Domingo, 9 de Dezembro de 2007

Fama

FAMA

 

 

A fama é o conhecimento que os outros têm de nós.

Todos vivemos em sociedade e vivemos numa sociedade consciente porque somos civilizados e sabemos que existimos entre outros. Todos temos relacionamentos sócio-culturais com outros, na família, na escola, no trabalho, na igreja, no desporto, na rua, nos transportes, nas festas e em todos os lugares públicos que todos podem frequentar ou em todos os lugares particulares frequentados por alguns.

Temos ainda relacionamentos sociais sem contactos físicos quando dos nossos espaços reservados comunicamos com os outros pelos meios que a tecnologia nos permite — carta, telefone, fax e e-mail. Conhecem-se melhor duas pessoas que comunicam frequentemente por escrito ou telefone entre dois continentes e que nunca se encontraram, do que duas pessoas que se cruzam diariamente na mesma rua, mas que nunca se falaram.

Mas a fama vai mais além porque não exige que o conhecimento seja recíproco. Para uma pessoa ser famosa basta que os outros tenham conhecimento dela independentemente dela ter ou não conhecimento deles. Aliás, quanto maior for a fama menor será a reciprocidade, porque, quantas mais pessoas conhecerem uma, menor será a probabilidade desta conhecer as primeiras.

A fama pode ser boa ou má. É boa quando o motivo que tornou a pessoa famosa é socialmente útil, culturalmente enriquecedora e moralmente aceite, e é má quando acontece o oposto.

Pode também ser voluntária ou involuntária. É voluntária quando é a própria pessoa que conscientemente deseja ser conhecida e age no sentido de se dar a conhecer. E é involuntária quando a autoria de algo invulgar, ou acontecimento particular, desencadeia uma acção de divulgação que ninguém consegue controlar.

A fama, como tudo na vida, tem vantagens e desvantagens. O reconhecimento público de alguém é motivo de orgulho, honra e glória e até auto-realização e poder, se esse alguém goza de boa fama. Mas poderá ser o oposto se goza de má fama. No entanto, na fama, estão sempre em jogo os critérios dos valores das pessoas famosas contra os das pessoas que lhes atribuíram a fama. A fama pode ter uma evolução progressiva, brusca ou até póstuma, mas sempre que acontece com pessoas vivas, limita-lhes a liberdade individual por se tornarem figuras públicas. Uma pessoa famosa pode por um lado fazer mais o que quer porque tem poder, mas por outro não pode fazer tanto o que quer porque está permanentemente a ser observada. A fama projecta-nos na sociedade, mas limita-nos a liberdade.

Os meios de comunicação social, cada vez mais influentes, são os principais geradores de fama, por transformarem públicos os aspectos particulares das pessoas.

Como o excesso de fama seria a falta de individualidade, e o excesso de individualidade seria a falta de contactos sociais, e como todos necessitamos simultaneamente de individualidade e de sociabilidade, cada um terá que encontrar a dose certa de cada parte para ter a fama que deseja, não esquecendo que a vida não é só o que nós queremos, mas também o que os outros querem, e o que a natureza permite.

 

 

 

 


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Sábado, 15 de Setembro de 2007

Educação

EDUCAÇÃO

 

 

Toda a criança normal nasce numa sociedade com valores estruturados, que englobam todos os aspectos culturais dessa sociedade. A criança, além de herdar biologicamente os genes dos progenitores, herda também os valores da sociedade em que nasce, por natureza cultural. Inconscientemente, as expressões dos pais para os seus bebés são as primeiras formas de os moldar. Os gestos, a linguagem, todos os comportamentos, usos e costumes dos pais são aprendidos pela criança devido às suas capacidades naturais de ir imitando os outros nas primeiras fases do crescimento.

A família sempre foi o palco dos primeiros ensinamentos. Ensinamentos estes que aconteciam de uma forma pouco estruturada e mais pelo prazer dos pais em verem os filhos crescerem. No entanto esta instituição tem vindo a perder terreno no mundo civilizado e vai sendo substituída pelos berçários e infantários, que vão tomando a dianteira em alguns ensinamentos até então só transmitidos na escola primária — excluir-se-ão deste desenvolvimento educacional todas as crianças que ainda actualmente não frequentam qualquer plano de educação programado, engordando a taxa de analfabetismo.

É na escola primária que são dados os primeiros passos na educação com regras e com civismo. Na escola primária ensina-se às crianças o que elas são capazes de aprender, e o que se pensa ser fundamental para servir de base ao crescimento civilizacional, cultural e social. São os sistemas educativos, compostos pelos regimes governamentais em primeiro lugar, e seguidamente pelos professores, educadores, encarregados de educação e pais, que determinam o que deve e o que não deve ser ensinado às crianças.

