Sábado, 13 de Junho de 2009

Lei

LEI

 

 

 

Uma lei é um conjunto de regras criadas pelas pessoas que compõem uma entidade e que visa estabelecer ordem nas relações entre as mesmas e a entidade.

O principal objectivo de uma lei é delimitar o espaço de liberdade que cada pessoa possui em relação a determinada organização social, cuja finalidade é garantir o respeito pela liberdade alheia de forma a que se possa viver socialmente.

Todas as leis existem em sociedade e são criadas e aplicadas por todos, pela maioria, ou pelos detentores do poder, conforme a política de organização social.

Se uma sociedade é democratizada cria as leis conforme os desejos da maioria, defendendo os direitos e exigindo o cumprimento dos deveres dessa maioria em igualdade de circunstâncias. Os criadores e defensores das leis serão os próprios aplicadores e cumpridores. Se a estrutura social não é democratizada, independentemente do regime por que se defina, serão os detentores do poder que criarão as leis e as imporão aos restantes membros da sociedade, independentemente da sua concordância ou não.

A organização civilizacional humana sempre funcionou por leis, independentemente da sua justiça, funcionalidade e racionalidade.

Uma lei justa, racional e funcional, que defenda a igualdade e o respeito pela diferença, só pode existir numa sociedade liberal, civilizada e livre, onde o voto da maioria é possível, realizado e respeitado,

Uma lei tanto pode existir como um código, conjunto de normas ou regras por que se estabelece um simples grupo de pessoas, com poucos estatutos objectivos para defender os interesses dos associados de uma forma colectiva, como pode existir numa associação ou empresa, ou ainda num estado ou numa nação para proteger os cidadãos, e pode ser universal, defendendo os direitos humanos, a natureza e a vida. Qualquer lei existe em função do número de pessoas que a ela se submetem ou por ela são submetidas — quanto maior o número mais abrangente é a lei. E todas as leis existem em hierarquia nunca se sobrepondo umas às outras, embora ocasionalmente possam haver colisões que em igualdade de poder devem respeitar-se mutuamente.

Todas as leis, excepto as naturais, são criadas por alguém, ainda que inconscientemente e colectivamente. Quando são aprovadas democraticamente, logo, pela maioria, serão as melhores possíveis no momento, pois possibilitarão a vida em sociedade e em liberdade e igualdade. Ainda que uma minoria esteja mais correcta, ao lhe ser dada aprovação, será maior o risco, pois só se saberá se estava correcta após a aplicação da lei, e se estiver errada, o preço a pagar pelo erro poderá ser elevado. Se for a maioria a estabelecer as regras, será a maioria a defende-las, a cumpri-las e principalmente a responsabilizar-se por elas. Só com a aprovação da maioria haverá estabilidade social, e só com estabilidade haverá crescimento.

A lei implica cumprimento e responsabilidade, mas esse cumprimento e responsabilidade devem ser livres e não impostos. Ou seja, da mesma forma que alguém deve ser livre para não cumprir a lei, também deve ser responsável para assumir as consequências desse não cumprimento, porque a lei quando existe é para ser cumprida e é para o bem de todos. No entanto, como é feita e aplicada por humanos, e os humanos não são seres perfeitos, pode, tanto a criação como a aplicação, estarem viciadas. E caberá a cada um defender-se tanto em nome da lei, como defender-se da própria lei. Naturalmente será uma questão de forças, mas é assim em tudo na vida.

Todos as leis, códigos, e normas de um estado de direito visam delimitar em igualdade cada cidadão de forma a que não interfira no espaço de outro, para que todos vivam em respeito mútuo, respeitando também as diferenças.

Cada código — civil, penal, comercial, criminal, da estrada, dos direitos humanos — determina objectivamente as limitações impostas e as condenações respectivas para cada infracção. Todos somos livres para cumprir ou deixar de cumprir as obrigações impostas, mas devemos saber até que ponto avançar e se compensa transgredir. Da mesma forma que devemos conhecer os nossos direitos.

Uma lei democrática define os direitos e os deveres de todos os cidadãos. Só com leis se vive em democracia e só democraticamente se organiza a vida em sociedade humana, equilibrando com a maior justiça possível, todos os desejos, vontades, necessidades e ambições, com as respectivas satisfações e realizações.

