Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

Inteligência

INTELIGÊNCIA

 

 

 

A inteligência é a nossa capacidade de resolver problemas, de ultrapassar obstáculos e de enfrentar situações embaraçosas. Mas só fazendo-o com dignidade, com personalidade e com nível, e não de qualquer modo, isso seria esperteza. A inteligência requer qualidade, distinção, carácter e respeitabilidade.

A inteligência confunde-se muitas vezes com a erudição e com a intelectualidade, porque uma pessoa para ser verdadeiramente inteligente tem que ser erudita e intelectual, mas não o pode ser em demasia, pois a grande base caracterizadora da inteligência é o conhecimento e a sabedoria aliados à capacidade da sua aplicação prática. Saber tudo e conhecer tudo mas nada fazer, não é verdadeira inteligência.

Existem vários testes e teorias que pretendem medir a inteligência, mas na verdade, a inteligência é muito difícil de medir porque abrange demasiadas e complexas áreas.

Por um lado temos a teoria e a prática. Apenas teoria será demasiada intelectualidade e apenas prática será demasiada esperteza. Embora uma implique a outra, é por vezes grande o desfasamento existente entre ambas. Assim, o mais inteligente é aquele que consegue um nível mais elevado de harmonia entre a teoria e a prática.

Por outro lado temos a especialização e a globalidade. Saber tudo de uma coisa é ser inteligente apenas nessa área, mas a vida é demasiado vasta e nós temos necessidade de compreender diversas áreas em simultâneo. E como saber tudo de todas as coisas é completamente impossível, até porque o suporte da nossa inteligência é o nosso cérebro, e apesar de não imaginarmos qual seja a sua capacidade, sabemos que é limitada, sendo também limitada a nossa capacidade de inteligência. Assim, aqui, o mais inteligente é o que consegue um nível mais elevado de harmonia entre a especialização e a globalidade. Note-se que o nível mais elevado de harmonia não é o mais elevado nível médio. Para melhor exemplificação imaginemos a classificação de dois indivíduos em três áreas numa escala de zero a dez valores: o indivíduo A sabe quase tudo de medicina (nove valores), nada de mecânica (zero valores), e nada de culinária, totalizando nove valores; o indivíduo B compreende dois valores de medicina, dois de mecânica e dois de culinária, totalizando seis valores; assim, o individuo A atinge um maior nível médio, de três valores, contra dois do individuo B, mas o individuo B é o mais inteligente porque ao saber um pouco de tudo está mais capacitado para a vida. A especialização é importante para a vida social e colectiva, enquanto que a globalidade é importante para a vida individual. Este é apenas um exemplo virtual da melhor forma de medir a inteligência.

A inteligência é suportada fisicamente pelo cérebro com duas condicionantes, uma biológica e outra cultural. Biologicamente nós somos mais ou menos inteligentes conforme seja o nosso cérebro em termos de perfeição natural — hereditariedade e genética, saúde, doença ou acidentes são factores determinantes. Culturalmente somos mais ou menos inteligentes conforme soubermos usar o cérebro. E aqui é determinante o meio económico-social em que nascemos porque será dos princípios educacionais e culturais que recebemos no início da nossa actividade cerebral que formalizaremos as nossas primeiras ideias, concretizações e planeamentos, mesmo para a utilização do próprio cérebro.

A verdadeira inteligência é a capacidade de organização de informação no próprio cérebro — cada um no seu — com a finalidade de produzir actividade.

A simples introdução de dados desorganizados apenas serve para ocupar memória. Saber muitas coisas que não servem para nada não é inteligência. Inteligência é: isto serve para aquilo, porque... — lógica, compreensão, raciocínio, determinação, firmeza, juízo, sabedoria, organização, programação — como nos computadores.

O nosso cérebro funciona como um computador, e a nossa inteligência apenas é um vastíssimo conjunto de programas, que nós introduzimos nele, ou outros introduzem por nós, e assim, quanto mais perfeitos, completos e abrangentes forem esses programas mais inteligentes seremos.

