Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

Inteligência

INTELIGÊNCIA

 

 

 

A inteligência é a nossa capacidade de resolver problemas, de ultrapassar obstáculos e de enfrentar situações embaraçosas. Mas só fazendo-o com dignidade, com personalidade e com nível, e não de qualquer modo, isso seria esperteza. A inteligência requer qualidade, distinção, carácter e respeitabilidade.

A inteligência confunde-se muitas vezes com a erudição e com a intelectualidade, porque uma pessoa para ser verdadeiramente inteligente tem que ser erudita e intelectual, mas não o pode ser em demasia, pois a grande base caracterizadora da inteligência é o conhecimento e a sabedoria aliados à capacidade da sua aplicação prática. Saber tudo e conhecer tudo mas nada fazer, não é verdadeira inteligência.

Existem vários testes e teorias que pretendem medir a inteligência, mas na verdade, a inteligência é muito difícil de medir porque abrange demasiadas e complexas áreas.

Por um lado temos a teoria e a prática. Apenas teoria será demasiada intelectualidade e apenas prática será demasiada esperteza. Embora uma implique a outra, é por vezes grande o desfasamento existente entre ambas. Assim, o mais inteligente é aquele que consegue um nível mais elevado de harmonia entre a teoria e a prática.

Por outro lado temos a especialização e a globalidade. Saber tudo de uma coisa é ser inteligente apenas nessa área, mas a vida é demasiado vasta e nós temos necessidade de compreender diversas áreas em simultâneo. E como saber tudo de todas as coisas é completamente impossível, até porque o suporte da nossa inteligência é o nosso cérebro, e apesar de não imaginarmos qual seja a sua capacidade, sabemos que é limitada, sendo também limitada a nossa capacidade de inteligência. Assim, aqui, o mais inteligente é o que consegue um nível mais elevado de harmonia entre a especialização e a globalidade. Note-se que o nível mais elevado de harmonia não é o mais elevado nível médio. Para melhor exemplificação imaginemos a classificação de dois indivíduos em três áreas numa escala de zero a dez valores: o indivíduo A sabe quase tudo de medicina (nove valores), nada de mecânica (zero valores), e nada de culinária, totalizando nove valores; o indivíduo B compreende dois valores de medicina, dois de mecânica e dois de culinária, totalizando seis valores; assim, o individuo A atinge um maior nível médio, de três valores, contra dois do individuo B, mas o individuo B é o mais inteligente porque ao saber um pouco de tudo está mais capacitado para a vida. A especialização é importante para a vida social e colectiva, enquanto que a globalidade é importante para a vida individual. Este é apenas um exemplo virtual da melhor forma de medir a inteligência.

A inteligência é suportada fisicamente pelo cérebro com duas condicionantes, uma biológica e outra cultural. Biologicamente nós somos mais ou menos inteligentes conforme seja o nosso cérebro em termos de perfeição natural — hereditariedade e genética, saúde, doença ou acidentes são factores determinantes. Culturalmente somos mais ou menos inteligentes conforme soubermos usar o cérebro. E aqui é determinante o meio económico-social em que nascemos porque será dos princípios educacionais e culturais que recebemos no início da nossa actividade cerebral que formalizaremos as nossas primeiras ideias, concretizações e planeamentos, mesmo para a utilização do próprio cérebro.

A verdadeira inteligência é a capacidade de organização de informação no próprio cérebro — cada um no seu — com a finalidade de produzir actividade.

A simples introdução de dados desorganizados apenas serve para ocupar memória. Saber muitas coisas que não servem para nada não é inteligência. Inteligência é: isto serve para aquilo, porque... — lógica, compreensão, raciocínio, determinação, firmeza, juízo, sabedoria, organização, programação — como nos computadores.

O nosso cérebro funciona como um computador, e a nossa inteligência apenas é um vastíssimo conjunto de programas, que nós introduzimos nele, ou outros introduzem por nós, e assim, quanto mais perfeitos, completos e abrangentes forem esses programas mais inteligentes seremos.

 

 

 

 

 


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Sábado, 4 de Agosto de 2007

Destino

DESTINO

 

 

O destino pode-se entender de duas formas. Neste texto vamos pôr de parte o destino concreto e racional, ou seja, aquele local para onde sabemos que caminhamos, e vamos apenas referir-nos ao destino desconhecido — a sorte ou o fado — que nós guiamos apesar de considerarmos que é ele que nos guia.