Só os humanos têm leis, porque só as sociedades humanas são artificiais, onde impera não a lei do mais forte por natureza, mas a lei do mais forte por justiça — ou por outra qualquer razão menos justa.

 

 

 

 

 

 


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Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

Inteligência

INTELIGÊNCIA

 

 

 

A inteligência é a nossa capacidade de resolver problemas, de ultrapassar obstáculos e de enfrentar situações embaraçosas. Mas só fazendo-o com dignidade, com personalidade e com nível, e não de qualquer modo, isso seria esperteza. A inteligência requer qualidade, distinção, carácter e respeitabilidade.

A inteligência confunde-se muitas vezes com a erudição e com a intelectualidade, porque uma pessoa para ser verdadeiramente inteligente tem que ser erudita e intelectual, mas não o pode ser em demasia, pois a grande base caracterizadora da inteligência é o conhecimento e a sabedoria aliados à capacidade da sua aplicação prática. Saber tudo e conhecer tudo mas nada fazer, não é verdadeira inteligência.

Existem vários testes e teorias que pretendem medir a inteligência, mas na verdade, a inteligência é muito difícil de medir porque abrange demasiadas e complexas áreas.

Por um lado temos a teoria e a prática. Apenas teoria será demasiada intelectualidade e apenas prática será demasiada esperteza. Embora uma implique a outra, é por vezes grande o desfasamento existente entre ambas. Assim, o mais inteligente é aquele que consegue um nível mais elevado de harmonia entre a teoria e a prática.

Por outro lado temos a especialização e a globalidade. Saber tudo de uma coisa é ser inteligente apenas nessa área, mas a vida é demasiado vasta e nós temos necessidade de compreender diversas áreas em simultâneo. E como saber tudo de todas as coisas é completamente impossível, até porque o suporte da nossa inteligência é o nosso cérebro, e apesar de não imaginarmos qual seja a sua capacidade, sabemos que é limitada, sendo também limitada a nossa capacidade de inteligência. Assim, aqui, o mais inteligente é o que consegue um nível mais elevado de harmonia entre a especialização e a globalidade. Note-se que o nível mais elevado de harmonia não é o mais elevado nível médio. Para melhor exemplificação imaginemos a classificação de dois indivíduos em três áreas numa escala de zero a dez valores: o indivíduo A sabe quase tudo de medicina (nove valores), nada de mecânica (zero valores), e nada de culinária, totalizando nove valores; o indivíduo B compreende dois valores de medicina, dois de mecânica e dois de culinária, totalizando seis valores; assim, o individuo A atinge um maior nível médio, de três valores, contra dois do individuo B, mas o individuo B é o mais inteligente porque ao saber um pouco de tudo está mais capacitado para a vida. A especialização é importante para a vida social e colectiva, enquanto que a globalidade é importante para a vida individual. Este é apenas um exemplo virtual da melhor forma de medir a inteligência.

A inteligência é suportada fisicamente pelo cérebro com duas condicionantes, uma biológica e outra cultural. Biologicamente nós somos mais ou menos inteligentes conforme seja o nosso cérebro em termos de perfeição natural — hereditariedade e genética, saúde, doença ou acidentes são factores determinantes. Culturalmente somos mais ou menos inteligentes conforme soubermos usar o cérebro. E aqui é determinante o meio económico-social em que nascemos porque será dos princípios educacionais e culturais que recebemos no início da nossa actividade cerebral que formalizaremos as nossas primeiras ideias, concretizações e planeamentos, mesmo para a utilização do próprio cérebro.

A verdadeira inteligência é a capacidade de organização de informação no próprio cérebro — cada um no seu — com a finalidade de produzir actividade.

A simples introdução de dados desorganizados apenas serve para ocupar memória. Saber muitas coisas que não servem para nada não é inteligência. Inteligência é: isto serve para aquilo, porque... — lógica, compreensão, raciocínio, determinação, firmeza, juízo, sabedoria, organização, programação — como nos computadores.

O nosso cérebro funciona como um computador, e a nossa inteligência apenas é um vastíssimo conjunto de programas, que nós introduzimos nele, ou outros introduzem por nós, e assim, quanto mais perfeitos, completos e abrangentes forem esses programas mais inteligentes seremos.