 

 

 

 

 


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Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008

Informação

 

INFORMAÇÃO

 

 

Entende-se por informação qualquer conjunto de dados registados numa memória, que serão interpretados por alguém.

É informação o conjunto dos nossos conhecimentos e recordações, alojadas na nossa memória, que reside no nosso cérebro. É informação todo o conteúdo de um livro e de todos os livros, jornais, revistas e documentos de todas as bibliotecas. É informação tudo o que está gravado em qualquer material desde os mais primitivos aos mais evoluídos: desde os fósseis, pinturas rupestres e rumas; passando pelos monumentos pré-históricos e seculares, pergaminhos, trajes e armas; por todas as expressões artísticas — esculturas, quadros em relevo, pintura, arquitectura, música, canções e teatro — e mais recentemente pela fotografia, pelos discos de vinil e fitas magnéticas de audio, também pelo cinema e vídeo, e pelos actuais discos de leitura “lazer” que registam informação das mais diversas formas; até às bandas magnéticas e micro-chips electrónicos em cartões que suportam muita informação em muito pouco material. Tudo é informação.

A informação em si é uma coisa passiva e inerte, mas a sua implicação no que lhe está inerente torna-a de uma importância extraordinária. A informação é o propulsor da evolução humana porque tudo o que caracteriza a evolução humana está em correlação com tudo o que caracteriza a informação.

Para existir informação é necessário existir matéria que a suporte; é necessário existir linguagem que a enrede; é necessário existir energia que a reproduza; e é necessário existir inteligência que a compreenda, porque, toda a informação é artificial e existe de e para o homem. Por analogia, a natureza tem a sua informação genética e biológica que se auto-reproduz. Também a informação humana caracteriza-se principalmente pelo facto de poder ser reproduzida — de nada servia gravar um disco que nunca pudesse ser ouvido ou escrever um livro que nunca pudesse ser lido.

O facto da informação poder ser reproduzida é que é a chave para o desenvolvimento humano. Se alguém pratica um acto e pode depois ver como o praticou, corrigirá possíveis erros e irá, no futuro, praticar o mesmo acto com mais perfeição. Entra também aqui o facto de o homem ser o único ser com consciência dos seus actos. Subentende-se assim o que a experiência proporcionará em milhares de anos. Repare-se ainda no crescimento cada vez mais galopante dos últimos anos em que a era da informação se tornou uma realidade. Um adolescente de hoje com um computador em casa ligado à internet tem acesso a mais informação que todos os habitantes do planeta há cem anos.

A informação é muito importante porque a sua reprodutibilidade transforma-a atemporal. Só com informação se consegue analisar um acontecimento do passado ou prever um acontecimento futuro. E como a transmissão da informação, além de poder acontecer de uma pessoa para ela própria, pode também acontecer de uma pessoa para muitas outras. É assim geradora de opiniões, conceitos, juízos e valores psicológicos — o romantismo do século XIX só existiu porque alguns autores no início desse século o fomentaram.

As novas tecnologias da informação, através da informática e audiovisual, encurtaram as distâncias no mundo, transformando todo o planeta numa “aldeia global” em que todos têm acesso a tudo em todo o lado — todos os que têm acesso às tecnologias. Mas, repare-se que este encurtamento é psicológico e artificial, como toda a informação é psicológica e artificial, criada pelo homem — se falhar a tecnologia, Nova Yorque fica do outro lado do oceano a milhares de quilómetros em relação a Lisboa, e apesar dos meios de transporte serem evoluídos, nunca alcançarão a velocidade da transmissão de informação que é instantânea.

A era da informação caracteriza-se também pela existência de inteligência artificial, só possível devido a grandes memórias artificiais usadas por automatismos próprios e com determinadas energias.

Também a inteligência humana consiste na capacidade de uso da informação que cada um tem na sua memória.

