Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

Inteligência

INTELIGÊNCIA

 

 

 

A inteligência é a nossa capacidade de resolver problemas, de ultrapassar obstáculos e de enfrentar situações embaraçosas. Mas só fazendo-o com dignidade, com personalidade e com nível, e não de qualquer modo, isso seria esperteza. A inteligência requer qualidade, distinção, carácter e respeitabilidade.

A inteligência confunde-se muitas vezes com a erudição e com a intelectualidade, porque uma pessoa para ser verdadeiramente inteligente tem que ser erudita e intelectual, mas não o pode ser em demasia, pois a grande base caracterizadora da inteligência é o conhecimento e a sabedoria aliados à capacidade da sua aplicação prática. Saber tudo e conhecer tudo mas nada fazer, não é verdadeira inteligência.

Existem vários testes e teorias que pretendem medir a inteligência, mas na verdade, a inteligência é muito difícil de medir porque abrange demasiadas e complexas áreas.

Por um lado temos a teoria e a prática. Apenas teoria será demasiada intelectualidade e apenas prática será demasiada esperteza. Embora uma implique a outra, é por vezes grande o desfasamento existente entre ambas. Assim, o mais inteligente é aquele que consegue um nível mais elevado de harmonia entre a teoria e a prática.

Por outro lado temos a especialização e a globalidade. Saber tudo de uma coisa é ser inteligente apenas nessa área, mas a vida é demasiado vasta e nós temos necessidade de compreender diversas áreas em simultâneo. E como saber tudo de todas as coisas é completamente impossível, até porque o suporte da nossa inteligência é o nosso cérebro, e apesar de não imaginarmos qual seja a sua capacidade, sabemos que é limitada, sendo também limitada a nossa capacidade de inteligência. Assim, aqui, o mais inteligente é o que consegue um nível mais elevado de harmonia entre a especialização e a globalidade. Note-se que o nível mais elevado de harmonia não é o mais elevado nível médio. Para melhor exemplificação imaginemos a classificação de dois indivíduos em três áreas numa escala de zero a dez valores: o indivíduo A sabe quase tudo de medicina (nove valores), nada de mecânica (zero valores), e nada de culinária, totalizando nove valores; o indivíduo B compreende dois valores de medicina, dois de mecânica e dois de culinária, totalizando seis valores; assim, o individuo A atinge um maior nível médio, de três valores, contra dois do individuo B, mas o individuo B é o mais inteligente porque ao saber um pouco de tudo está mais capacitado para a vida. A especialização é importante para a vida social e colectiva, enquanto que a globalidade é importante para a vida individual. Este é apenas um exemplo virtual da melhor forma de medir a inteligência.

A inteligência é suportada fisicamente pelo cérebro com duas condicionantes, uma biológica e outra cultural. Biologicamente nós somos mais ou menos inteligentes conforme seja o nosso cérebro em termos de perfeição natural — hereditariedade e genética, saúde, doença ou acidentes são factores determinantes. Culturalmente somos mais ou menos inteligentes conforme soubermos usar o cérebro. E aqui é determinante o meio económico-social em que nascemos porque será dos princípios educacionais e culturais que recebemos no início da nossa actividade cerebral que formalizaremos as nossas primeiras ideias, concretizações e planeamentos, mesmo para a utilização do próprio cérebro.

A verdadeira inteligência é a capacidade de organização de informação no próprio cérebro — cada um no seu — com a finalidade de produzir actividade.

A simples introdução de dados desorganizados apenas serve para ocupar memória. Saber muitas coisas que não servem para nada não é inteligência. Inteligência é: isto serve para aquilo, porque... — lógica, compreensão, raciocínio, determinação, firmeza, juízo, sabedoria, organização, programação — como nos computadores.

O nosso cérebro funciona como um computador, e a nossa inteligência apenas é um vastíssimo conjunto de programas, que nós introduzimos nele, ou outros introduzem por nós, e assim, quanto mais perfeitos, completos e abrangentes forem esses programas mais inteligentes seremos.

 

 

 

 

 


publicado por sl às 04:15
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|
Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008

Informação

 

INFORMAÇÃO

 

 

Entende-se por informação qualquer conjunto de dados registados numa memória, que serão interpretados por alguém.

