Sábado, 20 de Outubro de 2007

Espaço

ESPAÇO

 

 

O espaço é a distância que vai de um ponto de referência a outro. Pode ser objectivo e concreto se as referências forem medíveis pelas leis da matemática, geometria ou física; pode ser abstracto e subjectivo se não existirem referências concretas; pode ser temporal se as referências existirem no tempo; e pode ser tudo o que está para além da atmosfera no sentido em que se entende por espaço toda a existência entre os corpos celestes.

O espaço em si não existe. Só existe espaço quando existem referências. Ninguém pode conhecer qualquer medida ou qualquer quantidade de espaço sem conhecer os pontos que o limita.

O espaço existe tendo em conta principalmente as unidades geométricas e unidades de tempo para o medir. As unidades geométricas servem para medir quantidades de matéria. Tudo o que é material pode-se medir porque tudo o que é material ocupa espaço. A energia não ocupa espaço porque não é material e não pode ser medida por unidades geométricas. O espaço existente entre dois valores matemáticos ou estatísticos é imaginário, não existe realmente. O espaço real só existe considerando a matéria — e o tempo.

A cronologia do tempo refere várias unidades em relação ao passado, ao presente e ao futuro, tendo por base os movimentos terrestres de rotação e translação, e os anos-luz (distância que a luz percorre durante um ano). Sem movimentos siderais rítmicos, constantes e observáveis, para se tornarem previsíveis, não seria possível medir o tempo. Assim, também o tempo exige uma base material para ser medido.

O espaço sempre existiu no mundo científico, especialmente correlacionado com o tempo. Um espaço de tempo é a distância que vai de um momento a outro. Os acontecimentos são as referências. Nas o espaço, por ser tudo e nada ao mesmo tempo, sempre originou curiosidade científica e de ficção. O céu que todos os dias podemos observar é de uma dimensão inalcançável, e leva-nos ao imaginário, também fundamentado em teorias científicas.

Por exemplo: imaginemos um circuito automóvel, com 100 kms de comprimento; e imaginemos que possuímos um automóvel que viaja a 100 kms/hora desde que parte até à meta. Percorremos o circuito demorando uma hora. Mas, se aumentarmos a velocidade para 200 kms/hora, já só demoramos 30 minutos. E se aumentarmos para 400 kms/hora, só demoramos 15 minutos. E se aumentássemos para 800 Kms/hora, só demoraríamos 7,5 minutos. Aumentamos a velocidade de 100 para 800 kms/hora e reduzimos o tempo de 60 para 7,5 minutos. Se fosse possível aumentar sempre a velocidade até atingirmos a velocidade instantânea que é a velocidade da luz (300,000 Kms por segundo aprox.), chegaríamos à meta no mesmo momento da partida.

Uma conversa por telefone entre Londres e Tóquio existe em tempo real. A voz viaja milhares de kms imediatamente.  Se ultrapassássemos essa velocidade no nosso circuito, chegaríamos à meta antes de termos partido. É a teoria das viagens no tempo, tão famosa na literatura de ficção científica e no cinema. E como o progresso cada vez nos mostra que viajamos mais velozmente, leva-nos a acreditar que um dia essa teoria seja realidade.

Mas é impossível. O passado não volta e o futuro ainda não chegou. Só existe o presente, neste espaço e neste tempo. Se nós um dia conseguíssemos viajar no tempo, seria porque o passado, presente e futuro existiam em simultâneo, e se existissem, poderíamos questionar qual a razão dos humanos do futuro ainda não nos terem visitado para corrigirem os nossos erros — simplesmente porque não existem.

Nós somos únicos e existimos num tempo e num espaço únicos.

 

 

 


publicado por sl às 02:21
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Sábado, 29 de Setembro de 2007

Energia

ENERGIA

 

 

Invisível e sem ocupar espaço, a energia é toda a força accionada por uma quantidade de matéria que produz movimento ou alterações noutra ou na própria quantidade de matéria.

Toda a natureza conhecida pelo homem, possui movimento. E toda a natureza é formada por átomos que são as partículas mais pequenas da matéria. Estas partículas têm uma estrutura diversa conforme a sua composição nuclear. Os elementos conhecidos mais diminutos do universo e da natureza são os “quarks” que conforme a sua positividade ou negatividade formam os protões e os electrões. O número de protões e o número de electrões, quando estabilizados formam os nucleões, que são os componentes de um átomo.

A energia nuclear — também chamada energia atómica — é a energia produzida no núcleo dos átomos quando estes se estão a integrar formando a matéria ou a desintegrar deixando de ser matéria e transformando-se em energia. Existe em toda a natureza sob a forma de radiação que é proveniente dos movimentos naturais da matéria e da sua transformação. Mas, actualmente, a tecnologia científica humana consegue produzir artificialmente esta energia.