As estrelas traçaram no destino a esperança que este texto transforme o triste fado do passado numa vida cheia de sorte no futuro. E isto só acontecerá para quem é supersticioso e acredita no destino, deixando de acreditar nele após a sua compreensão.

Pois de facto, este destino não existe. O destino previamente demarcado por alguém ou por alguma coisa para determinar a orientação da vida de alguém é pura ficção. Ninguém tem um destino ou um fado previamente determinado. Todas as atribuições ao destino nesse sentido são pura superstição ou ignorância. O destino não existe como realidade.

Todos nós temos um passado, que existe desde que nascemos até agora. Temos um presente que é o momento que estamos a viver agora — e que já é passado — porque estas já são outras palavras, e o nosso presente agora é este, aqui, nesta palavra, que vai correndo como o movimento dos olhos e a recepção no cérebro. Só este é presente. Tudo o que está para trás é passado e o que está para a frente é futuro. Tudo o que está escrito a partir daqui é futuro. O próximo parágrafo é futuro.

Mas deixa de ser futuro, e passa a ser presente enquanto que o parágrafo anterior passou a ser passado. Se fosse possível, no presente, saber qual o destino futuro, não haveria necessidade de alcançar o futuro, pois poderia antecipar-se ou adiar-se a sua vivência. Mas não é possível, e daí a sua necessidade de o viver. No entanto, é no presente que se decide, parcialmente e perante as mais variadas circunstâncias, o que vai ser o futuro. Existem coisas que somos obrigados a seguir, perante as leis da sociedade e da natureza, sem hipóteses de escolha — são as leis da vida e não destino — e existem coisas que nós podemos escolher livremente, por opção consciente — se houvesse destino não teríamos qualquer hipótese de escolha.

Seguidamente vai ser apresentado um pequeno teste que prova que o destino não está traçado, que somos nós que o vamos traçando e que nem tudo depende de nós. Chama-se a atenção para que este teste seja realizado uma única vez, seguindo-se cada passo correctamente, pois uma vez realizado não faz sentido a sua repetição.

Pede-se ao leitor para que escolha um dos seguintes números: 4, 14, 24, 34, 134, 234 e 1234. Imagine que o número que escolheu é o seu número da sorte. Se houvesse destino, e o leitor fosse um leitor com sorte, confirmaria de seguida o seu número, ou se fosse um leitor com azar não o confirmaria. No entanto, essa confirmação vai ser o leitor que vai ser levado a faze-la, e apesar de estar consciente que as suas decisões confirmarão ou não a sua sorte, não terá consciência de como isso acontecerá, e será da seguinte forma:

Conserve na sua memória, ou escreva num papel, o número que escolheu para não se esquecer qual foi, e de seguida vai escolher uma das seguintes letras, A, B, C e D, que correspondem aos quatro seguintes parágrafos, e vai continuar a sua leitura no parágrafo que escolheu (se escolheu o A continue no parágrafo A, se escolheu o B avance para o parágrafo B, se escolheu o C avance para C, e se escolheu o D avance para D) a partir de agora.

Parágrafo A: Se este foi o parágrafo que escolheu em primeiro lugar deve memorizar o algarismo 1 (um); e de seguida escolher um dos outros três parágrafos e continuar a leitura nele (se escolheu o B continue em B, se foi o C avance para C, e se foi o D avance para D).

Parágrafo B: Se este foi o parágrafo que escolheu deve memorizar o algarismo 2 (dois); escolher um dos outros dois parágrafos e continuar a leitura nele (se escolheu o C continue no parágrafo C e se escolheu o D avance para o parágrafo D).

Parágrafo C: Se este foi o parágrafo que escolheu deve memorizar o algarismo 3 (três); e como só tem mais um parágrafo, não tem qualquer hipótese de escolha, terá que continuar a leitura no parágrafo D.

Parágrafo D: Memorize o algarismo 4 (quatro), e continue a leitura.

Recorde agora todos os passos que escolheu e quais os algarismos que foi convidado a memorizar colocando-os na ordem da memorização. Com eles formará um número, que confirma, ou não, o número previamente escolhido. Por exemplo, se havia escolhido o número 4 e escolheu o parágrafo D confirmou a sua escolha.