É informação o conjunto dos nossos conhecimentos e recordações, alojadas na nossa memória, que reside no nosso cérebro. É informação todo o conteúdo de um livro e de todos os livros, jornais, revistas e documentos de todas as bibliotecas. É informação tudo o que está gravado em qualquer material desde os mais primitivos aos mais evoluídos: desde os fósseis, pinturas rupestres e rumas; passando pelos monumentos pré-históricos e seculares, pergaminhos, trajes e armas; por todas as expressões artísticas — esculturas, quadros em relevo, pintura, arquitectura, música, canções e teatro — e mais recentemente pela fotografia, pelos discos de vinil e fitas magnéticas de audio, também pelo cinema e vídeo, e pelos actuais discos de leitura “lazer” que registam informação das mais diversas formas; até às bandas magnéticas e micro-chips electrónicos em cartões que suportam muita informação em muito pouco material. Tudo é informação.

A informação em si é uma coisa passiva e inerte, mas a sua implicação no que lhe está inerente torna-a de uma importância extraordinária. A informação é o propulsor da evolução humana porque tudo o que caracteriza a evolução humana está em correlação com tudo o que caracteriza a informação.

Para existir informação é necessário existir matéria que a suporte; é necessário existir linguagem que a enrede; é necessário existir energia que a reproduza; e é necessário existir inteligência que a compreenda, porque, toda a informação é artificial e existe de e para o homem. Por analogia, a natureza tem a sua informação genética e biológica que se auto-reproduz. Também a informação humana caracteriza-se principalmente pelo facto de poder ser reproduzida — de nada servia gravar um disco que nunca pudesse ser ouvido ou escrever um livro que nunca pudesse ser lido.

O facto da informação poder ser reproduzida é que é a chave para o desenvolvimento humano. Se alguém pratica um acto e pode depois ver como o praticou, corrigirá possíveis erros e irá, no futuro, praticar o mesmo acto com mais perfeição. Entra também aqui o facto de o homem ser o único ser com consciência dos seus actos. Subentende-se assim o que a experiência proporcionará em milhares de anos. Repare-se ainda no crescimento cada vez mais galopante dos últimos anos em que a era da informação se tornou uma realidade. Um adolescente de hoje com um computador em casa ligado à internet tem acesso a mais informação que todos os habitantes do planeta há cem anos.

A informação é muito importante porque a sua reprodutibilidade transforma-a atemporal. Só com informação se consegue analisar um acontecimento do passado ou prever um acontecimento futuro. E como a transmissão da informação, além de poder acontecer de uma pessoa para ela própria, pode também acontecer de uma pessoa para muitas outras. É assim geradora de opiniões, conceitos, juízos e valores psicológicos — o romantismo do século XIX só existiu porque alguns autores no início desse século o fomentaram.

As novas tecnologias da informação, através da informática e audiovisual, encurtaram as distâncias no mundo, transformando todo o planeta numa “aldeia global” em que todos têm acesso a tudo em todo o lado — todos os que têm acesso às tecnologias. Mas, repare-se que este encurtamento é psicológico e artificial, como toda a informação é psicológica e artificial, criada pelo homem — se falhar a tecnologia, Nova Yorque fica do outro lado do oceano a milhares de quilómetros em relação a Lisboa, e apesar dos meios de transporte serem evoluídos, nunca alcançarão a velocidade da transmissão de informação que é instantânea.

A era da informação caracteriza-se também pela existência de inteligência artificial, só possível devido a grandes memórias artificiais usadas por automatismos próprios e com determinadas energias.

Também a inteligência humana consiste na capacidade de uso da informação que cada um tem na sua memória.

Um computador pode ter registados na sua memória todos os livros de uma biblioteca, mas isso de nada servirá se não tiver um programa que os ordene, procure e edite. Os programas informáticos são também informação memorizada com o fim de trabalhar outra informação.