Até aqui, e muitas vezes mais ainda, as crianças não têm qualquer capacidade de decisão ou escolha na sua conduta educacional. Limitam-se a aprender o que os educadores ensinam, estando os educadores conscientes do que estão a ensinar e os educandos pouco conscientes do que estão a aprender.

Só entre a adolescência e a juventude é que se começa a criar um sentido vocacional mais formal que permite fazer as primeiras opções livres para o futuro, embora possam ainda ser muito apoiadas nos conselhos dos mais velhos. E, ainda que livres e conscientes todas estas opções são fortemente influenciadas por toda a aprendizagem inconsciente do passado.

Assim se conclui que todos os indivíduos são, culturalmente, fruto de um crescimento inconsciente determinado pela sociedade em que nasceram.

Se tivermos em conta que no passado poucos eram os que frequentavam o ensino oficial, sendo toda a base educacional fundamentada no saber de experiência feito e nos interesses e convicções dos mais velhos, e que os regimes educacionais fechados e de condutas de rigor extremo eram os únicos com planos curriculares, facilmente concluímos que a educação impunha limites, não só de acções, mas também de ideias, que produzia homens com pouca consciência da sua realidade.

A educação para a liberdade, para o conhecimento e para o crescimento intelectual, como realidade disponível para todos, é uma realidade recente, que só foi e é possível com o derrubar de barreiras fortemente edificadas pelas tradições, culturas, religiões, ideologias, e todos os demais arquétipos do passado.

A educação é muito importante tanto para o crescimento de uma pessoa como para o crescimento de uma sociedade ou civilização. Porque, se uma criança não for educada, ela vai crescer imitando os mais velhos que a rodeiam, em tudo o que eles têm de bom e de mau, e quando for adulta vai ser como eles — não há evolução — mas ainda que seja mais inteligente e separe o bem do mal, se não transmitir essa mensagem, a pouca contribuição para a evolução comum que poderia dar, será muito menor porque só acontecerá se os outros a imitarem, o que acontecerá casualmente, sem qualquer consciência, e esse crescimento facilmente se perderá.

Porque as mentalidades e as consciências só mudam através de gerações, em que os mais velhos vão educando os mais novos no sentido de evitar o que é errado e valorizar o que é correcto, dando preferência à educação que incentive a consciencialização o mais precocemente possível, para que cada indivíduo se possa responsabilizar dos seus actos e sofrer as suas consequências, de uma forma consistente e assumida, com compreensão e respeito pelos limites da vida, quer impostos pela natureza, quer impostos pela sociedade.

Só pela educação se podem criar sociedades em que cada pessoa viva com consciência, com carácter, com liberdade e com responsabilidade, em compreensão e em harmonia com todas as outras, e em que o respeito mútuo dos mais velhos seja a base da educação para os mais novos, para que estes possam criar uma sociedade ainda mais moderna, mais evoluída, mais inteligente, mais livre, e mais responsável.

E assim sucessivamente.

 


publicado por sl às 15:22
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Sábado, 1 de Setembro de 2007

Economia

ECONOMIA

 

 

A economia é o motor da sociedade humana. Tudo roda em volta da economia.

No passado a terra era grande e o poder estava nos deuses. Mas aos poucos foi-se conquistando e passou a ser pequena, e o poder passou a estar nas mãos dos homens que a possuíam e dominavam.

O domínio das terras e das riquezas que delas se extraía e produzia, atribuiu poder aos homens. A uns sobre outros. Uns que eram os donos das terras e outros que eram os que as trabalhavam.

Criaram-se os mercados para se trocarem os produtos produzidos e criou-se o dinheiro para facilitar essas trocas.

Depois criaram-se as indústrias para transformarem os produtos produzidos e extraídos das terras. Com essa transformação criaram-se novos produtos, que precisavam de ser distribuídos por quem não os produzia. Nasceu o comércio aliado aos serviços, e tudo se produz e comercializa para obter mais dinheiro e poder.

A economia acabou por englobar todas as áreas da sociedade humana. Tudo se vende e tudo se compra. Tudo se troca por dinheiro e o dinheiro é que dá o poder porque com ele tudo se pode obter.

A economia originou os mercados de valores, onde todos os dias muito capital muda de mãos com a compra e venda de valores que nem os próprios investidores chegam a saber o que representam materialmente.

A economia transformou-se numa realidade complexa — quase virtual — onde cada um se preocupa com o dinheiro que tem e com o que pode ou deseja gastar, e onde todos condicionam as tendências dos inúmeros gráficos que permanentemente são indicadores da evolução económica. — O produto interno bruto, as taxas de juro, os índices bolsistas, os impostos, a inflação, os câmbios, o desemprego, o poder de compra e muitos outros indicadores são permanentemente estudados pelos economistas para actuarem no sentido de intervirem com medidas políticas, financeiras ou empresariais, de forma a que o crescimento seja o maior possível, e o decrescimento, quando inevitável, seja o menor possível.