Se houvesse destino bastaria ter escolhido o algarismo 4 e não haveria necessidade de o confirmar. A selecção dos parágrafos, da mesma forma que pode ter confirmado a primeira escolha também a pode ter desconfirmado. Na primeira escolha apenas terá havido espontaneidade, mas na segunda poderá já ter havido planeamento. Na vida somos também obrigados a tomar opções espontâneas, e a tomar decisões planeadas. Com ambas vamos traçando o nosso destino, que não existe à priori, mas que se vai formulando posteriormente. Somos levados a fazer muitas coisas que não compreendemos. Mas tudo tem explicação apesar de nós não a conhecermos. A ordem foi criada passo a passo. É o resultado de várias decisões que foram tomadas em cada momento. Ao escolher cada parágrafo, optando por um e rejeitando os outros, ou existia um motivo pessoal ou era mero acaso. Não era o destino que estava em jogo, mas a consciência e a liberdade de optar num momento exacto — optar bem ou mal — conforme os nossos desejos e o que as circunstâncias impõem. Ao escolher o primeiro parágrafo, como existiam quatro, em cada quatro hipóteses escolheria o que escolheu. Ao escolher o segundo, em cada três hipóteses escolheria o que escolheu. Ao escolher o terceiro, em cada duas vezes escolheria o que escolheu e deixava o outro para quarto sem qualquer hipótese de escolha.

Na vida, a cada momento, vamos optando e escolhendo um dos muitos caminhos que se nos apresentam, ou seguindo os caminhos que nos são impostos sem qualquer liberdade de escolha. Cada momento presente existe circundado de mais ou menos liberdade — assim como mais ou menos perdição — e é em cada momento presente que nós optamos ou não, trilhando a nossa vida, e deixando um rasto ao qual chamamos destino, mas que é apenas passado, fruto das nossas decisões. E é também em cada decisão de cada momento que podemos também influenciar todo o nosso futuro.

Saberemos melhor para onde se desloca um caracol se conhecermos o seu rasto. O nosso futuro prevê-se tendo em conta o passado e principalmente analisando as decisões do presente.

Se houvesse destino previamente marcado não haveria necessidade de nos preocuparmos com a vida, nem de lutarmos pelos nossos objectivos, nem de trabalharmos para crescermos. Pois se um homem nascesse predestinado a ser médico, não necessitaria de estudar porque seria médico pela força do destino, e se nascesse predestinado a não ser médico, ainda que muito estudasse, nunca o alcançaria — o que não é compreensível a qualquer raciocínio lógico.

A única possibilidade de alguém influenciar o nosso destino – futuro — está no facto de poder influenciar as nossas decisões ou decidir por nós. Só quem não tem capacidade mental, carácter ou responsabilidade, prefere que sejam os outros a decidirem por eles. E o seu destino é o que eles quiserem.

Quando alguém morre num acidente de automóvel por excesso de velocidade e se atribui a causa ao destino, seria mais racional atribuir a causa ao acto consciente de decidir carregar no pedal de aceleração.

Uma pessoa racional tem consciência de que a sua vida é feita de passado, presente e futuro — só irracionalmente se concebe a ideia de destino predeterminado.

 

 

 

 

 


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Sábado, 30 de Junho de 2007

Conhecimento

CONHECIMENTO

 

 

Conhecimento é sabedoria, é inteligência, é erudição, é intelectualidade, é racionalidade, é experiência — é o conjunto de tudo isto, mas nada disto em particular.

O conhecimento apenas é acumulação de informação. Informação que pode ser útil ou não. Possuir grandes conhecimentos de assuntos que de nada servem é errado, é desperdício. É errada a célebre frase que afirma que “saber não ocupa lugar”. O saber ocupa lugar, e o lugar que possuímos para guardar o saber é limitado.

Possuir conhecimento de uma coisa é ter gravado na memória consciente essa coisa. [Eu sei que a bandeira portuguesa é verde e encarnada porque a recordo. A imagem da bandeira portuguesa está registada na minha memória consciente. Eu já vi as bandeiras de todos os países do mundo, e sei que todas as que vi estão registadas no meu inconsciente. Mas não as posso descrever todas. Apenas posso descrever as que recordo]. Assim, o conhecimento é apenas o que se recorda e do qual se pode falar conscientemente. E esta capacidade de recordar, de ter um acesso consciente à memória, é limitada, embora sejam indefiníveis os seus limites. Dependem da capacidade natural do cérebro.