Um computador pode ter registados na sua memória todos os livros de uma biblioteca, mas isso de nada servirá se não tiver um programa que os ordene, procure e edite. Os programas informáticos são também informação memorizada com o fim de trabalhar outra informação.

Talvez ninguém imagine a quantidade de “bits” e “bytes” que seriam necessários para suportar toda a memória de recordações, instruções, conceitos, desejos, medos e tudo o mais que um ser humano compreende: “saber que o dia ‘x’ é um de tantos que tem tal mês entre outros doze do ano tal depois de Cristo, porque se contam assim os anos após o acerto do calendário pelo movimento do planeta em relação ao sol que é uma estrela porque... e foi nesse dia que ele nasceu; ou saber que o sapato preto diz bem com o fato azul porque esta é a cor do céu que se vê da janela do escritório para onde tem que se dirigir e causar boa impressão se não se perder em conversas fúteis e chegar atrasado porque... e tem que o calçar no pé”.

Tudo o que o homem sabe é informação. Tudo o mais que existe é natureza. Tudo o que faz conscientemente é porque está informado. Tudo o que faz inconscientemente é pura natureza. Quanta mais informação o homem tiver, mais consciente será.

 

 

 

 

 

 


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Sábado, 1 de Setembro de 2007

Economia

ECONOMIA

 

 

A economia é o motor da sociedade humana. Tudo roda em volta da economia.

No passado a terra era grande e o poder estava nos deuses. Mas aos poucos foi-se conquistando e passou a ser pequena, e o poder passou a estar nas mãos dos homens que a possuíam e dominavam.

O domínio das terras e das riquezas que delas se extraía e produzia, atribuiu poder aos homens. A uns sobre outros. Uns que eram os donos das terras e outros que eram os que as trabalhavam.

Criaram-se os mercados para se trocarem os produtos produzidos e criou-se o dinheiro para facilitar essas trocas.

Depois criaram-se as indústrias para transformarem os produtos produzidos e extraídos das terras. Com essa transformação criaram-se novos produtos, que precisavam de ser distribuídos por quem não os produzia. Nasceu o comércio aliado aos serviços, e tudo se produz e comercializa para obter mais dinheiro e poder.

A economia acabou por englobar todas as áreas da sociedade humana. Tudo se vende e tudo se compra. Tudo se troca por dinheiro e o dinheiro é que dá o poder porque com ele tudo se pode obter.

A economia originou os mercados de valores, onde todos os dias muito capital muda de mãos com a compra e venda de valores que nem os próprios investidores chegam a saber o que representam materialmente.

A economia transformou-se numa realidade complexa — quase virtual — onde cada um se preocupa com o dinheiro que tem e com o que pode ou deseja gastar, e onde todos condicionam as tendências dos inúmeros gráficos que permanentemente são indicadores da evolução económica. — O produto interno bruto, as taxas de juro, os índices bolsistas, os impostos, a inflação, os câmbios, o desemprego, o poder de compra e muitos outros indicadores são permanentemente estudados pelos economistas para actuarem no sentido de intervirem com medidas políticas, financeiras ou empresariais, de forma a que o crescimento seja o maior possível, e o decrescimento, quando inevitável, seja o menor possível.

Cada país tem a sua economia conforme a evolução económica, política e social do seu passado recente.

  Apesar do crescimento económico mundial ser actualmente inquestionável, ao nível local, regional ou nacional não se passa o mesmo. Muitos factores podem interferir bruscamente na estabilidade económica de um país, sendo as catástrofes naturais e as guerras, os mais ameaçadores.

Na economia, como em tudo na vida, os ganhos ou lucros de uns são perdas ou custos de outros. A estabilidade política, económica e social, de todos os parceiros de uma comunidade é a garantia de crescimento, porque com negociações, todos crescem, ainda que o crescimento seja menor.