Talvez ninguém imagine a quantidade de “bits” e “bytes” que seriam necessários para suportar toda a memória de recordações, instruções, conceitos, desejos, medos e tudo o mais que um ser humano compreende: “saber que o dia ‘x’ é um de tantos que tem tal mês entre outros doze do ano tal depois de Cristo, porque se contam assim os anos após o acerto do calendário pelo movimento do planeta em relação ao sol que é uma estrela porque... e foi nesse dia que ele nasceu; ou saber que o sapato preto diz bem com o fato azul porque esta é a cor do céu que se vê da janela do escritório para onde tem que se dirigir e causar boa impressão se não se perder em conversas fúteis e chegar atrasado porque... e tem que o calçar no pé”.

Tudo o que o homem sabe é informação. Tudo o mais que existe é natureza. Tudo o que faz conscientemente é porque está informado. Tudo o que faz inconscientemente é pura natureza. Quanta mais informação o homem tiver, mais consciente será.

 

 

 

 

 

 


publicado por sl às 00:50
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|
Sábado, 13 de Outubro de 2007

Escrita

ESCRITA

 

 

A escrita é um conjunto de símbolos criados pelo homem que permite a transmissão de ideias sem contacto físico natural entre o emissor e o receptor. Essa característica possibilita a transmissão de ideias em espaço e tempo relativamente ilimitados. Através da escrita é possível enviar mensagens de um ponto para qualquer outro do planeta, ou do espaço, onde se encontre um homem, como também enviar e receber mensagens no tempo. Pode-se receber uma mensagem que foi escrita há milhares de anos, como escrever uma que pode ser lida só daqui a milhares de anos. A escrita aumenta a capacidade humana de comunicação de tal forma que torna o homem num ser extraordinariamente diferente e superior. Será assim a maior invenção ou o grande passo para a sobrevalorização do homem perante todos os outros seres e perante todo o universo que o rodeia.

A criação da escrita, como tudo o que o ser humano criou — tudo o que é artificial e/ou que não nasce naturalmente — é uma criação lenta, progressiva e demorada. Uma criação que começou do nada há milhares de anos e que foi evoluindo a par de todas as outras vertentes evolucionistas humanas, influenciando e sendo influenciada por elas, até à actualidade conhecida, e com caminho livre para continuar a evolução cada vez mais rápida e complexa.

A escrita nasceu de outra grande criação humana, a linguagem — a principal distinção entre os humanos e os outros animais. A linguagem é um conjunto de sons produzido pelo aparelho vocal humano que significa uma coisa ou uma ideia. A escrita é um conjunto de sinais gravados ou impressos numa superfície material visível que significa um conjunto de sons reproduzíveis pela voz, que por sua vez significam uma coisa ou uma ideia.

A origem da escrita está na observação que o homem efectuou de tudo o que o rodeava, criando sons que significassem cada coisa observada, e posteriormente criando símbolos que significassem cada um desses sons.

A invenção da escrita deve-se à necessidade de não perder informação útil e de perpetuar ideias importantes, funcionando como uma ajuda preciosa à limitada memória humana. A memória humana não tem capacidade para registar toda a informação recebida de forma a poder utilizá-la útil e conscientemente numa vida em sociedade. Houve então a necessidade de recorrer a ajudas de memória do exterior. Com as mãos gravam-se símbolos que mais tarde ao serem percepcionados fazem recordar algum acontecimento do passado. Assim nasceu a escrita.

A escrita começou por ser um conjunto de poucos símbolos grosseiros, e cada um com um vasto significado. Nos primeiros tempos, a sua evolução aconteceu no sentido de esmiuçar esses símbolos. Cada civilização criou a sua linguagem e posteriormente a sua escrita — os seus símbolos. No decurso da história, civilizações houveram que se perderam, e com elas as suas escritas. Actualmente existem várias civilizações, com diferentes escritas — note-se a total diferença existente nos símbolos actuais das escritas chinesas, árabes, e latinas. Cada escrita nasceu e evoluiu conforme a civilização que a originou. Dos símbolos que significavam ideias, evoluiu-se no sentido de cada símbolo representar uma sílaba, e posteriormente, com a invenção do alfabeto, cada símbolo representa um som produzido pelo aparelho vocal, que apenas tem significado quando aliado a outros símbolos para formar uma palavra, ou em separado no contexto de uma frase. Esta desconjunção dos símbolos grosseiros que permitiu a criação de novos símbolos elementares, possibilitou a reunião desses novos símbolos com eles próprios e com outros, de uma forma multiplicativa e de organização de frases interminável. Se apenas possuíssemos um símbolo para cada objecto apenas poderíamos representar tudo o que é concreto, mas não poderíamos representar os verbos, os adjectivos, as ideias, os pensamentos, e toda a semântica.