A capacidade do cérebro, apesar de ser limitada quanto ao que é consciente, é de uma dimensão enormíssima, pois guarda tudo o que nos é útil, necessário e importante para o dia-a-dia, como a nossa identidade — psicológica e social — que se compõe de infinitas informações concretas (nomes, números, direcções, nºs de telefone, horários, programas, preços...) e de infinitas informações mais informais (linguagem, recordações, lembranças, desejos, sonhos, projectos, ideais...). Toda a nossa vida mental consciente está alicerçada em informação que nós manipulamos mentalmente. Essa manipulação consiste em relacionar uma imagem ou acto mental com a sua realidade concreta ou concretização real. Isso é conhecimento, real e consciente.

É este conhecimento consciente o mais importante na nossa vida. Pois é recorrendo ao passado e à memória que nós usamos o cérebro e a mente possibilitando a prática e a acção criando uma cadeia em continuidade. É também com a capacidade que nós temos de usar o conhecimento que temos acesso a mais conhecimento. Assim, o importante não é saber — até porque é impossível saber tudo — mas saber como saber o que é necessário em determinada situação. [É inútil eu saber, recordar e descrever todas as bandeiras do mundo, mas se por algum motivo eu tiver que as diferenciar, devo saber onde as posso encontrar para as descrever]. Repetindo, o importante não é saber, mas saber como saber.

O melhor conhecimento é o conhecimento consciente de chaves de acesso ao conhecimento inconsciente, individual ou colectivo. E esse conhecimento inconsciente é que é ilimitado. É que é tudo o que for a vida do homem. Tudo o que o homem quiser e não quiser.

Exceptuando as diferenças sócio-biológicas do cérebro e sendo ele conscientemente limitado, a explicação para que indivíduos em igualdade de circunstâncias possuam graus de conhecimentos diferentes encontra-se na forma como é usado o próprio consciente.

O consciente é usado de diferentes formas em cada indivíduo. Um indivíduo que sempre viveu no mundo rural, isolado da civilização e sem acesso à grande informação, tem o seu consciente ocupado apenas com o contexto do seu ambiente rural, não possuindo por motivos sociais conhecimentos mais abrangentes. Um forte adepto de futebol sabe conscientemente tudo sobre o futebol — história dos clubes, nomes dos intervenientes, etc. — mas como tem o seu consciente quase todo ocupado com o futebol não pode saber muito de outros assuntos — teria que esquecer o futebol — assim, por razões culturais, possui muitos conhecimentos de uma coisa, mas poucos de tudo. Um indivíduo que passe a maior parte do seu tempo em actividades monótonas e repetitivas, quer sejam de trabalho ou divertimento, ocupa o tempo sem nada aprender, preenchendo o seu consciente com futilidades e ainda que saiba tudo do trabalho ou do jogo possui pouco conhecimento geral.

Embora o mais importante na vida seja que cada um se sinta feliz independentemente da qualidade e quantidade de conhecimentos que possui, pode-se considerar que os exemplos citados referem cérebros subaproveitados. Mas se este subaproveitamento se considerar defeito, não é defeito inferior a um cérebro sobrecarregado, senão vejamos: imaginemos um indivíduo que possui muitos conhecimentos, estudou a vida inteira, passa os dias em bibliotecas, viajou muito, recebe informação de muitas fontes, conhece meio mundo e passou por inúmeras experiências.

Este indivíduo pode-se caracterizar de três formas: por um lado não pode ter estes conhecimentos todos presentes conscientemente. A maior parte deles — a grande parte mesmo — fazem parte do seu inconsciente, e só é verdadeiramente conhecedor se guardar conscientemente apenas as chaves de acesso ao enorme inconsciente. Não sabe uma coisa, mas sabe onde a encontra. E os livros ou os registos dos imensos meios de “gravação” que actualmente existem permitem ter acesso a uma quantidade infinita de informação. Só assim se tem verdadeiro conhecimento, pois de nada servem as coisas que já esqueceram e não podem ser recuperadas da memória.

Por outro lado, este indivíduo se não souber organizar a forma de guardar todo este conhecimento, mais facilmente tem perturbações mentais. Como a memória consciente é limitada, não podemos saber mais que aquilo que o cérebro permite, e como não sabemos os limites, podemos introduzir dados em excesso podendo estes provocar uma espécie de engarrafamento, de desorganização mental. Recorde-se que o próprio raciocínio é apenas uma “manipulação” mental de dados, se os dados forem excessivos, complexos ou indecifráveis, o cérebro bloqueia.

