de não ter valor, que é o mesmo que o medo de não ser ninguém, que é o mesmo que o medo de não ser respeitado, que é o mesmo que o medo de não existir, faz com que cada pessoa use todos os meios, lícitos ou não, legais ou não, éticos ou não, para adquirir dinheiro, que é o mesmo que para existir, ou para sobreviver.

Para se sobreviver, no mundo actual moderno, é imprescindível ter dinheiro. Quem tem dinheiro sobrevive, quem não tem dinheiro morre [há actualmente lugares onde se paga para respirar (por enquanto, só ar puro)].

A luta pela sobrevivência, que é o mesmo que a luta pelo poder ou a luta pelo dinheiro, transforma as pessoas em seres insensíveis, indolentes, completamente indiferentes aos problemas dos outros.

E quem tem dinheiro apregoa os valores sociais, os valores humanos, as boas intenções, a moral e os bons costumes. No fundo, sabe que o que conta é o dinheiro, mas é importante que os outros não pensem assim, porque quanto menos dinheiro os “pobres” desejarem mais os “ricos” dividem entre si. E o dinheiro traz dinheiro como a pobreza traz pobreza, criando-se um conjunto de ciclos viciosos que transformam os – poucos — ricos cada vez mais ricos, e os – muitos — pobres cada vez mais pobres.

 

 

 

 

 


publicado por sl às 01:10
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Segunda-feira, 9 de Abril de 2007

Amor

AMOR

 

O amor não existe e é a melhor coisa que há. Não existe porque não existe mesmo. O que existe é um conjunto de situações naturais e provocadas com causas e consequências que nos são agradáveis. E é a melhor coisa que há porque uma vez envolvidos numa dessas situações sentimos um nível de prazer e bem-estar que são inalcançáveis de outra forma.

Existem vários tipos de amor. O amor-próprio, o amor a bens materiais objectivos, o amor a Deus, o amor aos filhos, e, o amor a outra pessoa, normalmente do sexo oposto.

Amor-perfeito só existe em flor, mas o mais perfeito é o amor-próprio. É quando nós gostamos de nós mesmos. Quando temos orgulho em sermos o que somos. Porque só gostando de nós podemos gostar dos outros. E se nós não gostarmos de nós, quem vai gostar?

O amor a qualquer bem não é o amor ao bem, mas ao prazer que o bem nos proporciona. Nós gostamos de dinheiro porque com ele podemos comprar chocolates saborosos, e gostamos de chocolates porque os podemos saborear.

O amor a Deus é o amor a algo que nós temos para justificar a nossa existência, e para nos dar protecção e segurança, porque nós temos medo da nossa fragilidade.

O amor paternal é um amor natural. Todas as mães de todas as espécies protegem os seus filhos para garantir a sobrevivência da espécie. Pura natureza. O que nos dá prazer é o que entra ou sai do nosso corpo físico. A coisa mais completa que sai do nosso corpo é um filho.

E por fim o amor a outra pessoa. Que não é amor; é sexo. Não existe amor sem sexo. Explícito ou implícito. Quando dizemos que gostamos de outra pessoa não é dela que gostamos. Gostamos daquilo que ela nos dá, gostamos dos bens, gostamos da companhia, gostamos da ajuda, gostamos do prazer e do bem-estar, gostamos de carinho e de ternura. E gostamos de sexo porque é a melhor coisa que há.

Gostamos de receber. Mas para alguém nos dar alguma coisa é porque gosta de nós. Gostar de nós não é gostar de nós, é gostar de receber algo de nós, e completa-se o ciclo. Gostamos de receber, mas a outra pessoa só dá se também receber. Amar é dar e receber. Quanto mais se dá mais se recebe. Quanto mais se recebe mais se gosta. Quanto mais se gosta mais se dá. Quanto mais intenso for este ciclo maior será o amor. Dar é a única opção pessoal neste ciclo. Se deixarmos de dar quebramos o ciclo. Quanto mais quebrarmos o ciclo mais o amor se perde.

A intimidade e o sexo são as coisas mais individuais que temos. O acto sexual é darmos o que temos de mais “nosso” e receber da outra pessoa o que ela tem de mais “dela”. Quando realizado sem diferentes intenções é o auge do amor. É atingir mutuamente um nível de satisfação e de bem-estar supremo, quase divinal.

Cada pessoa sente para si o prazer que recebe, mas como já conhece as reacções da outra sabe que esta também está feliz pelo prazer que a primeira lhe proporcionou.

O amor é uma troca de prazeres. Uma troca de coisas boas. Não se troca amor. O amor em si não existe, não se define e não se explica. Dão-se e recebem-se “coisas boas”, materiais ou não, que nos dão equilíbrio emocional, bem-estar e felicidade e a este conjunto nós chamamos amor, que não existe, mas que é a melhor coisa que há.



 


publicado por sl às 02:35
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