A escrita alfabética permite uma criação interminável de significados. A criação de ideias está correlacionada com a criação material. Quanto mais complexas forem as ideias mais complexas podem ser as criações materiais e vice-versa. A evolução torna-se mais eloquente. Também por essa razão, as civilizações de origem latina, com linguagens e escritas de origem latina, se desenvolveram ao ponto de tomar a dianteira no progresso humano.

A escrita nasceu da linguagem oral, mas a evolução das duas foi simultânea devido à dependência recíproca — a linguagem escrita e oral conduzem à mesma ideia. A linguagem latina, que recebeu grandes influências da antiga linguagem grega, acabou por se dispersar por todos os países originados do antigo império romano. A escrita latina originou as escritas dos países da velha Europa, que na época da expansão, das descobertas, das conquistas e dos achamentos as espalharam por quase todo o mundo. Actualmente com o progresso tecnológico, nomeadamente no campo da informação e da informática, a escrita inglesa começa a globalizar-se. Não sabemos, no entanto o que o futuro nos reserva, mas possivelmente, a chamada aldeia global tenderá ao uso prático de uma só linguagem e uma só escrita, compreendida por todos os seres humanos, que poderá ser uma nova criação originada das actuais (o esperanto, por exemplo), ou a supremacia natural de uma linguagem existente (o inglês segue essa tendência). E as actuais mais de duas mil línguas faladas e muitas delas escritas das mais diversas formas poderão ser extintas e passar ao esquecimento ou ao uso como línguas mortas, como acontece actualmente com o latim.

A escrita foi fundamental na evolução humana porque permitiu que informação do passado fosse recebida no futuro através da leitura de registos e documentos que possibilitaram a compreensão de acontecimentos passados, longinquamente, sem a presença “in loco” dos sujeitos vivos. Permitiu também que informação de um lugar viajasse para outro mais rapidamente, possibilitando a resolução de problemas sem a deslocação e presença real dos intervenientes. E permitiu através da difusão em série de periódicos, a possibilidade da criação da opinião pública, que culminou na democratização/liberalização da civilização, na alfabetização e na criação de direitos humanos protegidos.

A escrita em si é uma coisa artificial, incipiente e inerte. Só é possível em sociedade e só é necessária quando se pretende que uma ideia passe ao esquecimento com a possibilidade de ser reavivada de novo. A linguagem escrita funciona como qualquer outra forma de linguagem, necessita de um emissor, de um receptor e de um canal de transferência. O emissor é o escritor, o receptor é o leitor, e o canal de transferência é o suporte da escrita —  o papel, por exemplo —  a mensagem e o código são a escrita, com a diferença de que o código fica-se pela escrita e a mensagem passa da mente do emissor para a do receptor.

Qualquer escrita nada significa a partir do momento em que acabou de ser escrita. O valor da escrita apenas é o valor dado por quem escreve no momento que escreve e o valor dado pelo leitor no momento da leitura. Entre o momento da escrita e o momento da leitura os símbolos existentes nada significam. Para a escrita ter significado, é necessário que o escritor e o leitor compreendam a mesma linguagem — os mesmos símbolos, as mesmas letras, as mesmas palavras, e os mesmos significados. — Um português que só compreende a linguagem escrita portuguesa nunca compreenderá os significados dos símbolos da escrita chinesa porque são muito diferentes; o mesmo português também não compreenderá os significados da escrita inglesa apesar dos símbolos serem iguais; e se o português é analfabeto nem os significados da escrita portuguesa compreenderá. A compreensão da escrita exige o conhecimento dos símbolos – léxico — o conhecimento da organização dos símbolos – sintaxe — e o conhecimento do significado da organização dos símbolos — semântica. Estas letras nada significam para quem nunca aprendeu o que cada uma e a sua junção organizada significam. Para saber ler e escrever é necessário que haja um código linguístico criado pela sociedade e suficientemente consistente, englobando regras gramaticais que sejam aceites, compreendidas e ensinadas durante várias gerações.