 

 

 


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Sábado, 14 de Abril de 2007

Armamento

ARMAMENTO

 

 

O negócio de armas é o maior negócio do mundo. Os maiores e melhores fabricantes de armas são os que mais enriquecerão. Quem possuir as armas mais poderosas possuirá o maior poder.

Desde o princípio dos tempos que o homem usa as armas como um dos seus mais indispensáveis complementos. Um homem é ele e a sua arma. Muitas filosofias de vida permitem o abandono de tudo, excepto da arma pessoal. Porque as armas dão o poder e o ser.

As armas sempre acompanharam o homem. Ainda o homem não sabia que era homem, ainda não tinha consciência de si próprio, e já possuía e usava armas. Foram inclusive as armas que permitiram ao homem a sua ascensão perante os demais animais, porque devido à sua capacidade de criação e uso das mesmas, conseguiu não só defender-se deles como também domina-los, conquistando poder sobre eles.

A inteligência humana possibilitou a criação de armas e com elas a sua evolução. Por um lado, muitas das grandes descobertas que revolucionaram o mundo da ciência, da técnica, e da medicina, foram feitas nas sombras ou por reflexos casuais e premeditados, das intenções e práticas dos laboratórios militares, cujo objectivo principal era o de criar novas e mais potentes armas. Por outro lado, cada nova batalha era vencida pelos possuidores de melhores armas, e cada novo poder era o poder dos mais evoluídos. Sabendo que a história humana é feita de lutas, batalhas e guerras, facilmente reconhecemos a relação entre a evolução humana e o armamento.

Desde sempre, individual ou colectivamente, o homem foi um ser ávido de poder. O poder é normalmente desejado por todos, mas só alguns o podem possuir. Pois para haver poder de um lado terá que haver submissão do outro. Como naturalmente somos todos relativamente iguais, só artificialmente uns conseguem poder para dominar os outros. As armas estão sempre do lado de quem possui o poder, ou vice-versa.

Com armamento consegue-se poder, que é muitas vezes confundido com respeito, porque as armas matam. E como as armas matam, quem as não possui, tem medo delas, submetendo-se às ordens de quem as possui. E quem as possui, como pode matar, sobreleva-se perante quem as não possui.

A evolução balística, ou do armamento, precedeu todas as outras áreas evolucionais. No entanto, no mundo moderno e contemporâneo, em cujas revoluções alteraram o rumo da história no sentido de valorizar os direitos humanos com igualdade e liberdade, as novas formas de poder e respeito mútuo obtido pelas recentes hierarquias sociais democráticas, começam a ser uma realidade.

O poder dos novos regimes livres e democráticos é conquistado agora com novas armas, que são mais suaves, não atentam directamente contra a vida, mas decidem o destino dos povos, tais como a demagogia, a tecnologia, a publicidade, a comunicação social e todos os fazedores de opiniões ou controladores de influências.

Estas novas armas são mais humanizadas e mais racionalizadas, e embora funcionem muitas vezes apoiadas em armas concretas, com elas só se alcança o poder numa sociedade civilizada, com paz e estabilidade.

O civismo, a estabilidade e a paz, apenas são uma realidade em alguns países, e por vezes uma realidade ainda frágil devido aos arquétipos e axiomas do passado. Por isso, a investigação, produção, comercialização e aquisição de equipamento bélico, são ainda as mais poderosas formas de obtenção de poder, quer directamente, em regimes militares ou militarizados com o seu uso concreto e directo, quer indirectamente, com a sua produção extremamente lucrativa.

As armas são a garantia de segurança de uma pessoa e de um país, e a segurança é uma das necessidades elementares para o desenvolvimento individual e colectivo. Enquanto o homem sentir qualquer espécie de ameaça à sua integridade, possuirá armamento. E só se sentirá seguro quando conhecer totalmente o terreno que pisa, o que, se não for impossível, será muito difícil.

 

 


publicado por sl às 00:58
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