 

 

 

 

 


publicado por sl às 04:15
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Sábado, 17 de Fevereiro de 2007

Abertura

ABERTURA

Olá! Seja bem-vindo prezado leitor! Este é o texto de abertura de uma grande aventura pelo mundo das ideias. Se esse é um mundo pelo qual sente uma especial paixão, não hesite em continuar. Se não é, mas está receptivo a uma nova experiência, continue também.

O início deste parágrafo, que o amigo leitor está neste momento a ler, aqui, e agora, não faria sentido se não tivesse existido o parágrafo anterior que o leitor já leu, e mesmo agora não fará ainda muito sentido, mas fará sentido certamente quando o leitor perceber que só foi escrito assim para facilitar a compreensão do que se pretende com este texto de abertura, e que continuará no parágrafo seguinte.

Nenhum acontecimento, seja ele de que natureza for, existe num vácuo, independente de tudo, mas, pelo contrário, todo e qualquer acontecimento existe relacionado com outros, que o precedem, que o acompanham e que lhe sucedem. E todos os acontecimentos são eles próprios, com as características que os definem em particular, juntamente com as características que os definem nas suas relações e interacções com outros. O acontecimento em si pode ser definido tendo em conta apenas as suas características particulares, mas pode também ser definido tendo em conta apenas as suas interacções.

O objectivo que se pretende com este texto de abertura é que seja feita uma ponte entre o leitor e a leitura deste livro.

Tal como uma viagem é precedida dos planos e do fazer das malas, também a leitura das páginas deste livro deve ser precedida pela leitura deste texto de abertura, que visa informar o leitor para o que vai encontrar ao longo do mesmo. Aqui o leitor poderia questionar porque razão não é simplesmente apresentada uma nota introdutória, um prefácio, ou até um resumo de contra-capa?! E a resposta é simples: deseja-se evitar que seja iniciada a leitura sem um esclarecimento claro do que se pretende com livro, tendo em conta a possibilidade de determinados conteúdos poderem ferir sensibilidades quando não bem contextualizados. Desta forma, este texto de abertura, é simultaneamente uma introdução ao livro e parte integrante do mesmo.

Se o leitor é daquelas pessoas que vivem a aventura pela aventura, e que está disposto a partir sem planear a viagem, poderá deixar este texto no final deste parágrafo e passar às páginas seguintes. Isto se não iniciou a leitura por outros textos. E se iniciou e acabou por passar por aqui, honras lhe são devidas por, no mínimo, não ter abandonado o livro. Mas recorde-se que a aventura tanto pode trazer surpresas agradáveis como desagradáveis, e, para evitar as desagradáveis, mais vale ser cauteloso.

Este livro é composto por um conjunto de textos independentes, uns mais e outros menos extensos, ordenados por ordem alfabética, e que apesar de não possuírem uma relação directa entre eles, possuem no seu todo, uma ideia central, que é a ideia de verdade, analisada sob diversos aspectos, e, claro, sob o ponto e vista do autor.

A compreensão de si próprio é o maior enigma do ser humano, e a busca da verdade é uma busca permanente, que se vai fazendo e refazendo durante o percurso de um caminho interminável, que o guia em direcção a uma luz, que ora o ilumina ora o cega, mas é dela que depende a sua felicidade.

No entanto, cada indivíduo escolhe o seu caminho, e se por um lado essa escolha nem sempre é totalmente livre e consciente, por outro, escolhe muitas vezes caminhos que apontam para a felicidade, mas para uma felicidade aparente, porque a luz que os ilumina é a luz de uma verdade falsa, que a qualquer momento se apaga, fazendo o indivíduo mergulhar na escuridão.

Cada pequeno texto deste livro pretende contribuir para a distinção entre o que é a verdade num sentido geral, real e natural — aquela força que por muito que se tente dominar, acaba sempre por vencer — e o que é a verdade aparente, mais localizada e mais directamente relacionada com o indivíduo, e que, apesar de não ser real e natural, ganha raízes de tal forma estruturadas, que acaba por se confundir e até fundir com a primeira.