E por fim, de nada serve ser possuidor de um vasto conhecimento se em nada é usado na vida. O verdadeiro valor do conhecimento está na sua utilidade. O ideal, ainda que utópico, seria conhecer tudo o que fosse necessário conhecer, quaisquer que fossem as razões.

O conhecimento pode ser alterado e perturbado por acidentes, doenças, drogas ou medicamentos, que afectem o cérebro onde se aloja toda a memória, consciente e inconsciente, podendo o inconsciente manifestar-se de formas anormais — alterações de personalidade, amnésias, etc. E sabendo que o conhecimento útil é consciente e racional, pode ser também afectado por razões emocionais e afectivas. Pois quando uma pessoa está sentimentalmente ferida, o cérebro está demasiado ocupado com esse sofrimento e não tem capacidade para pensar. Este bloqueamento provocado pelos sentimentos pode levar aos mesmos problemas.

O conhecimento pode-se entender de quatro formas: individual consciente — aquilo que determinada pessoa sabe; individual inconsciente — aquilo que determinada pessoa soube, mas já esqueceu e aquilo que sabe sem saber que sabe, sabe inconscientemente; colectivo consciente — aquilo que todos sabem; colectivo inconsciente — aquilo de que ninguém se recorda, mas que pode estar ainda na memória de alguém, ou pode estar na natureza, nos museus e nas bibliotecas. Note-se que o inconsciente é composto não só de tudo o que já existiu conscientemente, mas também de tudo o que existe e ao qual ainda ninguém conscientemente teve acesso — a gravidade já existia antes de Newton formular as suas leis.

O conhecimento é apenas acumulação de informação. O importante é acumular informação que nos permita usar o próprio conhecimento.

 

 

 

 


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Domingo, 27 de Maio de 2007

Cérebro

CÉREBRO

 

 

O cérebro é uma pequena parte do corpo humano onde se localiza a sede do sistema organizado mais complexo do universo, e o maior desafio da ciência. O homem tem mais conhecimentos das leis que regem o universo do que como funciona o seu próprio cérebro.

O cérebro é o elemento essencial que distingue o homem dos outros animais. E pela quantidade de massa encefálica e principalmente pela complexidade do seu funcionamento, é que o homem de distanciou dos outros animais, criando um mundo novo — cultural, religioso, psicológico e tecnológico — que lhe proporcionou um enorme nível de superioridade sobre todos os outros seres vivos e sobre parte da natureza.

A qualidade de humano está precisamente na existência de um cérebro superior. A inteligência está no cérebro. O seu tamanho, peso e complexidade são características determinantes. O homem é o ser superior por ter um cérebro superior em relação aos outros animais, e logo, demais seres vivos. É por isso considerado — embora por si próprio — o único animal racional devido à diferença existente entre o seu próprio cérebro e o cérebro dos outros animais, dotados também de inteligência. Os animais irracionais também têm cérebro e a inteligência existe em cada animal conforme seja a estrutura do seu cérebro, mas, mesmo os animais irracionais mais inteligentes — cão, cavalo, golfinho — estão muito aquém da inteligência racional humana, e por essa razão, quando se fala em cérebro tem-se presente apenas o cérebro humano. O órgão que torna o homem um ser por excelência em toda a natureza.

O cérebro humano é um órgão do corpo humano como todos os outros, mas com uma função especial: raciocinar ou pensar. O homem pensa porque tem cérebro e o cérebro existe no homem para pensar, pois o homem sem cérebro não é homem, e o cérebro sem homem (corpo) não pensa.

Só se pode entender o cérebro tendo em conta todo o sistema nervoso que se estende desde as vísceras em milhões de terminais, passando pela complexa rede nervosa de ligação à espinal-medula, que juntamente com o sistema periférico, somático e autónomo, está por sua vez ligada ao sistema nervoso central, através do bolbo raquidiano que se une ao encéfalo, onde se encontram os hemisférios cerebrais e as zonas corticais do córtex cerebral, incluindo o cerebelo, o mesencéfalo constituído pelo tálamo e pelo hipotálamo, o miencéfalo e até os sistemas límbico e reticular, e finalmente no telencéfalo, o cérebro, propriamente dito, ou a massa cinzenta com as circunvoluções, os sulcos, e os diversos lobos e áreas determinadas para — pensa-se — determinados fins. Isto em síntese.