Cada país tem a sua economia conforme a evolução económica, política e social do seu passado recente.

  Apesar do crescimento económico mundial ser actualmente inquestionável, ao nível local, regional ou nacional não se passa o mesmo. Muitos factores podem interferir bruscamente na estabilidade económica de um país, sendo as catástrofes naturais e as guerras, os mais ameaçadores.

Na economia, como em tudo na vida, os ganhos ou lucros de uns são perdas ou custos de outros. A estabilidade política, económica e social, de todos os parceiros de uma comunidade é a garantia de crescimento, porque com negociações, todos crescem, ainda que o crescimento seja menor.

 

 

 


publicado por sl às 00:57
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Sábado, 12 de Maio de 2007

Casamento

CASAMENTO

 

 

A nossa natureza animal impregnou-nos de uma necessidade biológica e orgânica, semelhante a todos os outros animais, cuja satisfação nos dá o maior prazer, e da forma mais normal e natural, visa a transmissão da vida e a sobrevivência da espécie.

O acto sexual, só normal e natural quando praticado entre um macho e uma fêmea, tendo em conta que o papel principal dos órgãos sexuais é a reprodução, e esta só é possível naturalmente entre um macho e uma fêmea, é o principal objectivo na vida de qualquer ser vivo, sendo ultrapassado apenas pelas necessidades vitais. É tão indispensável a copulação para a vida da espécie como a alimentação para a vida individual.

O ser humano, devido à sua superioridade, compreende uma sexualidade mais vasta, por não possuir ciclos sexuais estabelecidos naturalmente tão restritos como os outros animais, e por devido à sua capacidade mental conseguir condicionar essa sexualidade.

E assim criou regras para os comportamentos sexuais. Definiu como, quando, onde, com quem, porquê e com que frequência se deve copular. Cada sociedade, civilização, ou cultura, definiu as suas regras sexuais conforme os ideais, tradições, interesses, crenças, objectivos e conhecimentos próprios. Por exemplo, na civilização ocidental, de tradições judaico-cristãs, a copulação só devia existir entre um homem e uma mulher, casados para toda a vida, com o objectivo de terem filhos.

O casamento é então a palavra-chave que regula toda a actividade sexual de uma sociedade. Qualquer acto sexual está explícita ou implicitamente relacionado com o casamento, podendo ser aconselhável ou permitido e condenável ou proibido.

O vínculo do estabelecimento do casamento na sociedade foi de tal força — todos queriam casar porque todos queriam parceiros sexuais, porque só entre casados era permitido o acto sexual — que o próprio casamento acabou por ser a base de toda a organização social, nomeadamente para a criação de leis económicas, fiscais e criminais.

O casamento como regulador da actividade sexual só funciona em sociedades de repressão, pois limita o ser humano naquilo que ele tem de mais expansivo a nível comportamental. E assim, apesar do casamento, a actividade sexual sempre existiu fora dele, como prostituição, adultério, incesto, pedofilia, etc. Toda a história está documentada com casamentos incestuosos, filhos bastardos, mulheres adúlteras, sem esquecer, a conhecida, mais velha profissão do mundo.

O casamento apenas legaliza a sexualidade, e dependendo do regime social em que existe, pode permitir desde a poligamia até à homossexualidade.

A versão religiosa do casamento apenas existe porque todo o poder civil partiu do poder religioso e de todos os antigos regimes teocráticos nasceram os actuais regimes liberais e democráticos, como do antigo casamento religioso nasceu o actual casamento civil.

O casamento é um contrato mútuo em que os esposos se comprometem, voluntária ou involuntariamente, a cumprir várias cláusulas oficialmente legalizadas, prévia e socialmente estabelecidas, tais como perfilhação, distribuição de bens e heranças, coabitação, respeito, companhia e fidelidade. Os valores materiais são objectivos e facilmente se repõem na normalidade em casos de ilegalidade ou litígio, mas os valores morais e sentimentais são muito subjectivos e motivo de muito conflito, principalmente quanto à actividade sexual, porque, se o ser humano casa porque deseja sexo, continua a desejar sexo apesar de casado, porque já o desejava antes de casar, isto para além das diferenças individuais e de género.

No casamento apenas está em jogo o desejo sexual e a sua contenção ou satisfação, que depende da mentalidade de cada um, que por sua vez depende da realidade social. O restante — filhos, habitação, família — são consequências.

E muito mais importante que o amor, é o respeito e a compreensão.

 

 


publicado por sl às 19:20
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