A escrita não é uma necessidade vital, não é uma função natural da vida. Não é hereditária e não é perene. Está constantemente em mutação e é permanentemente ensinada pelos mais velhos e aprendida pelos mais novos. A sua constante mutação depende da criação de vocábulos novos na sociedade, resultantes de novos pontos de vista da realidade ou de novas realidades.

No passado, a escrita foi inventada por pessoas que viviam em círculos de elite, privilegiados por terem todas as suas necessidades satisfeitas por outros, podendo dar-se aos prazeres da retórica, da arte e da ciência. Durante muitos milhares de anos só esses poucos tinham acesso à leitura e ao conhecimento, mantendo-se a grande maioria na ignorância, na guerra e na luta pela sobrevivência. Mas a natureza tem evoluções que a própria razão desconhece. A recente, e relativamente brusca, expansão da alfabetização, transformou totalmente o mundo. A escrita transformou-se num valor enigmático. Criaram-se dicionários e enciclopédias, criaram-se leis e códigos, criaram-se regras e estatutos, criaram-se marcas, nomes e números — toda a vida se retratou pela escrita. E se por um lado ainda é elevada a percentagem de analfabetismo, por outro lado todos fazemos parte de algum suporte escrito.

A escrita valorizou-se de tal forma que toda a existência só é considerada quando traduzida e provada pela própria escrita. A linguagem escrita tornou-se determinante na vida. Por ela tudo se regista, tudo se traduz, tudo se compreende e tudo se ensina, porque a sua abstracção simbólica evoluída permite a teorização de tudo o que existe, e das mais diversas fórmulas: científica, matemática, literária, lírica, narrativa, descritiva, poética, dramática, cuidada, popular e pessoal.

Além da sua indubitável utilidade como suporte de ajuda da memória pessoal e colectiva, em agendas, diários, arquivos e bibliotecas, que possibilitam um elevado alargamento das nossas capacidades intelectuais naturais; e da sua indubitável utilidade como meio de envio de mensagens de grande alcance e conteúdo e de baixo custo, primeiro por mensageiros e correios postais, e actualmente por meios informatizados e em tempo real; e ainda da sua indubitável utilidade como meio de difusão pública de informação útil e necessária, lúdica e de opinião, nos meios de comunicação social, livros, anuários e catálogos; a escrita foi também a grande base impulsionadora das criações intelectuais, quer a nível científico quer a nível erudito. Só devido à escrita foi possível fazerem-se grandes descobertas e darem-se grandes passos na evolução científica, e só devido à escrita foi possível criarem-se grandes obras literárias e artísticas que transformaram culturalmente o mundo.

A escrita só é possível pela aprendizagem, cada vez mais não só da língua materna, mas também de estrangeiras, devido à globalização da sociedade. A aprendizagem só é possível com estabilidade social, política e económica. A estabilidade depende de diversos factores, que podem ser imprevistos e incontroláveis.

Actualmente é impossível viver num mundo civilizado sem saber escrever nem ler. Mas também de nada serve saber escrever e ler quando não há paz, segurança, saúde e alimentos.

Escrever é pensar devagar. É exteriorizar os pensamentos. É poder ver o que se pensa. É poder pensar no que se pensa. É poder corrigir o que se pensa mal. É crescer. Escrever é também registar a imaginação. É criar a partir do nada. Tudo o que é escrito pode ser útil e benéfico. Pode ser simplesmente aprazível. E pode ser até inútil e maléfico. Porque o acto de escrever é o acto mais livre e mais individual que há. Tudo pode ser escrito, e uma vez escrito, tudo pode ser lido —  esta é a finalidade da escrita. Mas nem tudo o que é lido é agradável e aceitável. Tudo o que se escreve pode-se perder para sempre, mas se não se perder, e se for lido, pode provocar reacções evolutivas exponenciais incontroláveis, que podem ser glorificadoras ou aterradoras,

A escrita também é uma arma, e como todas as armas, dá poder — mas também mata.

 

 

 

 

 


publicado por sl às 02:05
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 16 de Junho de 2007

Comunicação

COMUNICAÇÃO

 

 

A comunicação é uma das coisas mais importantes da vida moderna e foi também no passado uma das coisas que mais contribuiu para a criação da própria vida moderna.