O cérebro é o conjunto de muitos milhões de células nervosas — neurónios — insensíveis à dor, protegidos pela caixa craniana, com ramificações — axónios — que as interligam eléctrica e quimicamente — sinapses — por estímulos provocados pelos diversos neurotransmissores (tirosina, dopamina, adrenalina...).

Por serem extremamente sensíveis e extremamente complexas, as células reagem ao menor estímulo recebido, quer de todo o sistema nervoso e do próprio corpo, quer de outras células pares, formando quantidades inimagináveis de cadeias energéticas. Não é possível à ciência actual fazer cálculos exactos respeitantes à actividade cerebral. Estimativas referem para um cérebro humano o peso de 1350 gramas, 14 biliões de neurónios, cada neurónio podendo ter de cem a mil impulsos por segundo, causando de seis a sessenta mil sinapses em simultâneo, podendo existir em cada 2,5 cm cúbicos de massa cerebral 600 milhões de sinapses.

Esta energia, eléctrica, gerada por processos bioquímicos dos neurónios, com todos estes movimentos e paragens, faz com que cada neurónio transmita para outros o que deve transmitir e reter o que deve ser retido. O conjunto dos movimentos e paragens, em locais da rede cerebral, determinados naturalmente, faz cada parte do cérebro e o seu todo, funcionar para os fins para que existe.

E o cérebro existe para permitir ao homem um elevado potencial de captação, registo, transformação, criação e emissão de informação que o caracteriza como animal superior. O cérebro é o suporte físico — pelos neurónios que guardam a informação e pela actividade eléctrica permanente entre eles — de todas as propriedades que caracterizam ou definem o ser humano, tais como: inteligência, sabedoria, conhecimento, memória, mentalidade, personalidade, identidade, imaginação, pensamento, consciência, linguagem, cultura, religião, etc.  Pois todas estas propriedades só existem no homem porque este possui um cérebro.

O cérebro funciona com energia eléctrica autoproduzida pelas diferentes cargas entre os terminais neuronais. A energia é permanentemente alterada conforme a quantidade e características dos estímulos recebidos do exterior, a sua manipulação interna, e a necessidade de criação e exteriorização. Para o cérebro funcionar perfeitamente precisa de duas condições essenciais: que seja naturalmente saudável num corpo saudável com boa irrigação de sangue carregado de oxigénio, e que a sua estruturação mental seja bem organizada pelo indivíduo, ou seja, que tenha equilíbrio quer biológica quer psicologicamente. O excesso ou falta de sangue provoca danos neurológicos e o excesso ou falta de informação provoca danos psicológicos.

Todo o funcionamento do cérebro, e do homem como ser único de actividade cerebral racional consiste na memorização de dados de informação e na sua transformação condicionada pelos dados anteriormente memorizados, para posterior utilização. Assim, pondo de parte as deficiências neurológicas e anatómicas, o cérebro começa por registar dados, cada neurónio ou conjunto de neurónios grava uma unidade de informação. Aos poucos o cérebro começa a criar ideias. Os neurónios “trabalham” as unidades de informação até estarem organizadas ou estruturadas. Esta sucessão enorme de “gravação” de unidades de informação (trinta por segundo aproximadamente), após devidamente “trabalhada” forma tudo o que o homem tem de psicológico — ideias, conhecimentos, planos, pensamentos, mentalidade... A informação recebida posteriormente é organizada tendo em conta a informação recebida anteriormente, de uma forma cumulativa e integrante, ou seja, os neurónios distribuem a nova informação conforme o que já está memorizado.

Todo o envolvimento psicológico humano está retido na memória. A memorização é a principal função do cérebro, pois todas as outras estão dependentes dela. Mas a memorização pode ser consciente ou inconsciente, e a transformação ou manipulação de dados na memória e a sua exteriorização também pode ser consciente ou inconsciente. Teorias dizem que só usamos conscientemente cinco por cento do cérebro. No entanto, consciente ou inconscientemente, todo o nosso cérebro se compõe de um emaranhado de conexões eléctro-bioquímicas em que cada neurónio condiciona o encaminhamento da informação pelos meandros da memória.

O cérebro é o órgão mais atractivo para o mundo médico- científico actual, e do qual se sabe menos. Neurologicamente todos os dias se fazem novas descobertas, com cada vez mais evoluída tecnologia. Certamente essas descobertas neurológicas contribuirão para um melhor conhecimento psicológico do cérebro.

Por enquanto, o cérebro continua a ser um grande enigma para o homem.

 

 

 

 


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