A estrutura nuclear dos átomos é diversa conforme o número de electrões e protões que se equilibram interagindo. Estão identificados cerca de uma centena de átomos diferentes, que correspondem às diferentes unidades elementares da matéria. Os electrões exteriores de cada átomo, quando não encontram consistência com o respectivo núcleo, formam equilíbrio com os electrões de outros átomos que se encontrem em iguais circunstâncias, justapondo-se assim os átomos uns aos outros, quer sejam do mesmo elemento ou de elementos diferentes. Estas justaposições possibilitam a formação de estruturas organizadas em quantidades infinitas. As estruturas compostas por átomos são as moléculas. Por exemplo, dois átomos de hidrogénio e um átomo de oxigénio constituem uma molécula de água. Toda a matéria existente na natureza é composta por moléculas que são compostas por átomos.

A matéria existe em três estados físicos — sólido, líquido e gasoso — e conforme a sua natureza molecular, possui massa, densidade, elasticidade, resistência, consistência e outras características específicas que diferenciam cada porção de matéria das outras. As diferentes composições materiais existem opondo-se e complementando-se umas em relação às outras. Esta luta permanente de forças paradoxais que visam simultaneamente o equilíbrio e o desequilíbrio geram uma nova forma de energia, o magnetismo.

Tudo se atrai e tudo se repele com determinada relatividade. Esta atracção e repulsão contínuas, geram movimento que é constante quando em equilíbrio e inconstante quando em desequilíbrio. Todo o universo se encontra em movimento permanente em que o maior movimento engloba e é formado pelo conjunto de todos os outros, que se vão desencadeando, uns em relação aos outros, até ao mais ínfimo.

O homem conhece desde os movimentos cósmicos, passando pelos movimentos intergalácticos, interplanetários, espaciais, meteorológicos, atmosféricos, marítimos, tectónicos, orgânicos, celulares e moleculares, até aos movimentos nucleares. Para além do cosmos e para além da composição dos átomos, o homem não conhece mais.

Todos estes movimentos são originados por energia activa que a natureza possui, e cuja origem, reserva, limites e outras referências, o homem desconhece, e por energia reactiva que o homem com a sua capacidade científica já conhece e domina. A energia nuclear, electromagnética, e gravitacional são energias naturais inesgotáveis às mãos do homem.

Toda a energia está na natureza. E a Terra, devido à sua imensa diversidade molecular, possível pela sua relativa estabilidade cósmica que consolidou os átomos das formas mais complexas, possui as mais variadas formas de matéria que pode ser transformada em iguais formas de energia, quer naturalmente quer pela mão do homem.

As reservas mineralógicas poderão esgotar devido à extracção permanente que o homem faz, por serem as geradoras de energias que o homem mais explora e consome. Mas outras formas de energia poderão e estão a ser artificializadas de modo a transformarem-se úteis ao homem e menos poluentes em relação ao ambiente. Nomeadamente a energia solar e eólica, que como a energia hidroeléctrica, cinética e calorífica (e potencial), existirão sempre enquanto o homem existir.

E o homem, com a sua tecnologia evolutiva, certamente, explorará mais as energias inesgotáveis — electromagnética, gravitacional, e nucleares (forte e fraca) — criará novas formas de exploração energética, e explorará as energias ecológicas e biológicas.

A energia é o movimento da matéria. É a vida. Tudo pode consumir ou produzir energia. O automóvel consome combustível e produz movimento. O homem consome alimentos e produz força muscular e ideias. Tudo se vai transformando.

Algumas teorias afirmam ser a vida uma perda constante de energia, na medida em que nenhum motor consegue produzir energia para se alimentar a ele próprio, nem nenhuma central hidroeléctrica usa a mesma água duas vezes.

Mas, a natureza é feita de ciclos e contra-ciclos, e se o homem consegue construir novos materiais a partir dela, também a mesma os poderá destruir. As enormes quantidades de lixos ou desperdícios da civilização, inertes sob o ponto de vista humano, poderão transformar-se em nascentes de energia ou vida no futuro.

No entanto, não caberá às gerações humanas actuais, e talvez a nenhumas, saber se a energia se vai constantemente perdendo ou constantemente renovando, dada a pequenez da vida humana perante a vida em geral.

E só faz sentido pensar na energia face à vida humana, e neste sentido uma verdade é absoluta — só há vida se houver energia e enquanto a vida existir, a energia existirá.

 

 

 


publicado por sl às 17:03
link do post | comentar | favorito

temas recentes

Espaço

Energia

arquivos

Setembro 2010

Março 2010

Novembro 2009

Junho 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Maio 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

mais sobre mim


ver perfil

seguir perfil

. 3 seguidores

tags

todas as tags

pesquisar

 
Se gostava de obter todos os textos de A a Z, envie o seu pedido para viaverita@sapo.pt!
SAPO Blogs

subscrever feeds