Para comunicar é necessário uma série de elementos, que por si só são complexos, sendo-o muito mais quando organizados de forma a possibilitar a comunicação: a origem, partida ou emissor; o destino, chegada ou receptor; a mensagem ou mercadoria; o meio ou via; e a energia. É necessário que alguém envie alguma coisa para de alguma forma ser recebida por outrem. A complexidade da comunicação explica o facto de ser uma realidade recente, apesar das suas origens remontarem às origens do homem.

Existem muitas formas de comunicação apesar de todas seguirem a mesma fórmula para completarem um ciclo comunicativo, que consiste no transporte de algo de um lado para outro com determinada finalidade.

A natureza tem também as suas comunicações próprias: os animais de uma espécie comunicam entre si; o vento e a água transportam sementes para germinarem noutros locais. Mas estes são movimentos involuntários. Os animais percebem o aviso de perigo emitido pelos seus semelhantes e fogem, mas não sabem porque percebem nem sabem porque fogem. É a naturalidade funcional da própria natureza.

A comunicação humana é diferente por ser consciente. Uma pessoa quando diz uma coisa a outra, sabe o que diz, sabe a quem diz, sabe porque diz, e sabe que a outra além de ouvir vai também perceber. Existem duas formas globais, embora interdependentes, de comunicação humana: a comunicação verbal e a comunicação material.

A comunicação verbal é aquela em que o emissor e receptor são estáticos, e o movimento se realiza através de alguma forma de energia, que transporta um código, cuja percepção consciente de ambas as partes forma a mensagem, que é criada pela linguagem. A linguagem é assim a base estrutural da comunicação verbal, que pode ser falada ou escrita. Existem outras formas de linguagem — sons, sinais, letras, bandeiras, pontos e traços — que são usadas de ainda mais formas de comunicação possíveis no espectro eléctro-magnético — desde a proximidade pelas ondas sonoras ou luminosas (conversar ou gesticular), passando pelo transporte de material de suporte de mensagens (correio), até às comunicações de longa distância (rádio, telefone, fax, telemóvel e correio electrónico). Os jornais, televisão, e estações de rádio são formas de comunicação social e particularmente indirecta, pois existe um emissor definido, e muitos receptores possíveis e indefinidos.

A comunicação material consiste no transporte de algo material de um local para outro. Existe necessidade também de uma energia (combustível, electricidade, vento); um meio de carga ou de transporte (carruagem, navio, automóvel, avião); uma via de comunicação (estrada, caminho de ferro, água, ar); um local de partida e um local de chegada; e um objecto transportável que pode ser mercadoria ou a própria pessoa.

A evolução da comunicação, sempre correlacionada com a evolução humana, existiu sempre no sentido de aumentar distâncias espaciais e de diminuir distâncias temporais. Cada vez se viaja para mais longe no espaço e simultaneamente se mantém um maior contacto com o local de partida, porque são permanentemente aumentadas as capacidades e velocidades dos meios de comunicação.

Verbalmente evoluiu-se da, só possível, comunicação em espaço e tempo real (conversar), pela comunicação em espaço e tempo distante (escrever), para a comunicação em espaço distante, mas tempo real (telefonar). Materialmente evolui-se da capacidade e velocidade muscular humana que limitavam a vida natural e geograficamente, para capacidades e velocidades de forças técnicas estrondosas que limitam a vida, mas perante o universo.

A comunicação aumentou brutalmente as nossas capacidades naturais. Transformou-nos artificialmente gigantes numa vida que se mantém natural e relativamente constante.

No passado, a nossa aldeia local, era pequena perante a imensidão das montanhas que a rodeavam. Agora, a nossa aldeia global é pequena perante a imensidão do universo.

 

 

 


publicado por sl às 02:04
link do post | comentar | favorito
|

temas recentes

Inteligência

Informação

Escrita

Comunicação

arquivos

Setembro 2010

Março 2010

Novembro 2009

Junho 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Maio 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

mais sobre mim


ver perfil

seguir perfil

. 3 seguidores

tags

todas as tags

pesquisar

 
Se gostava de obter todos os textos de A a Z, envie o seu pedido para viaverita@sapo.pt!
SAPO Blogs

subscrever feeds