Cada texto é, assim, um desafio ao pensamento, que tanto descreve a coisa mais consensual e explícita, que de tão assumida como verdade, parece não fazer sentido falar nela, como inversamente descreve a coisa mais ilógica e inconcebível, que de tão assumida como absurda, parece igualmente não fazer sentido falar nela. O leitor encontrará conceitos, frases, ou ideias, com os quais concordará plenamente, como encontrará outros com os quais discordará profundamente. A prova de inteligência passará por compreender as ideias expostas, compará-las com as ideias assumidas, e retirar as suas próprias conclusões. É uma tarefa que exige esforço mental, mas é a mentalidade que eleva o homem, e às vezes é importante que se pare para pensar.

Este livro, assumidamente, não é um livro científico. Seria incomportável englobar em termos científicos tudo o que este livro engloba, isto para além de, aqui como na vida, a cientificidade das coisas não ser a única existência real, e por vezes nem ser a mais importante. No entanto, pretendeu-se fazer uma abordagem aos diversos aspectos da verdade, fundamentada o mais cientificamente possível. Os resultados são os que se apresentam, e os desafios que se propõem consistem em cada leitor provar a si próprio, de uma forma coerente e racional, o contrário das afirmações que aqui são proferidas, se com elas está em desacordo.

A verdade é o que é para todos, e para cada um, e apesar de ser importante encontrar uma definição consensual, real e universal da verdade, muito mais importante é que cada um respeite a verdade dos outros, ainda que seja conceptualizada em total oposição.

Este livro não tem qualquer pretensão política, religiosa ou ideológica, embora dadas as suas características, poderá favorecer determinadas orientações e desfavorecer outras. A pesquisa de um conceito tão abrangente, como é o conceito de verdade, não se pode abstrair de áreas tão determinantes para a formação do ser humano, pois também elas contribuem para a formação de tal conceito.

Uma vez lido o texto de abertura, e só com esta leitura ficará completa a leitura do livro, resta fazer uma breve apresentação das páginas que se seguem.

No desenrolar deste livro o leitor encontrará aproximadamente uma centena de pequenos textos, cada um abordando um tema específico. Apesar de no seu todo confluírem para uma ideia central, que é a ideia de naturalismo, cada tema ficará completo em si, isto é, a leitura de um tema não exige a leitura de outro que lhe esteja semanticamente relacionado, embora possa existir complementaridade entre eles. Desta característica resultam duas consequências a registar: por um lado, para a leitura deste livro não é exigida qualquer ordem — o leitor tanto pode iniciar no primeiro tema e acabar no último como fazer o inverso, ou pode fazer a sua ordem pessoal conforme o grau de importância que atribuir a cada tema — a leitura ficará sempre completa, uma vez que não há qualquer relação directa entre os temas; por outro lado, o leitor poderá deparar-se com duas situações opostas — ou encontrará frases e ideias repetidas ou encontrará frases e ideias que se contradizem — as repetições salientam o mesmo fundo de verdade apesar das diferentes abordagens, e as contradições salientam as diferentes abordagens apesar do mesmo fundo de verdade — em qualquer das situações, mas essencialmente quando surgem contradições, é fundamental ter em conta a contextualização.

De qualquer modo, este livro é escrito em forma de dicionário, e como em qualquer dicionário, se o significado de andar é caminhar, também o significado de caminhar é andar, ou seja, a mesma coisa é dita em duas direcções opostas, e no caso deste livro não se tratará de significados simples, mas de ideias complexas. E há coisas que podem ser ditas de muitas formas, como há coisas que só se compreendem compreendendo o seu oposto ou antítese.

Este livro é dedicado ao público em geral. Não pretende diferenciar qualquer tipo de população ou elites. Pretendeu-se que a linguagem usada fosse uma linguagem acessível ao maior número de pessoas, dispensando-se sempre que possível, o recurso a nomenclatura especifica de descrições técnicas. No entanto, devido à complexidade categorial de alguns temas, existirão ideias cuja compreensão exigirá alguma mobilidade mental e intelectual.

A inteligência é um recurso naturalmente acessível a todos. Caberá a cada um retirar dela o maior proveito, e a todos contribuir para a purificação dos valores humanos, como a verdade. Esta é a contribuição do autor; é a verdade do autor; e é o desejo do autor: que seja dado um pequeno passo na edificação do caminho da verdade.

Boa leitura.


publicado por sl às 03:15
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