Domingo, 4 de Março de 2007

Alegria

ALEGRIA

 

A alegria é a exteriorização de um sentimento, que pode ser verdadeiro ou falso. É verdadeiro quando o que se manifesta corresponde ao que se sente. Quando nos sentimos felizes e satisfeitos e exteriorizamos essa satisfação com alegria que contagia os outros. E é falso quando o que se manifesta não corresponde ao que se sente. Quando nos sentimos deprimidos ou preocupados, mas na presença dos outros exprimimos alegria.

A alegria é então uma manifestação social, um modo de ser ou de estar permanente — conforme as características psicológicas de cada um — ou ocasional — conforme as circunstâncias do momento —, que se opõe à tristeza, e que se considera apenas na relação de uma pessoa perante as outras.

A alegria íntima, individual e pessoal, não é alegria, mas sim felicidade, da mesma forma que a igual tristeza não é tristeza, mas sim infelicidade.

Mas existe diferença entre o que nós sentimos e aquilo que queremos que os outros pensem que sentimos. Por isso falsificamos a exteriorização e podemos estar felizes e expressar tristeza ou estar infelizes e expressar alegria. Esta falsificação pessoal dos sentimentos é tão comum e em algumas pessoas tão intensa que elas próprias acabam por serem influenciadas pela mentira criadas por elas mesmas. E ficam sem saber se estão felizes ou infelizes, nem tristes ou alegres.

Esta falsificação da expressão dos sentimentos pode ser voluntária ou involuntária. É criada devido a diferentes opiniões sobre respeito e valores humanos em sociedade. Expressamos sempre o que mais nos convém, excepto se a nossa natural felicidade ou infelicidade for demasiado forte e se torne superior à nossa capacidade de condicionar essa exteriorização.

Existem momentos — raros — em que a nossa felicidade é tanta que não nos preocupamos com o que a nossa alegria possa causar nos outros. E existem — também raros — momentos em que inversamente é a nossa infelicidade que nos preenche a ponto de esquecermos os outros. O excesso de alegria, quando real, causada pela felicidade, provoca inveja, pois todos desejam ser mais felizes que os outros, e quando falsa causa dó, pois ninguém tem muito apreço por alguém que está excessivamente alegre. O excesso de tristeza, quando provocado por uma infelicidade, causa compaixão, porque ninguém gosta de ver os outros sofrerem, mas quando falsa, causa ódio, porque ninguém gosta de ver os outros apelarem ao sentimentalismo para alcançarem os seus fins.

Como os sentimentos e emoções estão na nossa natureza física também os sentimentos humanos estão na nossa natureza humana, e por isso, todos nós, uns mais outros menos, temos momentos de felicidade e momentos de infelicidade que podemos exteriorizar, ou não, com alegria ou com tristeza, porque vivemos em sociedade e sabemos que tal como nós, os outros também sentem inveja, dó, compaixão, ódio e muitos outros sentimentos que nos poderão ser benéficos ou maléficos, e que por isso os usamos de uma forma interessada dentro das nossas capacidades, sem esquecer que todos eles existem naturalmente, mas em contraposição à razão.

Nem sempre existe coerência entre o que sentimos, o que queremos sentir, o que expressamos, e o que queremos expressar.

 

 


publicado por sl às 03:27
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